Veja aponta ataque contra Bolsonaro como resultado da intolerância política

Revistas semanais destacam o atentado contra o candidato do PSL e o perigo da radicalização nas eleições.

Da redação,

veja1Veja

A facada da intolerância
Jair Bolsonaro é alvo de um atentado em Juiz de Fora. Um resultado dramático da radicalização da política brasileira.

Diante de uma multidão reunida na região central de Juiz de Fora, depois das 15 horas de quinta-feira (6), Jair Bolsonaro repetia uma cena corriqueira em sua rotina de campanha: carregado nos ombros por quatro homens, fazia sinal de positivo para sua militância, que gritava palavras de ordem em apoio ao presidenciável, hoje líder isolado nas pesquisas de intenção de voto.

Bolsonaro aparentava satisfação em estar no meio de seus potenciais eleitores, quando seu rosto adquiriu feições de dor. A transformação em seu semblante foi causada pelo servente de pedreiro Adelio Bispo de Oliveira, 40 anos, que alcançou o deputado em meio ao povo e, atacando pelo lado direito, desferiu-lhe uma facada na altura do abdômen.

A violência política, em geral, decorre de uma combinação perversa em que a radicalização ideológica encontra um militante disposto a tudo ou portador de algum tipo de desequilíbrio mental. A esse respeito, até agora, nada se sabe sobre Oliveira, mas quanto à radicalização do ambiente político não há dúvida.

Museu Nacional
E ninguém pediu desculpas, ninguém renunciou, ninguém foi demitido

No palacete de três andares em estilo neoclássico sobraram as paredes ocas e as imponentes portas de ferro da entrada. Quase todo o resto foi consumido pelas labaredas do incêndio que assolou o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, durante sete horas, a partir do começo da noite de domingo 2. E que resto: mais de 20 milhões de peças de um dos maiores acervos de história natural e antropologia das Américas. Como pôde acontecer um desastre desses? Quem falhou?

Ciro Gomes prefere atacar a imprensa a explicar-se sobre corrupção no Ceará
Acusado de participar de esquema de extorsão, Ciro diz que vai processar acusador, que VEJA foi paga para publicar matéria e nada explica sobre a corrupção.

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istoe1Istoé

Assim não! A facada em Bolsonaro
Um atentado contra o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), na tarde de quinta-feira, gerou apreensão na corrida eleitoral. Ele levou uma facada no abdômen, atingindo o fígado e a alça intestinal. A democracia também foi atingida.

O atentado desta quinta-feira, segundo cientistas políticos, pode reverter a curva ascendente de rejeição, – incapaz de tirá-lo do segundo turno, mas o suficiente para ser derrotado por quase todos na etapa final do pleito, – ao transformar o candidato do PSL, acusado por adversários políticos de disseminar o ódio na campanha, em vitima do processo eleitoral. Sobretudo pelo fato de que o agressor assumir um claro viés de esquerda, espectro político combatido por Bolsonaro.

Independentemente de preferências e colorações partidárias, o ataque a Bolsonaro, assim como o recente assassinato de Marielle Franco, no Rio, constitui uma afronta à democracia representativa. Sem espaço para relativizações. É o retrato mais bem acabado da barbárie em que vivemos.

O centro ainda pulsa
Alvaro Dias, do Podemos, e João Amoêdo, do Novo, defendem a reforma do modelo político, ganham aderência entre indecisos e se tornam alternativas para quem quer evitar os extremos.

O País do descaso
O incêndio que destruiu o Museu Nacional, um dos mais importantes do mundo, tornou-se o símbolo de um País em cinzas, que não cuida da memória e da identidade, e não acha seu caminho para o futuro.

Nada poderia ter sido mais simbólico da falência social e cultural na qual o Brasil está imerso do que as chamas que consumiram o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na noite do domingo (2). Em seis horas, parte da história da humanidade ali abrigada foi reduzida a cinzas.

Maior museu de história natural e antropológica da América Latina, a instituição possuía mais de 20 milhões de itens. Entre outras preciosidades, estavam lá a maior coleção de múmias e artefatos egípcios da América Latina, 700 peças greco-romanas do período da Antiguidade Clássica e coleções riquíssimas de entomologia, botânica e paleontologia.

Assistir às labaredas consumindo o museu foi como se, de repente, cristalizasse a sensação nacional de um País sem memória mergulhado em cinzas.

A comoção que situações assim normalmente despertam, pontuada por solidariedade e lamento, cresceu misturada à indignação e vergonha de uma nação que deixa sua identidade ser destruída e gradativamente dá as costas à civilização. Foi possível descer ainda mais na escala da degradação nacional.

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epoca1Época

O candidato obediente
Haddad, o candidato disfarçado de vice, no coração do lulismo

Na noite em que o Tribunal Superior Eleitoral barrava a candidatura do ex-presidente Lula como cabeça na chapa do Partido dos Trabalhadores — fato ignorado pelas hostes petistas, que continuaram a insistir no devaneio de uma dobradinha eleitoral entre um preso e um solto —, um jantar reunia sete homens e uma mulher no restaurante Varanda, no centro de Garanhuns, Agreste de Pernambuco. No dia seguinte, Fernando Haddad, de 55 anos, que oficialmente ainda era apenas vice por obediência às ordens partidárias superiores, faria um périplo nas cercanias da cidade natal de Lula, Caetés — a menos de meia hora dali. Como o lulismo ainda reina forte na região, a visita servia basicamente para a gravação de um programa eleitoral, além de dar uma força para o governador Paulo Câmara, do PSB, que corta um dobrado para garantir a reeleição.

À mesa, o grupo — que incluía, entre outros, um ex-prefeito, uma jovem liderança petista regional, um primo de Lula e dois relevantes empresários da cidade — discutia o acontecimento. Até aquele momento, os caciques locais não sabiam da agenda do candidato-que-não-é-o-candidato, o que lhes pareceu pouco-caso. Houve quem reclamasse de ter de fazer a caminhada ao lado de Paulo Câmara, um dos artífices da pulverização da candidatura da petista Marília Arraes, neta de Miguel Arraes, ao governo estadual para neutralizar a candidatura de Ciro Gomes, do PDT. Mas a turma se inflamou mesmo falando que era um erro protelar tanto a decisão de fazer Haddad titular e Manuela D’Ávila, do PCdoB, vice. “Esse cabra (Haddad) deve estar p... Tem de vir aqui e fazer isso tudo e não pode pedir voto pra si”, comentou-se.

Desde 17 de agosto, Haddad — que perdeu 4 quilos — corria o Brasil sem poder se apresentar como candidato ao Palácio do Planalto. Afinado com o script que acertou com o ex-presidente na prisão em Curitiba, o vice tentava se passar por um mero coadjuvante e respondia, pacientemente, que o candidato era Lula. Um aliado destacou que, diante de suas frágeis relações com o PT, o ex-prefeito tem consciência de que sua candidatura só pode ser levada adiante se for bancada por Lula. O ex-ministro Jaques Wagner, preferido da maioria dos caciques petistas, teria mais autonomia para caminhar com as próprias pernas, o que Haddad não terá como fazer, pelo menos, até eventualmente ser eleito.

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carta1CartaCapital


“Vamos retomar o projeto de Lula”

Após o veto à chapa petista, Fernando Haddad, candidato do ex-presidente, expõe seu plano de governo.

Brasil em chamas
Incúria e irresponsabilidade do Governo Temer atiçam o fogo que destruiu o museu mais antigo do país.

Argentina
A tragédia de um país consumido pela crise econômica e enlouquecido por sua versão da Lava Jato.

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