Veja mostra a força da bancada evangélica no governo Bolsonaro

Deputados evangélicos formam a mais poderosa frente do Congresso Nacional.

Da redação,

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Bancada evangélica

Quem são e o que querem os deputados que formam a mais poderosa frente do Congresso – e levaram Bolsonaro a vetar de imediato um imposto sobre as igrejas

Toda quarta-feira às 8 horas o plenário 6 da Câmara dos Deputados se converte em igreja. Com a Bíblia nas mãos, parlamentares e assessores, alguns acompanhados da esposa, agrupam-se para o “culto devocional”. Religião e poder dão-se as mãos. O culto de 27 de março, por exemplo, começou com aleluias e glórias ao senhor, enquanto a deputada e cantora gospel Lauriete Rodrigues (PR) — ex-­mulher do ex-senador Magno Malta — puxava o louvor com seu violão.

O deputado e pastor Francisco Eurico da Silva (Patriota), capelão da bancada evangélica, fez a pregação do dia. Depois, uma questão mundana se impôs: a escolha do novo líder da Frente Parlamentar Evangélica, composta hoje de 120 parlamentares ativos, um recorde desde a sua fundação, em 2002 — e maior, muito maior, do que qualquer partido político no Congresso Nacional.

Não há nem nunca houve votação para o posto de líder da frente religiosa: após discussões por vezes ásperas, Silas Câmara (PRB) foi sagrado por aclamação. Há diferenças e divisões na frente, mas a unidade de ação da bancada, nesta legislatura, vem amparada por uma convicção renovada na força política que o eleitorado evangélico demonstrou: foram os evangélicos que, proporcionalmente, mais sustentaram a eleição de Jair Bolsonaro. E o presidente dá repetidas mostras de alinhamento com o setor. Agora mesmo, matou no nascedouro a ideia de um novo imposto que incidiria também sobre as igrejas, o que mostra a força da bancada evangélica.

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Leonardo Da Vinci: O legado do gênio inspirador

O artista, engenheiro e sábio florentino morreu há 500 anos, mas sua contribuição, para muito além das artes, permanece entre nós e continua a surpreender

Os contemporâneos de Leonardo Da Vinci (1452-1519) contam que o artista, engenheiro e sábio de muitas disciplinas costumava fazer um gesto característico quando conversava com os nobres, exibia-se em um palco ou se dirigia a aprendizes no ateliê: levantava a mão e apontava com o dedo indicador para o alto, em direção de algum objeto ou mesmo de um fenômeno natural. Em vida, o Leonardo di Ser Piero da Vinci — nascido em Anchiano, lugarejo vizinho a Vinci, então república de Florença, filho ilegítimo do notário Piero Fruosino — despertava admiração pela beleza, força física, maneiras refinadas, raciocínio crítico e a vontade de impressionar e até chocar as pessoas a sua volta.

Trajado com um manto cor-de-rosa curto, quando a moda era a veste longa, bastos cabelos encaracolados e barba que lhe caía pela cintura, leonardo se imbuía de uma consciência teatral. Representava o papel do personagem que, com curiosidade insaciável, perseguia a perfeição: a imagem do que se convencionou chamar de homem renascentista, aquele que se liberta das superstições medievais e usa o poder de observação da natureza para expressar o resultado do conhecimento em esboços, diagramas, cálculos e, por fim, obras de arte e engenharia.

A síntese do “método de Da Vinci”, como descreveu o poeta Paul Valéry, uma modalidade de alto saber não-verbal, pode ser encontrada na imagem da mão humana com o dedo apontando para um alvo determinado ou não. Além de repetir o gesto no dia a dia, ele o fixou em pinturas: São Tomé inica o céu em “A Última Ceia”, o anjo de ‘‘Anunciação” aponta Maria para o espectador e São João Batista ergue o dedo com um despudor que ainda faz corar muitos críticos. seu modelo teria sido o jovem aluno Salai (“Diabinho”), um delinquente com quem viveu por longo tempo.

Provocador, Leonardo parecia querer mostrar o caminho da redenção ou a trilha da decifração do universo. “Para Leonardo, Mistério era uma sombra, um sorriso e um dedo apontado para a escuridão”, disse um de seus biógrafos mais eminentes, o inglês Kenneth Clark (1903-1983).

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A conspiração

Como grupos bolsonaristas tentam minar a influência da ala militar no Planalto

No começo de abril, o deputado federal Marco Feliciano (Podemos) viajou aos Estados Unidos para se reunir com o ideólogo do governo Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho. Naquele momento, Olavo e o pastor Silas Malafaia, adversário de Feliciano, trocavam ataques nas redes sociais em razão de críticas feitas pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) a imigrantes brasileiros na ilegalidade em solo americano. Feliciano enxergou na disputa virtual uma oportunidade de fazer de Olavo seu aliado. 

O deputado percebera que a união de setores evangélicos e olavistas poderia abrir caminho, no governo Bolsonaro, para o avanço do que Feliciano chama de “força conservadora”, uma aliança entre os seguidores do ideólogo e os religiosos alinhados com o pastor em busca de poder na administração federal.

A união, ao menos retórica, deu-se num momento em que o círculo militar do Palácio do Planalto se via acuado pela indisposição, até então velada, entre o presidente Jair Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão. Abriu-se, portanto, um espaço de poder com potencial de ser preenchido.

O primeiro passo do plano ensaiado nos Estados Unidos visava explorar supostas fragilidades dos generais palacianos — e, como se verá adiante, acabaria dando prestígio a Feliciano junto ao núcleo ideológico: tratava-se da assinatura de um manifesto de três páginas no qual deputado e guru afirmavam o desejo de “impedir o sequestro do governo” pelo “estamento burocrático”, termo cunhado para se referir aos militares do Palácio que, na opinião da dupla, movimentavam-se para impedir a agenda de costumes do grupo conservador.

“A base de Bolsonaro são os conservadores e os evangélicos. Os militares vêm a reboque. São os conservadores, liderados por Olavo, e a base evangélica, que é muito grande no país, os responsáveis pela sustentação do governo”, disse Feliciano a Época. 

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cartaCARTA CAPITAL

Governo Taleban

Olavo de Carvalho na retaguarda, o ministro Weintraub na vanguarda, Bolsonaro desfecha uma ofensiva ideológica e religiosa para desmontar as universidades públicas

- No editorial de Mino Carta: Uma lição de resistência e também de altivez e sabedoria: é a entrevista de Lula. 

- Em Seu País, por Alexandre Putti: Proletariado digital. Do Uber ao iFood, os aplicativos tornam-se o símbolo da nova era dos empregos temporários e mal remunerados. 

- Em Q/I: a religião contra a ciência (de novo). O pretexto agora são as vacinas. Enquanto isso, doenças que pareciam sob controle, como o sarampo, proliferam em ritmo de epidemia medieval.

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