Sérgio Moro em entrevista na Veja: "Brasília é cheia de intrigas"

Ministro da Justiça fala de sua relação com Jair Bolsonaro e afirma que não será candidato em 2022.

Da redação,

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"Brasília é cheia de intrigas"

Em entrevista a VEJA, Sergio Moro diz que não será candidato em 2022 e fala de sua relação com Jair Bolsonaro, da libertação de Lula, do julgamento do STF sobre segunda instância e das mensagens vazadas da Lava-Jato

O restaurante requintado no centro de Brasília ainda estava vazio quando Sergio Moro chegou para almoçar na última quarta-feira. Para o ministro da Justiça, nem isso é ato corriqueiro. Dois dias antes, sua assessoria fizera uma precursora no local, verificou as entradas e as saídas, observou a configuração das mesas e concluiu que era preciso reservar quatro — uma para o ministro e seus convidados, uma para a equipe de segurança e outras duas que deveriam permanecer vazias formando um raio de isolamento em torno da mesa principal. Os agentes são os primeiros a entrar no estabelecimento. Moro aparece em seguida. Duas senhoras logo o reconhecem e o cumprimentam efusivamente. O maître indica a mesa, localizada estrategicamente num dos cantos. O ministro se senta, mas parece incomodado com o fato de ficar de costas para dois homens que ocupam uma das mesas que deveriam estar vazias. Falha. A menos de 2 metros de distância, os seguranças, atentos, não tiram os olhos dos intrusos. Isso já é parte da rotina do ministro mais popular de Jair Bolsonaro, embora muita coisa tenha mudado nestes primeiros nove meses de governo.

As ameaças contra ele, por exemplo, se intensificaram. O ministro não gosta de falar sobre o assunto, porém admite que os cuidados com a segurança precisaram ser redobrados. Os desafetos que colecionou ao longo de cinco anos de Operação Lava-­Jato ganharam o reforço de facções criminosas como o PCC. “Sempre recebi ameaças, mas agora toda cautela é necessária, porque estamos enfraquecendo essas organizações”, ressalta. Ele teme principalmente pela família. “Vocês viram o absurdo que fizeram com a minha filha?” O ministro se refere ao curta-­metragem que circulou pela internet que conta a história do sequestro da filha de um certo ministro “Célio Mauro”, tramado para exigir a liberdade do ex-presidente “Luiz Jararaca da Silva”. No filme, dentro do cativeiro há mensagens em favor da liberdade do verdadeiro Lula. Por ordem de Moro, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar o caso. “Está cheio de louco por aí. É bom ter cautela”, diz.

O ex-juiz também tem sido alvo de múltiplas especulações. No início do governo, ele era o talismã, a âncora que deixava claro o compromisso do presidente Bolsonaro com o combate à corrupção. Em Brasília, o ministro conheceu a outra face do poder. No Congresso, enfrenta a resistência dos parlamentares, muitos deles envolvidos até o pescoço com a Lava-Jato. No Supremo Tribunal Federal (STF), assiste ao que pode vir a ser o desmantelamento dos principais pilares que sustentaram o sucesso da operação. Mas é de dentro do próprio governo que surgem os maiores fantasmas. Moro é alvo da desconfiança de alguns aliados, muitos deles despachando em gabinetes importantes no 3º andar do Palácio do Planalto, bem pertinho do presidente, de onde pipocaram informações de que o ministro já foi demitido, já levou descomposturas humilhantes do chefe e, a mais recorrente, de que estaria pavimentando o caminho para disputar a Presidência da República em 2022 — no que seria um ato imperdoável de traição a Bolsonaro, que se anunciou candidato à reeleição.

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istoeISTOÉ

Agora é o PT que pede: #LulaPreso

Depois de 500 dias conclamando a militância a gritar “Lula Livre”, o ex-presidente petista recusa a progressão da pena para o semiaberto com o objetivo de pressionar o STF a soltá-lo em definitivo nos próximos dias

Desde que fora apanhado em malfeitos pela Lava Jato, Lula vive de auras. Primeiro, para manter a aura de honesto, fez o diabo para não ser preso. Jamais – em tempo algum – houve na história política do Brasil tantas chicanas para se libertar um corrupto. Até articular uma vaga no ministério de Dilma a fim de escapar do foro do ex-juiz Sergio Moro Lula fez. A Suprema Corte do País chegou a se mobilizar para alterar um entendimento já firmado cujo principal interessado era Lula: a prisão depois da condenação em segunda instância.

A ONU foi acionada. Mais de R$ 1 milhão do Fundo Partidário foi desembolsado ilegalmente em favor dos atos pela soltura do ex-presidente petista. Em suma, a campanha para poupá-lo da prisão e depois para tirá-lo de trás das grades não conheceu limites. Agora, na tentativa de preservar a aura de “preso político”, Lula recorre a mais um expediente inusitado. Ele abre mão da progressão da pena ao semiaberto para – pasme – permanecer preso. Ao menos até que o STF o liberte definitivamente e sem restrições, o que ele espera que ocorra já nos próximos dias. Ou seja, depois de 500 dias na cadeia, o demiurgo de Garanhuns foi do bordão #Lulalivre a #Lulapreso ao sabor de suas conveniências pessoais e político-partidárias. Lula pode até nutrir esse desejo. O que ele não pode é querer uma lei só para ele, ou seja, uma norma que se adeque perfeitamente aos seus desígnios. Que estado de Justiça teremos daqui em diante como conseqüência de mais um gesto político do petista destinado única e exclusivamente a dourar a aura que ele quer conservar perante a uma claque que hoje perdeu relevância?

O PT experimenta uma crise de identidade de um partido moldado pela liberdade e pelos avanços sociais desde que foi flagrado em atos inequívocos de corrupção. O petismo foi consumido pelo lulismo e o primeiro não mais sobrevive sem o segundo. Daí a necessidade de manter acesa a chama de pretensa probidade do petista condenado. Por isso, o movimento de Lula, como sempre, não passa de uma jogada de marketing político. Ele quer uma Justiça só para ele e que todos se adaptem aos seus caprichos.

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EPOCAÉPOCA

O enigma do Sínodo

O que levou a Igreja a discutir a Amazônia - e por que isso irrita Bolsonaro

Quando bispos e outros líderes da Igreja se reunirem em Roma neste domingo, para o sínodo que reunirá cerca de 300 lideranças católicas de todo o mundo para um debate sobre a Amazônia, suas pautas estarão dispersas.

Primeiro, há uma forte corrente crítica, para a qual a agenda do sínodo seria política demais e o impulso geral será transformar a Igreja Católica numa ONG, uma espécie de Greenpeace com água benta. De acordo com essa visão, a Igreja deveria estar salvando almas, não florestas, e preocupando-se com a evangelização mais do que com o meio ambiente.

Em segundo lugar, há vozes importantes dentro do catolicismo que duvidam da ideia de “mudança climática” e do movimento ecológico por trás dela. Elas temem que isso abra caminho para reviver a pauta socialista — algo que desejavam estar morto e enterrado com o colapso do comunismo. Como diz o ditado em círculos católicos tradicionalistas: “Verdes são os novos vermelhos”.

Em terceiro lugar, há uma tensão específica em relação a padres casados. Muitos participantes confirmaram que o encontro provavelmente adotará a ideia de ordenar os chamados viri probati (homens casados e testados) como uma maneira de tratar a deficiência crônica de padres em áreas rurais isoladas, como a Amazônia.

Em resumo, o sínodo deverá apresentar disputas quanto à missão essencial da Igreja, seus ensinamentos sobre o homem e o meio ambiente e sobre a natureza da identidade sacerdotal — não é de admirar que as tropas já estejam se preparando para a batalha.

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CARTACARTA CAPITAL

Lula livre?

O ex-presidente rejeita a "barganha" proposta por Dallagnol, enquanto a Lava Jato vive seu pior momento

No editorial de Mino Carta: Esta Lula já levou. Os golpistas tentam contraofensiva, mas são obrigados a recuo. 

Na reportagem de capa, por André Barrocal: Lula não arreda o pé. Com a condenação do ex-presidente e a atuação de Sérgio Moro no caso do tríplex, além de seguidas derrotas no tribunal, a Lava-Jato propõe o regime semiaberto para o preso, mas ele recusa. E mais, A Lava-Jato em chamas, por Eugênio Aragão: O incendiários responde pelo nome de Rodrigo Janot, cujo livro invadiu a arena pública como a explosão de um homem-bomba.

Guilherme Boulos: As voltas da História. Da prisão, Lula “trucou” a Lava-Jato e chamou o STF à responsabilidade.

Economia, por Carlos Drummond: Filé a preço de acém. Políticos disputam as sobras e o governo não diz que poderia obter muito mais do excedente da cessão onerosa.

Plural, por Ademir Assunção: A epopeia dos desajustados. Com fúria e desesperança, o grupo Cemitério de Automóveis reencena, 61 anos depois, Barrela, a peça de estreia do dramaturgo Plínio Marcos.

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