Veja destaca o “carnaval indecoroso” de Bolsonaro

Presidente responde a protestos com a publicação de um vídeo obsceno, uma reação que fere a compostura do cargo.

Da redação,

VEJAVeja

O decoro presidencial
Aprovar a reforma da Previdência em um país com a economia ainda claudicante e mais de 12 milhões de desempregados é um processo político custoso. O governo tem de formar uma base de apoio coesa no Congresso e, ainda por cima, convencer a população da necessidade de certas medidas amargas. E a reforma é só um dos temas que deveriam ser prioritários na comunicação do presidente com a população brasileira. No entanto, em seu canal de preferência, o Twitter, Jair Bolsonaro fez só seis publicações sobre a Previdência.

Suas obsessões ideológicas há muito ganham relevo desproporcional, acima dos temas cruciais da economia, da saúde, da educação e até da segurança. Na Terça-Feira de Carnaval, essa fixação na irrelevância militante chegou ao escândalo. No esforço de denunciar os excessos da maior festa popular brasileira, o presidente postou, no Twitter, um vídeo escatológico e obsceno: em um bloco de rua de São Paulo, um folião mexe no próprio ânus e depois outro urina na cabeça dele.

Ainda que, no dia seguinte, uma nota da Secretaria de Comunicação afirmasse que a postagem na “conta pessoal” de Bolsonaro não era um ataque genérico ao Carnaval, mas apenas a distorções do “espírito momesco”, a intenção clara era apresentar aquele episódio particular como representativo fiel da festa — uma evidente retaliação contra as críticas ao governo que tomaram as ruas em mais um Carnaval politizado. O saldo da ressaca veio na Quarta-Feira de Cinzas: no Brasil e no mundo, repercutiu mal o episódio do chefe do Executivo que enxovalhou a dignidade do cargo ao divulgar um vídeo pornô na conta que, na verdade, não é pessoal — é do presidente da República Federativa do Brasil.

Crime João de Deus, exclusivo: “Sinto-me injustiçado”
Laudo psiquiátrico encomendado pela defesa de João de Deus informa que o médium está com depressão severa e que já pensou em se matar na cadeia.

O médium João de Deus, de 77 anos, levava uma vida grandiosa antes de ser acusado de abusar sexualmente de centenas de mulheres. Ele atendia até 2 000 pessoas por dia na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, no interior de Goiás, e era requisitado por personalidades nacionais e internacionais, do ex-presidente Lula à ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Sua fortuna beirava a casa de 100 milhões de reais, segundo estimativa do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Justiça. Já João Teixeira de Faria, como ele está registrado desde 16 de dezembro no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, vive um inferno pessoal. É o que revelam laudos encomendados pela defesa do médium a um psiquiatra e a um médico.

Emagrecer na faca
O Brasil já é o segundo país que mais realiza a cirurgia bariátrica, procedimento que reduz o tamanho do estômago.

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istoe1Istoé

E o decoro, presidente?
Durante o carnaval, o presidente rasga a fantasia do ultraconservadorismo, divulga cenas escatológicas e expõe não só o Brasil ao mundo como revela uma perigosa falta de decoro e uma ausência completa de liturgia presidencial necessárias ao cargo.

Um dos mais importantes presidentes dos Estados Unidos, Abraham Lincoln era um homem de retórica irretocável. Anti-escravagista, foi figura fundamental no processo de pacificação dos Estados Unidos após a Guerra Civil americana. Uma de suas mais célebres frases exalta justamente a capacidade de grandes líderes em cultivar a paz e a união, mesmo em tempos de crise. Infelizmente, a realidade brasileira é diametralmente oposta. Apesar de buscar inspiração em modelos norte-americanos, como o presidente Donald Trump, também useiro e vezeiro das redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro coloca os pés pelas mãos. Seu estilo de quem age quase sempre com o fígado tem provocado crises desnecessárias e jogado por terra todo o capital político conquistado por ele durante as eleições.

No Carnaval, a máscara momesca desmoronou ao chão – foi como se o presidente ficasse desnudo diante de todos. Senão literalmente, suas ideias e atos desprovidos de qualquer filtro litúrgico. O ápice do grotesco deu-se na terça-feira 5, quando Bolsonaro compartilhou um vídeo pornográfico LGBTI sob a justificativa de alertar a sociedade brasileira quanto ao que comumente ocorreria no carnaval brasileiro. A imagem mostra um homem urinando em outro numa parada de táxi em São Paulo, segundos depois de o companheiro exibir as intimidades de seu aparelho excretor. Foi um dos atentados mais violentos que um chefe de Estado já perpetrou à moralidade pública, lembrou o professor de Ética e Filosofia, Roberto Romano. “Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conclusões (sic)”, escreveu Bolsonaro para emoldurar o vídeo escatológico. Na sequência, o presidente da República, não satisfeito, ainda perguntou o que significava “golden shower”, auto-explicativo para quem teve o desprivilegio de se deparar com a cena. No Congresso já há quem defenda o afastamento do presidente por quebra de decoro.

A voz da sensatez
Em meio a um governo em sobressalto, o general Hamilton Mourão mudou: de boquirroto e polêmico, transformou-se num vice-presidente equilibrado e ponderado — um fator de sustentação para o País.

Na sua ampla sala no anexo do Palácio do Planalto, o vice-presidente general Hamilton Mourão promove sessões diárias de “espancamento”. Nada, porém, que se relacione às práticas condenáveis dos tempos sombrios do regime militar. O espancamento de Mourão é de ideias. Ele repete como mantra para sua equipe que “ideias precisam ser espancadas”. O que ele quer dizer é que todo tema precisa ser exaustivamente discutido, os diferentes pontos de vista confrontados e todos os lados envolvidos ouvidos. Só assim será possível chegar às melhores decisões. Para ele, ideias precisam ser cotejadas para que desse confronto saia um consenso. Em um governo marcado pela confusão, pelos posicionamentos extremados, tão caros ao debate estridente nas redes sociais, onde filhos demitem ministros e tenta-se impor a cor das roupas de meninos e meninas, o general gaúcho, de 65 anos, surpreende pela sensatez e pelo papel de mediador que adotou no governo.

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epoca1Época

Lava Jato, cinco anos
Com Moro debilitado, operação faz cinco anos permanentemente ameaçada pela política.

 Alguém lembra o que era o Brasil em 15 de março de 2014, quando a doleira Nelma Kodama tentou embarcar para Milão, e a Polícia Federal antecipou sua prisão, dando início à Lava Jato? Não parece, mas se passaram só cinco anos. De lá para cá, não houve dia em que não se publicasse algo sobre a operação e que seus efeitos na vida política do país não fossem sentidos. Naquele ano, a força do PT era tamanha que Dilma Rousseff foi reeleita, a reboque da ainda altíssima popularidade de Lula. Michel Temer empenhava-se na reeleição de Dilma — e dele próprio. O PSDB, ainda robusto, veria Aécio Neves, bem antes de cair no grampo de Joesley Batista, sair consagrado pelo banho de votos que as urnas lhe dariam em novembro. E Jair Bolsonaro... Bom, Jair Bolsonaro era só um capitão reformado amalucado que ninguém sonhava que um dia deixaria o país de cabeça para baixo perguntando o que era golden shower.

Mas, depois de todas essas cambalhotas, o que restou da Lava Jato? Depois de ser quase totalmente desidratada em 2018, e tendo seu principal rosto, Sergio Moro, submisso ao crivo da política e sem poder sequer para nomear um cargo de quinto escalão, qual é a situação atual da operação? A resposta é a mesma que perpassou toda a Lava Jato: em permanente risco.

A vida boa dos delatores após cinco anos de Lava Jato
Bilhões recuperados e penas de prisão que somam mais de 2 mil anos ofuscam a vida tranquila de delatores da operação que forneceram informações de valor restrito.

O Carnaval do Bolsonaro tuiteiro
A intensa e lamentável atividade digital do presidente da República durante os dias de folia.

Às 20h08 da terça-feira 5, quando o Carnaval já caminhava para seu final, o presidente Jair Bolsonaro publicou em sua conta no Twitter um vídeo com cenas escatológicas gravadas durante a passagem de um bloco de rua em São Paulo. Nelas, um homem insinuava penetração anal, e, em seguida, outro urinava na cabeça dele. Ao concluir a postagem, o presidente sugeria uma reflexão a respeito da "verdade" sobre o "que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro". Quando sua postura foi criticada por uma jornalista, que alegou, em tuíte, falta de decoro, Bolsonaro retrucou com rispidez. "E pra vocês. Falta o que?", escreveu. Horas antes, ao ser criticado pela cantora Daniela Mercury sobre suas declarações contrárias à Lei Rouanet, Bolsonaro disparou outro petardo virtual, pedindo que ela reclamasse com José de Abreu, ator e crítico do presidente nas redes.

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CARTACartaCapital

Lula: ainda e sempre protagonista
Enjaulado pelos lacaios Washington e perseguido pelo destino, o ex-presidente é a figura central de uma tragédia que do golpe de 2016 leva à ameaça de um regime totalitário.

Lava Toga
Promiscuidade com réus endinheirados, Cabral e decisões partidarizadas empurram o Judiciário para o abismo.

Petrobras
A administração trabalha para entregar a empresa ao capital estrangeiro, demonstra a Associação de Engenheiros.

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