Quase 80% dos brasileiros rejeitam retorno de uma ditadura, destaca Veja

Revista revela que cerca de 40% acreditam que há uma grande possibilidade de que isso aconteça.

Da redação,

VEJAVeja

Abaixo a ditadura: quase 80% dos brasileiros rejeitam o retorno de um regime autoritário
Pesquisa exclusiva VEJA/FSB mostra que a grande maioria da população, apesar de preferir a democracia, vê um risco razoável de retrocesso.

A democracia no Brasil é uma criança que teima em crescer em um terreno acidentado, daqueles que dificultam uma caminhada sem tropeços. Desde a independência, em 1822, a nação passou mais da metade do tempo sob regimes totalitários, considerando-se a monarquia e as ditaduras do Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945) e militar (1964-1985), em que a tônica foi a repressão, a perseguição política, a censura, o esfacelamento das instituições, os assassinatos e as torturas. Os anos de chumbo pareciam enterrados com a chamada “Constituição cidadã”, de 1988, e o retorno das eleições diretas, em 1989. Pouco mais de três décadas depois, no entanto, o país se vê às voltas com esse fantasma, na forma de discursos que louvam figuras indesejáveis do passado, citações ameaçadoras de instrumentos totalitários como o abominável Ato Institucional Nº 5, o AI-5 — ferramenta responsável pelo endurecimento da repressão nos anos 60 —, gestos de aparelhamento que eliminam de órgãos públicos pessoas não alinhadas com o pensamento dos poderosos de plantão, combate furioso à imprensa e desprezo a instituições como o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Boa parte da onda é comandada pelo próprio Jair Bolsonaro, que não faz questão nenhuma de esconder seu apreço a tudo isso.

O consolo diante desse panorama vem de uma constatação: a grande maioria do país não compactua com essa recaída autoritária, como demonstra a pesquisa exclusiva VEJA/FSB, que ouviu por telefone 2000 eleitores de 26 estados e do Distrito Federal entre 29 de novembro e 2 de dezembro. Quase 80% dos entrevistados acreditam que a democracia é sempre, ou na maior parte das vezes, o melhor sistema de governo. Apenas 10% apontaram a ditadura como uma alternativa ideal. O mesmo levantamento, porém, também trouxe um alerta: 40% dos consultados acham que é média, grande ou muito grande a possibilidade de o Brasil virar novamente uma ditadura.

PIB brasileiro: Já dá para ver a luz
A divulgação dos dados do 3° trimestre confirma a expectativa de retomada da atividade econômica e permite — finalmente — sonhar com o desenvolvimento.

Não faz muito tempo, a perspectiva de a economia brasileira avançar além das trevas da estagnação parecia remota — os números eram pouco animadores, com desemprego renitente na casa dos 12% e investidores estrangeiros batendo em retirada, tudo muito desalentador. No entanto, na última terça-feira (3), a chance de o país sair do buraco começou a se desenhar com mais força e em um ritmo bem mais rápido do que o imaginado. Ainda que o palavrório inoportuno dos membros do governo continue a atrapalhar, as boas notícias vieram do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calculou o índice do crescimento da atividade econômica em 0,6% nos meses de julho, agosto e setembro. Não é um dado sensacional, mas foi superior ao esperado e suficiente para animar o gabinete do ministro Paulo Guedes.

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ISTOEIstoé

A vez da ignorância
Entre declarações falaciosas e o mais puro delírio, o presidente Bolsonaro foi denunciado no Tribunal Penal Internacional por genocídio indígena, enquanto integrantes de seu governo negam a História e o senso comum, atacam minorias, defendem autoritarismos e apelam para teorias conspiratórias. Parte é pura ignorância, mas há cortinas de fumaça.

Desde o princípio do governo de Jair Bolsonaro, os brasileiros — e o mundo — assistem a um aparelhamento ideológico descontrolado tanto no núcleo como nas periferias do poder. A República foi tomada por algumas figuras lunáticas que se dedicam a pregações apocalípticas e insanas, como se o papel central de um governo fosse reescrever a história e negar o senso comum, em vez de prover condições ao desenvolvimento e a prosperidade de seus cidadãos. A cada semana, os noticiários e as redes sociais são inundados por diferentes declarações, iniciativas e críticas desrespeitosas contra negros, mulheres, indígenas, gays, estudantes, pesquisadores, ambientalistas e artistas. As afirmações mais pesadas e ofensivas costumam recair sobre o conjunto de brasileiros pobres e indefesos.

A tragédia da educação
Nível de desempenho em matemática, ciências e interpretação de texto dos estudantes brasileiros no Pisa está entre os piores do mundo, não evolui há dez anos e compromete o futuro do País.

A educação vai de mal a pior no Brasil. As escolas estão ensinando menos do que o necessário e os alunos não estão aprendendo o suficiente. O modelo de ensino adotado no País vem se mostrando pouco eficaz e improdutivo e vai comprometer o desenvolvimento econômico futuro. A última pesquisa divulgada pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que os últimos dez anos foram de estagnação no nível de desempenho escolar dos alunos brasileiros. O levantamento, referente a 2018, envolveu 600 mil alunos do ensino médio de 79 países, todos na faixa etária de 15 anos. Os estudantes foram avaliados em matemática, ciências e em capacidade de leitura. O Brasil, onde 10,7 mil alunos de 638 escolas fizeram as provas do Pisa, perdeu posições em matemática, ficando em 70º lugar, e em ciências, situando-se na 66º posição. Em leitura houve uma ligeira melhora e os estudantes locais ficaram em 57º lugar. Na média geral, o País ficou entre os 20 países com pior avaliação. As notas brasileiras ficaram muito abaixo dos alunos dos países da OCDE, considerados referência em qualidade de educação.

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EPOCA1Época

O balanço do ministro
As mudanças e o aprendizado de Paulo Guedes em um ano de Governo Bolsonaro.

O economista que há dois anos é o fiador de Jair Bolsonaro junto ao mercado financeiro e ao empresariado avalia que o período de governo tem sido de aprendizado. Antes crítico dos colegas que conduziram a política econômica no período pós-redemocratização, ele hoje ocupa a posição de “vidraça” e, justamente por isso, tem tentado controlar seu temperamento mercurial. Isso não significa que consiga sempre manter a temperança, tampouco que esteja livre de ataques — o próprio Bolsonaro disse a uma rádio fluminense que pediram sua cabeça nos últimos dias.

Os resultados, no entanto, vão na contramão disso. Nesta semana, Guedes teve a primeira boa notícia desde a aprovação da reforma da Previdência, em outubro. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre mostrou um crescimento de 0,6% no período, acima do esperado. O ministro espera um PIB de 1% para este ano, mas algumas projeções revisadas após a alta mais intensa já vão um pouco além disso. O resultado está longe de significar que a economia do país passará a se expandir com vigor rapidamente, mas sepulta temores de volta da recessão depois de dois anos de PIB negativo e dois de crescimento engessado em cerca de 1%.

Ecos de uma tragédia
Época ouviu quatro pessoas que estavam na segunda maior favela de São Paulo, na madrugada do domingo (1º), ou que eram próximas de uma das nove vítimas que morreram na ação policial em um baile funk.

Esquema ilegal colombiano de empréstimos chega ao Brasil e preocupa autoridades
De acordo com investigações, operação ilegal estaria relacionada a ameaças e intimidações na cobrança; dinheiro estaria ligado a atividades como narcotráfico, sequestro e extorsão.

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CARTA1CartaCapital

Calem-se.
O governo do presidente Jair Bolsonaro amplia a “guerra cultural” contra os artistas.

O pibinho de Guedes
Muito ufanismo para pouco resultado, escreve Luiz Gonzaga Belluzzo.

Paraisópolis
A chacina policial no baile funk é outra faceta do autoritarismo líquido, diz Pedro Serrano.

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