‘O Tribunal da vergonha’, destaca Istoé sobre atuação do STF para salvar Lula

Supremo cria a ‘liminar-Lula’, um dispositivo casuístico destinado a livrar o petista da prisão e envergonha os brasileiros.

Da redação,

Istoé

ISTOO Tribunal da vergonha
Com uma precisão jurídica jamais vista na história, o STF cria a liminar-Lula, um dispositivo casuístico destinado a livrar o petista da prisão, envergonha os brasileiros, ao promover bate-bocas insultuosos, e transforma o plenário da corte na maior distância entre o cometimento do crime e o cumprimento da Justiça.

Há um exatamente um século, muito antes de Lula medir publicamente o real tamanho moral da Suprema Corte do País, ou seja, minúscula, “totalmente acovardada”, Monteiro Lobato jogava luz sobre a nova Justiça que emergia no regime republicano, àquela altura ainda em processo de maturação. “Tinha vontade. Tem medo. Tinha Justiça. Agora, tem cambalachos de toga”, escreveu num primor de artigo. Pois o deplorável destino se cumpriu na noite de quinta-feira 22. Como se de joelhos estivesse diante de quem um dia a enxergou totalmente despida, a Suprema Corte promoveu um cambalacho jurídico e, com uma precisão cirúrgica jamais vista na história do tribunal, ajustou a lei para salvar Lula.

Exclusivo: Temer assume candidatura à Presidência
O presidente da República, Michel Temer, está definitivamente decidido a defender seu legado e reputação na campanha eleitoral. A opção pela busca da reeleição é recente – “de um mês e meio para cá”, disse Temer em entrevista exclusiva à ISTOÉ concedida na quarta-feira 21, no Palácio da Alvorada. Até então, ele vislumbrava um futuro mais prosaico: voltar para casa, cuidar da família, da mulher Marcela e do filho caçula Michelzinho, deixando de vez a política. A guinada de 180 graus de opinião ocorreu diante da perspectiva de adversários políticos partirem à corrida eleitoral deste ano com o propósito de atacá-lo moralmente e desconstruir o que ele fez. “No Brasil, sempre foi assim: quando um governo substitui outro, quer acabar com o que o governo anterior deixou”, afirma. Temer almeja outro destino para ele e para o País. No que chama de “legado”, lista conquistas como o teto de gastos, a reforma trabalhista, a queda dos juros e da inflação a níveis historicamente nunca alcançados e até a não aprovada reforma da Previdência.

São essas “transformações” que o presidente quer levar adiante ou ao menos empunhar como bandeira na “tribuna” eleitoral. As idéias estão condensadas num programa intitulado “Ponte para o futuro 2”. Ainda em gestação por um grupo de intelectuais do MDB e pela Fundação Ulysses Guimarães, trata-se de uma versão atualizada da proposta apresentada quando ele era vice-presidente, como sugestões partidárias para o País.

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Veja

VEJA3Algo de podre no Facebook
Em uma trama que envolve poder, tecnologia e uso indevido de dados privados, uma empresa de marketing eleitoral escancara novos riscos para a democracia.

Mark Zuckerberg está preocupado com as eleições no Brasil. E uma das razões para essa inquietude é que o fundador, CEO e maior acionista do Facebook está perdendo dinheiro, muito dinheiro. “Haverá uma grande eleição no Brasil, além de outras votações ao redor do mundo, e você pode apostar que estamos realmente empenhados em fazer tudo o que for necessário para garantir a integridade dessas eleições no Facebook”, disse Zuckerberg em entrevista ao canal CNN na quarta-feira (21).

Que mundo é esse em que um empresário americano se vê obrigado a vir a público para prometer a lisura do rito democrático em outros países e ainda se sai com uma expressão (“eleições no Facebook”) constatando que a disputa eleitoral se dará no âmbito do negócio que ele criou? Pois esse é um mundo em que empresas de marketing político sabem mais sobre os gostos, os medos, os preconceitos, as opiniões, as vulnerabilidades, as inclinações e os hábitos dos eleitores do que os próprios eleitores. É um mundo em que o simples ato de curtir a postagem de um amigo pode dar munição a estrategistas empenhados em incentivar a polarização e a intolerância para fins eleitorais. É um mundo em que plataformas on-line criadas para unir as pessoas tornam-­se ferramentas que, em última análise, ameaçam a democracia.

Que Justiça é essa? O STF adia a prisão de Lula
Em meio a um salseiro de botequim, o Supremo Tribunal Federal concede uma liminar adiando a possível prisão de Lula para o início do mês de abril.

Em democracias funcionais, as grandes decisões nacionais são tomadas pelo governo, pelo Congresso ou pela Justiça. No Brasil de hoje, com a política judicializada ao extremo, toda matéria relevante é decidida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

E a consequência inevitável é que ali se concentram as tensões nacionais, num ambiente de pressão crescente, como se viu em dois episódios na semana passada. O mais recente foi a discussão sobre o pedido do ex-presidente Lula de não ser preso assim que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, rejeitar os últimos recursos contra a sua condenação — o que deve acontecer nesta segunda-feira (26). O plenário decidiu que gostaria de decidir, mas não decidiu nada.

Na prática, por 6 a 5, apenas concedeu uma liminar adiando a decisão para o início do mês de abril. Até lá, quando o STF vai então tomar uma decisão definitiva, Lula não poderá ser preso.

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Época

EPOCA2Flávio Rocha, o candidato do MBL
A bordo de seu jatinho, o empresário Flávio Rocha, pré-candidato conservador ao Palácio do Planalto, prega a moralização dos costumes, a existência de Deus, a liberação das armas e a livre-iniciativa do mercado.

Não faz muito tempo, o empresário Flávio Rocha começou a viajar pelo país numa caravana improvisada. A pequenas multidões de norte a sul do país, ele discursa ao microfone, tira fotos e prega a valorização da família, dos bons costumes, o combate ao politicamente correto (que ele entende como o patrulhamento da esquerda em temas como machismo, por exemplo), o liberalismo, o empreendedorismo, a livre-iniciativa, a desregulação e o Estado menos intrusivo. O combo ficou conhecido como neoliberalismo regressivo, quando se é superliberal na economia, mas ultraconservador nos costumes. Temas que amealham adeptos da nova direita, como os jovens do Movimento Brasil Livre.

Órfão de liderança desde o rompimento com o prefeito de São Paulo, o tucano João Doria, o mbl quer ver o dono das Lojas Riachuelo no Palácio do Planalto. “A manifestação pública do mbl, sem sombra de dúvida, me coloca próximo de assumir uma candidatura”, disse-me Rocha no mesmo dia. “Seria um egoísmo muito grande não levar isso em consideração.”

No universo da direita em ascensão, Flávio Rocha está para o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) — que lidera as pesquisas de intenção de voto para a Presidência em cenários sem Lula como candidato — assim como a camiseta polo da Riachuelo está para a camiseta polo da Renner. Há uma diferença aqui (grau de liberalismo), outra ali (fervor religioso), outra acolá: Rocha não defende torturadores nem ofende mulheres. Mas ambos querem leis mais duras contra o crime, combatem a esquerda e temem que o mundo se torne um antro de pouca-vergonha.

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CartaCapital
CARTA2
O País inerte
Após a comoção inicial causada pela execução da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), o Brasil volta à sua programação global normal.

R$ 283 milhões
O valor previsto em benefícios fiscais para 2018 é superior aos orçamentos da Saúde e da Educação.

A Lei é para todos
Ex-detratores da Lei Rouanet, como Fágner, agora se refestelam nas renúncias.

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