Istoé mostra por que a ativista Greta Thunberg irrita Jair Bolsonaro

Na semana passada, o presidente chamou a sueca de 16 anos de "pirralha".

Da redação,

istoe1ISTOÉ

A pirralha que irrita Bolsonaro

A ativista sueca, de 16 anos de idade, representa o antídoto à toda a ojeriza que o presidente da República carrega em relação à preservação ambiental

Greta Thunberg é uma “pirralha” com cabeça de adulta. Jair Bolsonaro é um adulto com cabeça de pirralho. Foi com essa expressão que, na semana passada, ele se referiu a Greta, ativista sueca de 16 anos de idade, ícone mundial na luta pela preservação do meio ambiente, eleita pela revista americana “Time” como “Personalidade de 2019” e indicada para receber o Prêmio Nobel da Paz desse ano.

O pirralho grandão falou o que falou, mais uma vez, diante do Palácio da Alvorada, onde costuma ficar tirando selfies com meia dúzia de gatos pingados de apoiadores. Cercado pela imprensa, ele se irritou com perguntas sobre o assassinato de dois indígenas no Maranhão. “Qual o nome daquela menina lá de fora? Greta! Já disse que índios estão morrendo porque defendem a Amazônia. Impressionante a mídia dar espaço para uma pirralha dessa aí, uma pirralha”.

A história correu imediatamente pela mídia e redes sociais, aqui e no exterior. Na quarta-feira (11), ao saber que Greta era destaque na capa da “Time”, o presidente do Brasil, certamente com inveja de ter sobre ele os holofotes do mundo queimados enquanto os dela estão mais acesos do que nunca. voltou a chamá-la de “pirralha”.

Não é nada difícil perceber porque Bolsonaro se irrita com Greta, por qual motivo tenta sempre desclassificá-la e humilhá-la: ela representa a antítese de toda a ojeriza que ele carrega em relação à preservação ambiental.

A irritação com Greta começara quarenta e oito horas antes, na COP 25, realizada em Madri, quando a jovem criticou pelo Twitter o duplo assassinato de indígenas da etnia Guajajara, em uma emboscada no município maranhense de Jenipapo dos Vieiras: “Os povos indígenas estão sendo literalmente assassinados por tentar proteger as florestas do desmatamento. Repetidamente. É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso”.

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vejaVEJA

A reforma silenciosa

Em meio à resistência a mudanças nas áreas tributária e administrativa, o ministro Paulo Guedes parte para uma estratégia alternativa para implantar seu plano liberal

A transformação de um país leva tempo. Como uma obra de engenharia, ela é feita tijolo a tijolo, em um processo que exige paciência e resiliência. Ao reformar o Estado brasileiro, Paulo Guedes, ministro da Economia, tem sentido na pele as dificuldades de tocar tamanha empreitada. Enfrenta a resistência da classe política, dos grupos corporativistas e, não raras vezes, do próprio governo. Não poderia ser diferente. No caso da aprovação da reforma da Previdência uma infinidade de interesses foi confrontada. O Congresso modificou o projeto inicial para acomodar demandas e o próprio presidente Jair Bolsonaro cedeu diante das reclamações de militares e policiais. Mesmo assim, o resultado final foi satisfatório e seus efeitos já são palpáveis no início de recuperação da economia e na boa receptividade internacional das medidas.

Na quarta-feira (11), a agência de risco americana Standard & Poor’s, a primeira a confiscar o grau de investimento do país, em 2015, elevou sua perspectiva para a nota de crédito do Brasil de estável para positiva, um sinal inconteste de credibilidade. Romper com estruturas fossilizadas pela ineficiência, pelos privilégios e pelo desperdício implica desalojar e desagradar um contingente imenso de beneficiários. E, quanto mais exposto o embate, maior o esforço a ser empreendido. Uma das críticas que a equipe econômica recebeu logo depois da reforma da Previdência foi de não aproveitar o embalo para aprovar as reformas administrativa e tributária. Houve um recuo, sim, em razão das agitações políticas na América Latina. Mas o fato é que Guedes e sua turma não estão parados esperando os inimigos se desmobilizarem. Longe dos holofotes, do funcionalismo militante e da barganha política, eles têm implementado uma agenda silenciosa, atacando frentes decisivas para tornar o Estado brasileiro mais moderno e eficiente.

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epocaÉPOCA

Depressão e ansiedade: A síndrome que atinge 20 milhões de brasileiros

Pesquisa inédita indica que um em cada cinco trabalhadores do país sofre de 'burnout', doença relacionada a estresse permanente do trabalho

Chega uma hora em que o estresse crônico com o trabalho não passa. A sensação de falta de energia ou de exaustão é constante. Todos os pensamentos sobre a vida profissional são negativos, cínicos, distantes. Um sentimento de impotência toma conta, e a produtividade vai lá para baixo. Não se trata de “mimimi” de jovens despreparados para os rigores da vida adulta, tampouco de um esgotamento que só atinge altos executivos de agendas extenuantes. A descrição acima é a do “burnout” (“queima total”, numa tradução livre), um mal de nossos tempos que, neste ano, passou a ser classificado como síndrome pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e já atinge quase 20 milhões de brasileiros, como indica uma pesquisa inédita da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), obtida com exclusividade por Época.

“Muita gente diz que burnout é depressão, estresse ou ansiedade. No burnout, podemos ter tudo isso”, explicou a psiquiatra Carmita Abdo, professora de medicina e coordenadora do estudo da USP, que ouviu 6.070 pessoas com idades entre 21 e 65 anos, de diferentes cidades e classes sociais. “As áreas cerebrais afetadas são as mesmas. Mas a peculiaridade do burnout é que ele se desenvolve especificamente devido ao trabalho”, completou Abdo.

A pesquisa constatou que um em cada cinco trabalhadores brasileiros sofre de burnout. Quando se levam em consideração também os que tiveram ao menos algum dos sinais, mas não “queima total”, fica-se diante de um quadro que atinge metade da força de trabalho do país.

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cartaCARTA CAPITAL

A tortura dos números

O desmonte do IBGE escancara os riscos de um apagão estatístico no Brasil

- Exclusivo: A pressa bolsonarista de criar um novo partido, o Aliança pelo Brasil, é cercada de estranhezas no capítulo "Assinaturas Digitais"

- Edir Macedo: Gilberto Nascimento, autor de "O Reino", reconstrói a trajetória do mais influente líder evangélico.

- Sustentabilidade: Ricardo Galvão é escolhido uma das 10 personalidades científicas do ano.

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Tags: Carta Capital Época Istoé revistas semanais Veja
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