Veja destaca caminhos a serem trilhados para o pleito de 2018

Partidos preparam seus candidatos e montam suas estratégias para eleição imprevisível.

Da redação,
VEJA2Veja

O jogo vai começar


Protagonista de todas as eleições desde a redemocratização, Lula está preso, enquadrado na Lei da Ficha Limpa e não disputará a próxima sucessão presidencial. Com o petista fora do páreo, políticos e analistas concordam que a campanha começará sob o signo da imprevisibilidade: sem favoritos, sem vagas cativas no segundo turno e sem definição sobre quais serão os candidatos e as coligações partidárias. São tantas as incertezas que o Datafolha, ao registrar sua mais recente pesquisa, informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que testaria duas dezenas de nomes em suas entrevistas. Parece um exagero, mas não é, já que o instituto não incluiu na lista os pré-­candidatos de partidos nanicos, como José Maria Eymael (PSDC), o “democrata-cristão”. Nesse cenário de dúvidas, uma certeza emerge com clareza: em meio a tantas candidaturas, vai se destacar do pelotão quem amealhar a maior parte do espólio eleitoral de Lula. Em janeiro, o petista liderava as pesquisas com cerca de 35%, porcentual que, nas duas últimas eleições, garantiria vaga no segundo turno. Mesmo no cárcere, Lula será decisivo em 2018.



ISTOE2Istoé

A patologia Lula

As romarias, os cânticos em seu nome, a louvação às suas palavras, tudo leva a crer que os adoradores de Lula já o colocaram em um pedestal de divindade, no qual nenhuma acusação de crime, nenhuma prova ou evidência pode alcançá-lo. Nem mesmo erros conhecidos, a clamorosa afronta às instituições, o descaso que demonstrou com a Lei e a ordem, a incitação à baderna – sugerindo aos seguidores “queimar pneus”, “fazer passeatas” e “ocupações no campo e na cidade” – serão capazes de denegri-lo. Não para esses fiéis, cegos na veneração. Não importa, não tem valor os desmandos, não maculem a imagem do protetor dos desassistidos – mesmo que ele tenha se locupletado com o dinheiro alheio, justamente daqueles a quem prometia a salvação. É perjúrio dizer isso, pecado capital. Bem-aventurados os que creem porque esses seguirão ao lado do todo-poderoso. O próprio Lula, como diz na pregação que fez de autorreferência, nos momentos derradeiros do martírio rumo ao calabouço, descortinou o caminho da fé: “eu não sou mais um ser humano, sou uma ideia”. Talvez o grau etílico no momento da fala, naquele sábado de paixão petista, tenha contribuído para o delírio. Mas há de se supor que Lula acredita na própria profecia. A ascensão do mundo dos mortais à esfera dos deuses se dá com a sagração de seus apóstolos. Cada um deles, congressistas de carteirinha, tratou logo de pedir à plenária daquela casa de tolerância a inclusão da menção “Lula” em seus respectivos nomes parlamentares. Assim Gleisi “Lula” Hoffmann, Paulo “Lula” Pimenta e quetais, da noite para o dia, devotaram sua existência política ao redentor. Eis a mensagem da fé! Aleluia ao Senhor. Seria cômico, não fosse triste. O Partido dos Trabalhadores agoniza engolfado pelo devaneio. Deixou de lado programas, bandeiras, a própria essência ideológica que dava corpo à agremiação, para virar seita. Tal qual a de reverendos suicidas que conclamam incautos para a reclusão e o fim trágico coletivo em nome de uma crença.



EPOCA2Época

"O caso JBS é escandaloso"

Em maio de 2016, quando Michel Temer assumiu a Presidência da República e anunciou Maria Silvia Bastos Marques como chefe do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, os executivos do BNDES tremeram. O banco enfrentava uma crise profunda, em virtude do avanço da Lava Jato e da calamidade econômica provocada pela política intervencionista dos governos petistas. Os fatos que vinham a público cotidianamente expunham anos de uma gestão desastrosa, que beneficiara sobretudo empresários amigos do PT e, estava evidente, não contribuíra lhufas para o desenvolvimento econômico e social do país. Duvidava-se abertamente da lisura dos diretores do banco, fosse em comissões no Congresso, fosse na opinião pública. Investigações do Ministério Público, da Polícia Federal e do Tribunal de Contas da União examinavam a legalidade dos investimentos bilionários do BNDES. A chegada de Maria Silvia, uma economista tida como rigorosa, embutia, na perspectiva de alguns dos principais executivos do banco, uma mensagem velada: não haveria mais proteção a quem metera dinheiro grosso nas empresas parceiras do PT, como JBS e Odebrecht.



CARTA2Carta Capital

O mártir e os bons amigos

O ódio a Lula, hoje divisor dos brasileiros estabelecido pela elite política e social, é extensão do preconceito a um metalúrgico que, após três derrotas eleitorais, tirou do poder um partido debilitado, cujo líder é um sociólogo da classe média, o dito FHC.

Lula tornou-se presidente da República com uma inédita agenda de programas sociais em um país onde 10% da população concentra quase a metade da renda, como atesta o IBGE em informação recentíssima.

Presidente por duas vezes, Lula arrombou a porta do chamado “Clube dos Eleitos”, em 2002. Havia por lá uma lei, não escrita, segundo a qual só se entrava com um diploma de bacharel ou com uma espada na cinta. Advogados, militares, médicos, economistas, um sociólogo e, de forma dissonante, um metalúrgico cujo pai foi enterrado como indigente. Ele não ligava para isso.

A partir do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a mídia não mudou a roupagem. Reagiu ao intruso. Houve, inicialmente, momentos de armistício. O novo presidente, por exemplo, saiu de Brasília e chegou ao Rio de Janeiro para assistir ao velório na estupenda mansão de Roberto Marinho.

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