Veja destaca posse de Bolsonaro e otimismo com início de governo

Presidente assume com discurso raso, mas começa a governar sob um clima de otimismo, conforme pesquisa exclusiva da revista.

Da redação,

VEJAVeja

Agora é para valer
Bolsonaro assume com discurso raso, mas começa a governar sob um clima de otimismo.

Empossado como o 38º presidente do Brasil às 15h10 da terça-feira 1º, Jair Messias Bolsonaro, de 63 anos, continua uma incógnita. Em seu primeiro discurso após assumir o cargo, diante dos parlamentares e das delegações estrangeiras, ele enfileirou platitudes, avaliações genéricas e procurou apresentar-se como um conciliador. Em seu segundo discurso, proferido menos de duas horas depois diante de milhares de apoiadores, retomou o populismo raso de campanha e voltou a declarar guerra a adversários reais (como o petismo) e imaginários (como o socialismo) — com direito ao bordão “nossa bandeira jamais será vermelha”. A incógnita não se resume ao perfil que Bolsonaro adotará, mas também se estende ao que seu governo fará.

No campo das relações institucionais, Bolsonaro fez um discurso pobre, mas na direção correta. Ao assinar o termo de posse, com uma caneta esferográfica comum, declarou, fora dos microfones, apontando para os parlamentares: “Tô casando com vocês”. Em seguida, já como parte de sua manifestação oficial, reforçou a corte aos parlamentares: “Aproveito este momento solene e convoco cada um dos congressistas para me ajudarem na missão de restaurar e de reerguer nossa pátria, libertando-a, definitivamente, do jugo da corrupção, da criminalidade, da irresponsabilidade econômica e da submissão ideológica”.

Caiu a ficha do pessoal
Novos governadores tomam posse com discurso de austeridade e reequilíbrio das contas públicas.

O 1º de janeiro é feriado em todo o território nacional, bem como na maioria dos países ocidentais. Em ano de troca de governo, o dia é também de festa para os vencedores das eleições, que finalmente assumem seu novo cargo. No entanto, houve pouca celebração nas cerimônias de posse dos governadores: em vez das promessas otimistas, o tom geral foi de aperto de cinto e austeridade fiscal.

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Iistoestoé

Começou!
Aos 63 anos, o presidente Jair Bolsonaro iniciou na terça-feira (1) sua mais desafiadora trajetória desde o ingresso na vida pública. Logo depois de ser despachado para a reserva do Exército com a patente de capitão, no final da década de 80, o atual mandatário do País mal sabia que o destino lhe reservaria a missão de capitanear — que segundo o Aurélio significa dirigir, comandar como capitão — a nação brasileira. Espera-se, agora, que ele esteja fornido de doses generosas de senso de responsabilidade. Afinal, os desafios impostos pelo cargo são gigantescos, do tamanho de um País continental e diverso como o Brasil. Portanto, é chegada a hora, enfim, de o capitão Jair Bolsonaro deixar o candidato Bolsonaro e encontrar o presidente Jair Messias Bolsonaro.

A diplomacia dos ovos pisoteados
As autoridades estrangeiras presentes na cerimônia de posse do presidente Jair Bolsonaro, bem como a afinidade que vem demonstrando com determinados chefes de Estado, são um forte indício de que o novo governo mudará radicalmente a postura diplomática do Brasil. País com tradição de neutralidade quando se trata de relações internacionais, tudo indica que passará a assumir uma postura excludente, estendendo as mãos para determinadas nações e hostilizando outras.

Uma das mais simbólicas presenças foi do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que inaugurou os laços com o novo governo – foi a primeira vez que um primeiro-ministro israelense visitou o País. Netanyahu desembarcou no Rio de Janeiro no dia 28 de dezembro para uma intensa agenda de cinco dias no País e logo se reuniu com o presidente eleito e seu ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. O governo israelense anunciou a intenção de um acordo de cooperação tecnológica com o Brasil, em áreas como segurança, militar, pesca e agricultura, e Bolsonaro, por sua vez, que já havia anunciado que pretende mudar a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, anunciou uma visita a Israel com uma comitiva brasileira em março. A aproximação com Israel, a única democracia e o único país desenvolvido do Oriente Médio, é bem-vinda, mas não precisa vir acompanhada de medidas que afastem o Brasil de parceiros comerciais importantes — como as nações árabes, que consideram uma afronta o reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado judeu.

As primeiras medidas
Projetos anunciados pelo novo governo confirmam promessas de campanha de que o Brasil partirá, finalmente, para uma economia liberal, com reformas e privatizações.

Na quarta-feira (2), primeiro dia útil do novo governo, a Bolsa de Valores fechou com uma alta histórica de 4% e o valor do dólar caiu para R$ 3,81. Esses são os melhores indicadores de que os agentes do mercado, empresários e investidores, apostam suas fichas de que a economia vai melhorar e os problemas do País serão finalmente atacados. Por isso, quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, fiador do programa econômico do governo Bolsonaro, discursou na solenidade de sua posse na quarta-feira, afirmando que vai implantar um choque liberal, priorizar as privatizações, a abertura da economia, as reformas estruturantes e viabilizar uma menor carga tributária, caindo dos atuais 36% para a meta de 20% do PIB anualmente, o ânimo foi geral. “Uma carga tributária acima dos 20% é o quinto dos infernos”, disse Guedes, para o delírio dos que desejam uma economia livre das amarras do Estado. Guedes disse também que seu “primeiro e maior desafio” é aprovar a reforma da Previdência, chamada de “pilar do governo”, o que, para ele, vai garantir crescimento sustentável nos próximos dez anos. Um coral de anjos para os ouvidos do empresariado brasileiro tão maltratados com os treze anos de governo intervencionista do PT.

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REVISTAÉpoca

A era Bolsonaro
Do ministério às batalhas que o presidente terá de enfrentar: o que esperar do novo governo.

A anatomia da foto oficial do governo Jair Bolsonaro; o que um presidente tem de saber, segundo Temer, FHC, Collor e Sarney; o eleito em 100 frases. A edição de ÉPOCA desta semana traz reportagens sobre o que esperar da era Bolsonaro.

Na capa da revista, o busto do presidente confeccionado pelo artista brasileiro-suíço Marcelo Tomaz Galvão de Castro (Macerlot) com jornal amassado amarrado por fios de lã.

O fim do Ministério do Trabalho
Os últimos dias da pasta criada por Getúlio Vargas há 88 anos.

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CartaCapital

Edição especial de fim de ano
Elogio da loucura

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