Veja destaca ação desastrosa do Exército que matou músico no Rio de Janeiro

80 tiros foram disparados pelas forças do Estado contra o carro em que Evaldo Rosa levava a família.

Da redação,

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Oitenta tiros
Por engano, o Exército fuzila um músico. Nenhuma autoridade pede desculpa pela tragédia. Para onde vamos?

Dispor as flores que adornavam cenas de novelas era uma das tarefas que Evaldo dos Santos Rosa, o Manduca, desempenhou nos dezesseis anos em que trabalhou na montagem de cenários da Rede Globo. Às 11h30 da quarta-feira 10, a última coroa de lírios foi depositada sobre seu caixão. Evaldo, que nos últimos anos de vida trabalhou como músico e segurança de uma creche, caiu como mais uma vítima da interminável tragédia carioca — só que, desta vez, com peculiaridades ainda mais dramáticas.

No domingo 7, ele dirigia um carro que foi alvo de mais de oitenta tiros disparados por nove militares do Exército em Guadalupe, Zona Norte do Rio. “Você me prometeu que a gente ia envelhecer junto, Manduca”, gritou a viúva, Luciana dos Santos, antes de desmaiar no enterro do marido. Ela, o filho de 7 anos, o padrasto e uma amiga estavam no carro que os levava para um chá de bebê — e sobreviveram ao fuzilamento.

O choro desesperado de Luciana no sepultamento do marido contrastou com o silêncio das autoridades sobre o assassinato cometido por forças de segurança. Rápido para aplaudir os policiais quando matam bandidos, o presidente Jair Bolsonaro não condenou de imediato a ação desastrosa dos soldados que alvejaram oitenta vezes o carro que conduzia uma família. Já o governador do Rio, Wilson Witzel, primeiro disse que não lhe cabia fazer juízo de valor sobre o episódio. Só quatro dias depois do assassinato disse, enfim, que a ação foi um “erro grosseiro”.

Não houve mensagens oficiais de solidariedade, nem mesmo um modesto pedido de desculpa ou uma promessa de reparação. E nenhuma autoridade, do governo federal ou estadual, sequer cogitou comparecer ao enterro da vítima inocente.

Imagem histórica: cientistas divulgam a primeira foto de um buraco negro
Revelação reafirma Teoria da Relatividade de Albert Einstein e representa um extraordinário avanço nos estudos sobre o universo.

A princípio, pode soar apenas como uma contradição, um paradoxo, um oximoro, enfim: ver o invisível. No entanto, não há melhor definição para o que permitiu enxergar a imagem divulgada mundo afora na quarta-feira 10 por astrônomos do projeto internacional Event Horizon Telescope (EHT, na sigla em inglês). Em um comunicado simultâneo feito em seis países, os cientistas exibiram a primeira fotografia de um buraco negro, nome dado a esses avassaladores abismos cósmicos capazes de sugar para o seu interior tudo, absolutamente tudo, até mesmo a luz.

A foto, que logo viralizou, mostra a silhueta de uma sombra, abraçada por um anel irregular e resplandecente. O nome do buraco negro é M87 e suas dimensões são estupendamente exponenciais: ele é 6,5 bilhões de vezes maior que o Sol. O colosso está localizado a 55 milhões de anos-luz da Terra, bem no centro da gigantesca galáxia de Messier 87, na constelação de Virgem.

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istoeIstoé

Alianças pelas reformas
Políticos e empresários fecham questão sobre mudanças na aposentadoria.

Como uma espécie de Davos à brasileira, o 18º Fórum do LIDE reuniu, de forma inédita, governadores, parlamentares, empresários e o Executivo para fecharem questão em torno de mudanças na aposentadoria, no maior pacto federativo já visto sobre o tema. Agora é possível que a Reforma saia de uma vez do papel.

O ministro Paulo Guedes e o presidente da Câmara Rodrigo Maia tocam instrumentos diferentes na sinfonia do poder, mas nada impede que atuem na mesma orquestra quando a partitura interessa a todos. No caso, a tão decantada e ainda aguardada Reforma da Previdência.

Semanas a fio, de uns tempos para cá, os dois estão compondo, afinados, a banda de articulações que tenta a aprovação da proposta, ainda no primeiro semestre se tudo correr bem. Marcam quase todos os dias conversas fechadas nos gabinetes do Parlamento e do ministério para acertar pontos ainda pendentes. Seguem juntos para conversas com as bancadas dos partidos e com públicos e plateias os mais variados. Tratam de ajustes pontuais no texto e no calhamaço de estatísticas para chegar ao número mágico pretendido de uma economia na casa de R$ 1 trilhão em dez anos.

O Rio transborda
A tragédia no Rio de Janeiro expõe a incompetência e o descaso de alcaides que insistem na velha ladainha: “choveu em horas o que estava previsto para o mês”.

No interregno de duas semanas, os alcaides de São Paulo e do Rio de Janeiro, respectivamente Bruno Covas e Marcelo Crivella, repetiram exaustivamente a ladainha tão conhecida das populações pelas quais teriam de zelar – por dever político do cargo público que ocupam e por dever ético do dinheiro público que recebem. Diante dos aguaceiros que vêm inundando as duas cidades, sobretudo o Rio de Janeiro, mas em ambas causando mortes e destruição, os prefeitos se valeram da justificativa padrão: “em um dia choveu o que estava previsto para todo o mês”. Crivella sofisticou: “foi uma chuva atípica”. Entra estação de chuva e sai estação de chuva, as desculpas mofadas das autoridades, que assistem às catástrofes pela televisão ou sobrevoam de helicóptero os escombros depois que tudo acalmou, são sempre as mesmas. Em meio a esse caos, vale a colocação: srs. alcaides, os srs. têm acompanhado os estudos da ONU a explicar que o clima está mudando? Os srs. já ouviram falar em aquecimento global?

Itamaraty: ou segue a ideologia ou está fora
Em meio ao clima de caças às bruxas, diplomatas que não rezam na cartilha ideológica do governo preparam-se para deixar o Itamaraty. Competentes ou não, já receberam o recado: sairão por bem ou por mal.

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A aposta de Moro
Ministro mais bem avaliado do governo, o ex-juiz enfrenta as dores de lidar com a política e as críticas ao ato de governar.

Quem convive diariamente com o ex-juiz, que no ano passado deixou o comando da Lava Jato para assumir o Ministério da Justiça a convite do presidente Jair Bolsonaro (PSL), diz que Moro deixou a toga, mas a toga não o deixou.

Quando recebeu o convite para integrar o governo Bolsonaro, a expectativa de Moro era que a nova administração iniciasse os trabalhos sob aplausos — uma espécie de continuidade da boa receptividade que a Lava Jato teve entre os brasileiros. Não foi o que aconteceu. O “disse me disse” das redes sociais e escândalos — como o caso Queiroz e o laranjal do PSL — dominaram a cena nos três primeiros meses, minando a popularidade do presidente, e só agora começaram as discussões de projetos. Mesmo assim, a prioridade do Congresso é a reforma da Previdência — não o pacote anticrime elaborado pelo ministro.

Moro tem se colocado à frente da negociação política e ido pessoalmente ao Congresso Nacional para defender suas ideias. Sua aparições nem sempre são bem-sucedidas. Uma das últimas visitas foi ao Senado, onde participou da audiência pública da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e acabou virando meme por ter articulado mal a palavra cônjuge — por duas vezes ouviu-se “conje” em sua fala.

O ministro tem indicado se importar pouco com fatos do governo que não tenham relação com sua pasta. Seu objetivo tem sido cumprir aquilo a que se propôs: conduzir a área de Justiça e Segurança segundo a cartilha pela qual o novo governo foi eleito.

Previdência: hora de aprender com os erros dos outros
Em todo mundo, o debate sobre mudanças nos regimes de aposentadoria integra o rol das grandes questões nacionais e causa preocupação. A razão para isso é menos o tão falado processo de envelhecimento da população — afinal, a elevação da esperança de vida média é uma conquista da humanidade — e mais a prevalência e interferência dos mercados financeiros, seus interesses e sua lógica, na gestão não apenas da política econômica, mas de nosso cotidiano de simples mortais. Para ter ideia do que está em jogo, a poupança de quem trabalhou e hoje está acumulada nos fundos de pensão constitui uma das maiores frentes de concentração de capital no mundo, ou mais de US$ 40 trilhões em 2017, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Significa dizer que aposentadorias futuras vão depender da performance dos mercados financeiros, cuja dinâmica é, como todos sabemos, marcada por incerteza, volatilidade aguda e exposição a crises sistêmicas com os efeitos danosos que já não há como desconhecer.

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80 tiros

A enésima afronta, e o Brasil cala-se.

Tropa desunidade

Globalizadores e ex-nacionalistas, os militares por ora atrelam seu destino a um presidente com o qual têm diferenças incontornáveis. Na crise do MEC, o capitão prestigiou a “guerra cultural” e seu guru, crítico dos generais.


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