Veja destaca a crise de credibilidade da Justiça brasileira

Tentativa frustrada e rocambolesca de libertar Lula expõe comportamento errático do Judiciário e alerta para risco do voluntarismo nos tribunais.

Da redação,

VEJAVeja

A Justiça burlesca: a quem interessa a desmoralização do Judiciário

Numa das mãos, a estátua da Justiça segura a balança, símbolo do equilíbrio. Na outra, um ioiô. Um dos muitos memes que circularam pela internet depois da sequência de acontecimentos provocada pela tentativa frustrada de petistas de libertar o ex-presidente Lula, o desenho reflete a perigosa imagem que a Justiça está consolidando. O episódio do ioiô refere-se ao “lula-­preso-lula-solto”, deflagrado pelo desembargador Rogério Favreto no domingo 8. Pode ter sido o evento mais ridículo protagonizado pela Justiça, mas está longe de ser o único. Em agosto passado, num período de menos de 24 horas, o empresário Jacob Barata, do ramo de transporte rodoviário no Rio de Janeiro, foi solto, depois foi preso e depois foi solto novamente. Há divergências intestinas dentro de um único tribunal — como o Supremo Tribunal Federal (STF), cujas turmas tomam decisões diametralmente opostas — e divergências igualmente viscerais entre tribunais diferentes. É carnavalização.

Com o objetivo de entender como o Judiciário brasileiro se transformou de terceiro poder da República em musa inspiradora de memes jocosos, VEJA ouviu mais de uma dezena de advogados, magistrados, procuradores e juristas. Em todos os diagnósticos, um mesmo elemento foi apontado como causa principal da esquizofrenia que vem acometendo a Justiça no país: o voluntarismo crescente de seus magistrados — que passam a decidir com base não no que está escrito na lei, mas no que lhes parece justo.

Tailândia: Por que o resgate das crianças na caverna comoveu a todos

Desde 23 de junho, quando o grupo ficou preso na caverna, até o resgate de todos, o time de futebol dos garotos, o Javalis Selvagens, tornou-se a equipe mais famosa da Tailândia. Elon Musk, o bilionário sul-africano presidente da SpaceX e da Tesla, mandou um minissubmarino em forma de bala feito sob medida para resgatar as crianças, mas o aparelho não foi necessário. Tudo, ou quase tudo, correu muito bem. Em Chiang Rai, a população foi para as calçadas para festejar a passagem das ambulâncias com os garotos recém-libertos. A cada salvamento, a Marinha tailandesa escrevia nas redes sociais a palavra “hooyah”, inspirada na comemoração dos fuzileiros americanos. O termo virou um dos mais usados nas redes sociais para falar sobre o assunto. Nas escolas, crianças escreveram redações sobre os treze corajosos da caverna.

A saga comoveu a todos e continua prendendo as atenções. Nada escapou aos olhares dos jornalistas que cobriram o acontecimento. Sabemos até o que os meninos estão ingerindo no hospital. Os doutores já tinham liberado o mingau de arroz e o pão com pasta de chocolate, mas não o krapao, que leva carne de porco frita e “um tipo de manjericão”. Não foi uma aventura qualquer.

Mas, afinal de contas, por que meio mundo acompanhou a saga do resgate e se comoveu com o destino dos doze meninos e seu técnico?

Entrevista com Fernando Collor: “Não sou corrupto”
Acusado de corrupção, senador critica investigadores da Lava Jato, quer devolver propina que “apareceu” na sua conta e diz que quase nada mudará na política.

O senador Fernando Collor (PTC) ensaia um improbabilíssimo retorno ao Planalto 26 anos depois de escrever seu nome na história como o primeiro presidente a sofrer um impeachment no Brasil. Além da resistência do próprio partido, ele enfrenta um fantasma que o acompanha desde que chegou ao poder, em 1990: a corrupção. Collor foi o primeiro político de peso a ser capturado na teia da Lava-Jato. Segundo as investigações, ele recebia propina de empresas que prestavam serviços à Petrobras. Acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, deve ter seu caso julgado pelo Supremo Tribunal Federal até o fim do ano e pode ser condenado a até quarenta anos de prisão. Mas isso não o preocupa. No âmbito judicial, ele garante que vai provar sua inocência. No campo político, acredita que a Lava-­Jato não terá nenhum impacto eleitoral. Na entrevista a seguir, Collor também relembra o seu afastamento da Presidência — situação que o fez pensar em cometer suicídio —, diz que Dilma mereceu o destino que teve e ainda se irrita quando questionado sobre o “confisco da poupança” que promoveu no início do seu governo.

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EPOCAÉpoca

A Rainha da sofrência: o que faz de Marília Mendonça a artista mais popular do país
Com 4,7 bilhões de visualizações no Youtube, a rainha da sofrência faz uma multidão entoar junto canções sobre fossa, traições e porres. Com 20 shows por mês, os negócios ao redor da cantora geram quase R$ 10 milhões mensais.

Passavam das 23 horas em Votorantim, interior de São Paulo, quando a artista musical mais ouvida do país chegou ao ponto alto de seu show. Em frente a 10 mil pessoas, as luzes do palco apagaram, um globo espelhado foi posicionado e um piano de cauda começou a ressoar os primeiros acordes em tom de tristeza. A toada lenta e o ambiente sombrio ganharam vida quando uma voz forte e grave rompeu a pausa projetada pelo instrumento: “Exagerado, sim”, disse o primeiro verso, enquanto centenas de luzes refletidas pela esfera de vidro iluminaram a estrela da apresentação. A canção seguiu num crescendo ritmado até que explodiu no refrão, quando todas as desilusões amorosas do público pareceram se unir em uma só voz: Não finja que eu não tô falando com você/Eu tô parado no meio da rua/Eu tô entrando no meio dos carros/Sem você a vida não continua, gritou a cantora. Se ao fim da música a sertaneja Marília Mendonça precipitou centenas ao choro e a lembranças irracionais de ex-parceiros, é porque entregou o que pagaram para ouvir e fez jus ao epíteto que ganhou após o sucesso: Rainha da Sofrência.

O domingo dos Silva: como foi a expectativa dos irmãos durante o “solta-não solta” de Lula
A família do ex-presidente Lula frustrou-se com a expectativa de tê-lo livre na festa “julina” familiar. Um dos irmãos, em tratamento contra um câncer, está proibido pelo médico de ir a Curitiba.

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ISTOEIstoé

Começa pra valer o jogo eleitoral
Com as convenções batendo à porta, partidos aceleram as alianças. Na falta do “novo”, candidatos tentam se reinventar para se mostrarem palatáveis ao eleitor, em meio ao mar de indecisos.

De acordo com a sabedoria das redes sociais, uma das maiores desvantagens do Brasil ter se despedido mais cedo da Copa do Mundo é que o País viu-se obrigado a voltar a discutir prematuramente suas notícias de sempre. E elas, pegando emprestado o termo adotado pela presidente do Superior Tribunal de Justiça, Laurita Vaz, são “teratológicas”. Além do vai-e-vem das tentativas e pedaladas do ex-presidente Lula para escapar da prisão, provocam também pesadelos as articulações para a mais imprevisível eleição do País desde a redemocratização. Às vésperas das convenções e da definição das alianças, os partidos tradicionais parecem caminhar na contramão dos anseios populares – ou seja, rumo ao abismo. Em que pese a irrefreável vontade do eleitor por um candidato capaz de personificar a renovação, em contraposição ao jogo surrado de velhos métodos e fórmulas, o “novo” acabou não sendo contemplado na cédula eleitoral. O espelho desse quadro desalentador são as pesquisas de intenções de voto, lideradas hoje não por um aspirante ao Planalto de carne e osso, mas por um elemento abstrato: “o branco, nulo e indeciso”. Em seguida, figuram candidatos que há tempos percorrem a estrada da velha política, mas travestidos de novidade encantam segmentos expressivos do eleitorado pelas beiradas do espectro político: Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT).

Os amigos do rei
Trama petista para livrar Lula da cadeia escancara as vísceras de um Judiciário que não tem mais recato na hora de expor seus pendores políticos. Num tempo em que militantes comportam-se como torcidas de futebol em arquibancadas, magistrados fazem pior: sujam as togas e comprometem as necessárias isenção e neutralidade que deveriam esgrimir.

Setores do Judiciário resolveram rasgar a fantasia de vez. Tiveram outras oportunidades, é bem verdade. Mas não foi por falta de vontade. Não o fizeram em outrora por pura precaução. No julgamento do mensalão, por exemplo, pensaram no custo alto para suas biografias, na nódoa que causariam em suas reputações e em como ficariam indelevelmente marcados no tribunal da história. No íntimo, porém, os magistrados sabiam bem por quem seus corações pulsavam. As pessoas podem até driblar seus desejos mais recônditos durante algum tempo, mas não o tempo todo. Uma hora remove-se o véu com o qual elas os cobriam. É o que tem acontecido, desde Lula preso, com segmentos do Judiciário brasileiro. A inestimável gratidão de magistrados beneficiados pelo loteamento nos tribunais superiores promovido pelo PT em 16 anos de poder, antes escamoteada, quase envergonhada, restou clara, manifesta e, para não dizer, despudorada agora. Para atender aos anseios de Lula não se importaram em enlamear as próprias togas. Nas últimas semanas, os ministros do STF Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e, mais recentemente, o desembargador Rogério Favreto passaram a agir sem qualquer cerimônia, sem nem mesmo corar a face e à luz do dia como diletos amigos do Rei. No que dependesse deles, todos estariam na Pasargada de Manuel Bandeira, sob os desígnios do poder imperial de Lula. A trama da qual ousou participar Favreto, enquanto os brasileiros ainda viviam a ressaca da eliminação do Brasil na Copa, não foi uma investida isolada. Simplesmente manteve a toada das recentes deliberações da segundona do STF, cujas decisões destituídas de fundamento jurídico têm se revelado eivadas de muito fundamento político. “Toffoli é o Favreto do PT no STF. Ele e Lewandowski”, sapecou o jurista Modesto Carvalhosa. Modesto é, sem modéstia, um dos poucos a colocar o dedo na ferida exposta do Judiciário brasileiro.

O desmonte dos Sindicatos
Para tentar sobreviver à crise financeira gerada pela perda do imposto sindical, entidades impõem o que sempre criticaram: um ajuste fiscal que inclui venda de patrimônio, contratação de PJs e demissões de empregados.

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CARTACartaCapital

O príncipe da casa-grande
No centro de um enredo que envolve pecuaristas, banqueiros e empreiteiros, FHC, ex-presidente e professor aposentado, amealhou uma fortuna sem levantar qualquer suspeita.

Vale tudo
A patética batalha de despachos sobre Lula expõe um Judiciário cada vez mais dedicado à política e divorciado do Direito.

Energia
As empresas estrangeiras ganhadoras de leilões de transmissão ignoram solenemente a indústria nacional.

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