Veja destaca quebra de sigilo bancário que pode revelar laranja de Temer

Investigação apura se presidente recebeu vantagens em troca da assinatura no 'Decreto dos Portos'.

Da redação,

VEJA1Veja

A sombra do presidente
Despacho inédito do STF levanta a suspeita de que o misterioso coronel Lima seja laranja de Temer em alegados pagamentos de propina.

Michel Temer acaba de cravar outro ineditismo: além de ser o primeiro presidente denunciado por corrupção no exercício do cargo, agora é o primeiro a ter o sigilo bancário quebrado. Conforme revelou o site de VEJA, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a quebra de seu sigilo bancário no contexto da investigação que apura se Temer recebeu propina em troca da edição de um decreto na área de portos. Nas palavras do ministro, há indícios de “delitos financeiros e contra a administração pública”. Para elucidar o caso, Barroso também ordenou a quebra do sigilo bancário de outras cinco pessoas — entre elas, o advogado José Yunes e o coronel João Baptista Lima Filho, ambos amigos de longa data do presidente. Em trecho ainda inédito de seu despacho, Barroso cita apuração da Polícia Federal (PF) para dizer que os dois “podem ter servido como intermediários para o recebimento de vantagens indevidas”.

A medida — que Temer, em meio a profunda irritação, qualificou como “ação política” — decorre da suspeita da PF de que “Limão”, como o coronel gosta de se chamar, seja um laranja do presidente. Em maio do ano passado, a Polícia Federal deu uma batida na empresa e no apartamento do coronel e apreendeu planilhas, bilhetes, recibos de pagamentos, registros bancários. O material está sob a análise dos investigadores, mas já trouxe a evidência de que o coronel, além de amigo, tinha interferência em operações financeiras do presidente, em campanhas e em negócios privados.

A pressão do PT sobre a ministra Cármen Lúcia
Com a derrota de Lula no STJ, o PT se volta para a presidente do STF: em suas mãos pode estar a última chance de o ex-presidente se livrar da cadeia.

Primeiro foi a caravana de parlamentares petistas. Mesmo sem audiência marcada, Gleisi Hoffmann, Benedita da Silva e Maria do Rosário, escoltadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, visitaram “de surpresa” a presidente da Corte, Cármen Lúcia, na quinta-feira 1º.

O objetivo era convencer a magistrada a pôr na pauta de votação do Supremo o pedido de habeas-corpus preventivo impetrado pela defesa do ex-presidente Lula, que, se concedido, blindaria o petista da prisão após o julgamento do seu último recurso na segunda instância.

Em seguida, vieram as manifestações dos próprios colegas da ministra. De formas diferentes — um por despacho e outro por declaração —, Dias Toffoli e Celso de Mello sugeriram que a presidente do STF, a quem cabe determinar a pauta da Corte, incluísse nela o habeas-corpus de Lula.

Na terça-feira, depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou por unanimidade um HC semelhante, também pedido pela defesa do petista, a pressão contra Cármen chegou ao ponto máximo. Em nota divulgada poucas horas depois da conclusão da sessão no STJ, Gleisi Hoffmann, presidente do PT, afirmou que o STF “tem a obrigação de se pronunciar urgentemente” sobre a decretação da prisão após condenação em segunda instância.

Cármen Lúcia tem resistido a tudo e a todos.

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epocaÉpoca

Todos contra uma: quase dois anos depois, a vida da vítima do estupro coletivo no Rio
A jovem, vítima de um estupro coletivo numa favela do Rio, tenta vida nova em outro Estado, agora sem a ajuda do programa de proteção.

A adolescente, vítima de um estupro coletivo em um muquifo chamado de abatedouro pelos traficantes da favela carioca Morro da Barão, dificilmente seria identificada hoje por quem a conhecia na época. C. mudou o corte e a cor dos cabelos. Usa um novo r.g. e é maior de idade.

Durante um ano, C. recebeu dinheiro para pagar o aluguel em outra cidade, as contas fixas da casa e mais R$ 800 para alimentação. A verba era do Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente Ameaçado de Morte, uma parceria do governo federal com os estados, que oferecia também o serviço de uma psicóloga particular.

Quando o primeiro ano se completou, em junho de 2017, o corpo técnico do Ministério dos Direitos Humanos poderia renovar a proteção por mais 12 meses, mas decidiu desligá-la. Uma fonte do ministério confirmou a ÉPOCA que C. perdeu a proteção por “quebrar as regras”.

Boulos X Maia: dois presidenciáveis concordam em discordar
Na semana que passou, mais dois pré-candidatos ao Palácio do Planalto se colocaram no páreo da sucessão presidencial. Pela esquerda, Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), se filiou ao PSOL depois de lançar sua candidatura num evento que teve vídeo de apoio do ex-presidente Lula e presença de Caetano Veloso. Pela direita, o DEM elegeu nova direção em convenção partidária que serviu para bater bumbo para a candidatura do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

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A verdade de Maria Madalena
Novo livro e longa-metragem que estreia esta semana no Brasil revisitam uma das mais importantes personagens da Bíblia: a mulher que foi descrita como pecadora, arrependida e santa – até ser considerada pelo papa Francisco “apóstola dos apóstolos”. Sua importância cresce à luz do feminismo atual.

Maria Madalena nunca foi prostituta. Esse título surgiu no século VI durante um sermão do papa Gregório Magno ao tentar convencer os fiéis que o arrependimento era condição para a remissão dos pecados, como teria acontecido com ela. Nascia ali uma lenda que percorreu a história. Mais de mil anos depois, essa imagem permanece – embora rivalize com outras versões sobre quem foi Madalena.

Esposa de Jesus? Essa hipótese está em um evangelho não reconhecido pela Igreja Católica que afirma ter havido ao menos um beijo entre eles. Nem o documento é validado nem deixa claro se houve relacionamento amoroso.

Quem de fato ela foi: discípula de Cristo, uma das pessoas que proviam seu sustento, santa e, desde 2016, considerada pelo papa Francisco como “apóstola dos apóstolos”. Sua verdadeira história se perdeu em uma miscelânea de representações que ao longo do tempo misturaram cânones, teorias da conspiração e charlatanismo, dependendo do interesse de cada um e de sua época.

À luz do movimento feminista contemporâneo, revisitar a personagem significa tirar dela as alcunhas equivocadas, mostrar sua importância histórica e religiosa e falar de machismo e do papel da mulher na Igreja.

O PT sem Lula
Com o ex-presidente fora da sucessão e cada vez mais perto da prisão, o partido se divide, perde aliados históricos, a conexão com as ruas e caminha para se tornar uma legenda menor.

A corda no pescoço do ex-presidente Lula estica a cada derrota sofrida nas instâncias judiciais, pelas quais sua banca de advogados transita desprovida de qualquer pudor em busca de um improvável salvo-conduto a fim de evitar a cada vez mais iminente prisão. O último revés foi (de novo) acachapante: por cinco votos a zero, os ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negaram-lhe, na terça-feira (6), um habeas corpus preventivo.

Não por acaso, conforme antecipou ISTOÉ em sua última edição, de duas semanas para cá, a tropa de Lula investe pesado nas manobras indecorosas travadas na arena do Supremo Tribunal Federal (STF). Pressionada a rever a prisão após condenação em segunda instância, a presidente da Corte, Cármen Lúcia, segue inexpugnável, como se transformasse o seu gabinete – o mais importante da República hoje – numa ilha de resistência moral.

Qualquer que seja o desenlace, no entanto, o PT já sabe de antemão que Lula encontra-se inapelavelmente impedido pela lei da Ficha Limpa de ser candidato à Presidência da República

Delfim nas malhas da Lava Jato
Uma das figuras onipresentes da política brasileira, conselheiro de ex-presidentes desde a ditadura militar e conhecido como o ministro do ‘milagre econômico’, Antônio Delfim Netto, aos 89 anos, foi alvo da 49ª fase da Lava Jato, batizada de “Operação Buona Fortuna”, realizada na sexta-feira 9.

Há quem diga que até demorou para Delfim ser alvo da Lava Jato. Ele é acusado de receber R$ 15 milhões em propina do Consórcio Norte Energia, responsável pela construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Até o momento, o Ministério Público Federal já rastreou R$ 4 milhões recebidos através de empresas de fachada em nome de Delfim Netto e de seu sobrinho, Luiz Appolonio Neto. Na sexta-feira, a PF fez buscas na casa e escritório do ex-deputado.

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A revolta dos Marajás
No país da Justiça mais cara do mundo, os juízes federais preparam greve e protesto em defesa do auxílio-moradia na perspectiva do julgamento da mordomia pelo Supremo Tribunal Federal. Mas e a dos juízes estaduais e do MP?

Boulos candidato
Com o apoio de artistas, intelectuais e lideranças sociais, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) pretende inaugurar no Brasil a era dos “Partidos-Movimentos”.

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