Lula cria atritos com aliados e aprisiona esquerda, destaca Veja

Ex-presidente coloca seus interesses pessoais e os do PT acima do projeto de uma frente de oposição a Bolsonaro.

Da redação,

VEJAVEJA

A esquerda à deriva

A dependência de Lula aprisiona o PT, afasta antigos aliados e ameaça afundar o barco de uma frente de oposição a Jair Bolsonaro

“Se Lula for para a cadeia, o país vai pegar fogo.” “Quando Lula for solto, vai incendiar as massas.” Ditas e repetidas por aí, as frases apocalípticas acima não se materializaram. A mobilização em torno da prisão do ex-presidente decepcionou quem aguardava uma revolução. Sua libertação tampouco provocou o barulho esperado. Depois de amargar 580 dias na carceragem, na volta às ruas, o petista desancou o atual governo, repisou o mantra de que é vítima de um complô das elites e jurou mais uma vez vingança a Sergio Moro, o responsável por sua condenação. Fora os aplausos da claque dos convertidos, os discursos caíram no vazio. No trabalho de articulação política, Lula agora mais desagrega do que une. Antigos aliados reclamam da insistência em priorizar interesses pessoais e os do PT como condição para formar uma frente de oposição a Jair Bolsonaro. Até mesmo dentro da sigla começaram a surgir vozes dissonantes, o que era impensável alguns anos atrás. Resultado: o Lula livre aprisiona hoje a esquerda em uma encruzilhada de difícil solução.

Explica-se o dilema: de fato, o ex-­presidente ainda é o nome mais forte da oposição, conforme mostram as pesquisas. A questão é que ele está impedido de concorrer nas eleições em razão da Lei da Ficha Limpa, após ser condenado duas vezes em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá e no do sítio de Atibaia. Para voltar ao jogo, o petista depende de uma improvável pirueta jurídica do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, mesmo que concorra, Lula sofre um profundo desgaste de sua imagem. Um nome diferente poderia se beneficiar de sua força sem ser abalado por seus defeitos. Mas nem Lula nem o PT estão preparados para um movimento nessa direção.

Desde a fundação do partido, o ex-metalúrgico sempre impediu o crescimento de outras lideranças que fossem capazes de rivalizar com ele. Sua prisão, em abril de 2018, deu a alguns petistas e a integrantes de partidos aliados a esperança de que haveria enfim uma lufada de renovação, com a ascensão de outros nomes e, assim, novas alternativas de poder. Tanto que, no ano passado, líderes do PT, PCdoB, PDT, PSB e PSOL se reuniram seis vezes com o objetivo de construir uma pauta comum e formar uma ampla frente de oposição ao governo Bolsonaro, a qual poderia ser o embrião de uma aliança para a sucessão de 2022. Com a libertação de Lula, em novembro último, esperava-se que essas negociações ganhassem corpo e que o ex-presidente, condenado a quase 26 anos de cadeia e inelegível, ajudasse na costura dos acordos.

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ISTOEISTOÉ

O homem dos esquemas na era Bolsonaro

O chefe da Secom, Fábio Wajngarten, virou intocável no governo, apesar de investigado pela Polícia Federal por crimes de peculato, corrupção passiva e advocacia administrativa. Ele inaugura, assim, o novo padrão de impunidade com a bênção do mandatário

Jair Messias Bolsonaro, quando ainda era somente um pretendente ao Palácio do Planalto, cobriu-se na campanha eleitoral com o mantra pouco original e muito populista de que bandido bom é bandido na cadeia. Tá Ok, capitão, bandido tem mesmo de ser preso, mas as grades não foram feitas apenas para aqueles que o doutor Ulysses Guimarães chamava de “três p: preto, pobre e prostituta”. Colarinho branco encardi nas prisões, mas também para ele, se sair do contrato social que pactuou as leis, as penitenciárias foram feitas. Igualmente sem a menor originalidade em nossa anêmica e anômica República decretada de cima para baixo, Jair Messias Bolsonaro pregava que não seria conivente com a corrupção ou atos ilícitos de seus ministros, secretários, assessores e colaboradores. Já tínhamos assistido a tais bravatas.

O lema de Jair Messias Bolsonaro dizia que quem pisasse na bola seria sumariamente demitido ou exonerado. Como alguns de seus antecessores (nada há de novo sob o nosso sol republicano), agora se sabe que Bolsonaro (aqui deixemos para trás os prenomes), uma vez já investido da Presidência da República, não cumpre o que promete — diz uma coisa e faz outra sem a menor coerência, na medida em que fecha os olhos para as falcatruas que em apenas um ano de mandato proliferam em seu quintal. Vamos, pois, às flores murchas…

Nos últimos dias o mandatário vem passando a mão na cabeça e dando guarida a asseclas (asseclas, tudo bem? Não acepipes) que não primam pelo zelo às regras da democracia, do Estado de Direito e da estrutura republicana. Ele cobre de privilégios os amigos do governo acusados de desvios de dinheiro do erário e, bastante grave, exímios no patrimonialismo de dar de ombros à prática de conflito de interesses.

Há um caso que berra aos ouvidos dos honestos e salta aos olhos dos éticos. Envolve Fábio Wajngarten, chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom). A pedido do Ministério Público Federal, Wajngarten está sendo investigado pela Polícia Federal por corrupção passiva, peculato (desvio de recursos por agente público) e advocacia administrativa (patrocínio de interesses privados na administração pública).

As averiguações, que se desenrolam na Superintendência da PF em Brasília, poderão render ao assessor sentenças condenatórias com penas superiores a doze anos de prisão. Bolsonaro saiu de imediato, no entanto, advogando a favor do suspeito, o que no caso significa mantê-lo na equipe de governo — mostra, assim, que de fato eram balelas as promessas de palanque: “ele continua mais forte do que nunca”, declarou o presidente na quarta-feira 5, ao comentar o trabalho da polícia. Ou seja: Bolsonaro exibiu o seu desdém com as autoridades de outras áreas e garantiu abrigo ao chefe da Secom, seja ele culpado ou não. Bolsonaro ignora até mesmo os ministros militares e demais assessores palacianos que pedem a demissão imediata de Wajngarten e ponderam, acertadamente, que a sua permanência no governo tornou-se insustentável.

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EPOCAÉPOCA

Cresce em 40% número de brasileiros que estudam no exterior

Somente em 2018, 50.400 estudantes foram fazer graduação em universidades europeias, americanas e canadenses

Uma leva de jovens têm escolhido fazer as malas e cursar a graduação em universidades europeias, americanas e canadenses, diferentemente do que fizeram as gerações anteriores, que priorizaram cursos de pós-graduação ou temporadas mais curtas no exterior.

Uma das evidências desse movimento está nos números captados pelas agências especializadas em intercâmbio de estudantes. Somente em 2018, 50.400 brasileiros foram fazer graduação no exterior, um aumento de quase 40% em relação a 2017, segundo uma pesquisa feita pela Belta, uma associação que reúne empresas responsáveis por mais de metade do mercado de educação internacional no país.

“Há alguns anos, a graduação não aparecia tanto. Agora, passou a ser o segundo programa mais procurado, atrás apenas dos cursos rápidos de idiomas”, disse Maura Leão, presidente da Belta. Há 32 anos preparando brasileiros para estudar fora, a consultora Patricia Cas Monteiro observou um aumento exponencial na procura por cursos de graduação no exterior. E não apenas da clientela abastada a que atendia quase exclusivamente no passado.

“A maioria de meus alunos era de executivos interessados em MBA. Existia pouquíssima procura por graduação. A grande diferença no mercado hoje é que a busca por MBA diminuiu muito. Agora, preparo muitos dos filhos de quem cursou MBA para fazer a faculdade fora”, contou. O perfil também mudou. “Tenho trabalhado com alunos de classe média e bolsistas, e é impressionante quanto são dedicados, mesmo sem inglês perfeito”, contou Monteiro.

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CARTACARTA CAPITAL

Insensível? Irresponsável? Demente

Bolsonaro tarda a resgatar os brasileiros na China, enquanto o coronavírus espalha pânico pelo mundo

- No editorial de Mino Carta: Patético jeitinho. Aos 40 anos, o PT ainda não entendeu que só o confronto resolve.

- Seu país, por André Barrocal: Se dependesse de Moro... a Polícia Federal conclui que o "Zero Um" não lavou grana com imóveis.

- Entrevista com Roberto Saturnino Braga: A inevitável via da frente ampla. É preciso unir forças e ampliar as alianças contra o projeto de Bolsonaro.

E mais: Um valente antagonista, por Thais Reis Oliveira: Dom Leonardo Steiner assume a resistência a Bolsonaro na Amazônia.

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