Istoé destaca ânimo da Copa para impulsionar otimismo em outros setores do país

Humor nacional permanece em baixa com crise econômica e política, mas pode melhorar.

Da redação,

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Reaja, Brasil!
A vitória contra a Costa Rica reanimou a torcida brasileira, frustrada com o empate na estreia da Copa. Além do futebol, o País precisa fazer valer seu talento onde tem excelência reconhecida internacionalmente. É assim que podemos virar o jogo como nação.

“Se estamos em crise, tire o ‘s’ da palavra. Crie”. A frase que funciona como mantra para o empresário do ramo de educação Chaim Zaher pode ser a chave para tirar os brasileiros do atual estado de desalento que tem feito ruir as expectativas de um futuro melhor. A julgar pelas pesquisas de opinião, tudo vai mal. A insatisfação com o governo é recorde, a economia piorou segundo 72% da população, e o desejo de abandonar o País é assumido por dois em cada três jovens com idade entre 16 e 24 anos.

O quadro de desânimo, porém, é o lado mais danoso da ciclotimia que caracteriza os altos e baixos do humor nacional. Assim como somos tomados de um pessimismo atávico que drena energias e bloqueia a prosperidade, podemos ser instantaneamente tomados pela euforia que nos coloca entre os mais confiantes cidadãos do mundo. O que nos falta, como diria o técnico Tite em sua pregação junto ao elenco que disputa o mundial da Rússia, é equilíbrio. Aquela ponderação que permite sair de uma situação crítica para criar, como fez a vida toda o imigrante libanês Zaher, fundador de um dos maiores grupos educacionais do Brasil e que continua investindo em oportunidades no setor que é o mais estratégico para qualquer sociedade: o conhecimento. Reagir ao clima de derrota, em todos os campos, e não apenas no futebol, é o que o País precisa para sair fortalecido de uma conjuntura tão adversa quanto nefasta.

A corrupção por trás das invasões do MST
A PF investiga um grande esquema imobiliário do MST. Como área da União invadida virou prioritária para regularização, o movimento ocupa as propriedades, em troca de dinheiro, facilitando a criação de prósperos negócios nos locais. Não é o único caso escabroso envolvendo os sem-terra.

Os imóveis da União viraram alvo de toda sorte de cobiça, mas não só. ISTOÉ havia revelado, em 30 de maio, que um balcão de negócios foi arquitetado a partir da edição de uma medida provisória destinada a regularizar terras da União em litígio – sob orientação do senador Romero Jucá (MDB-RR). O que agora a Polícia Federal descobriu é mais escabroso. Trata-se da existência de um perigoso conluio entre empresas interessadas nesses imóveis e o MST. Grupos ligados ao movimento estariam sendo arregimentados por empreiteiras, fazendeiros e políticos para invadirem propriedades passíveis de regularização, em troca de pagamentos em dinheiro. A medida provisória, criada com as bênçãos de Jucá, é um facilitador para que o esquema possa fluir como mel. Por ela, terras da União que estiverem invadidas passaram a ter prioridade na regularização. Segundo as investigações da PF, os sem-terra invadem as propriedades, criam situações de fato, que, depois, são resolvidas a partir das regras determinadas pela MP. Feita a regularização, lucram todos: os especuladores imobiliários e os líderes do movimento.

O laranjal do governador de Tocantins
Em ação de separação, a ex-mulher do governador Mauro Carlesse denunciou que, embora declare R$ 2,9 milhões em bens à Receita, ele usa laranjas para ocultar um patrimônio de R$ 100 milhões, que incluem dezenas de fazendas, avião e carros de luxo, como Jaguar e Ferrari.

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vejaVeja

Surge o primeiro antídoto contra a falta de memória
Técnica, que consiste na implantação de eletrodos no cérebro de pacientes com déficit de memória, consegue recuperar até 15% da capacidade de lembrar.

Um novo e ousado procedimento médico foi capaz de impulsionar o mecanismo que forma e preserva as lembranças, um feito inédito na medicina. Eletrodos implantados em uma área específica do cérebro recuperaram 15% da memória de pacientes. A taxa equivale ao que se perde em dois anos e meio com a degeneração provocada pela doença de Alzheimer. Ou ao que se esvai naturalmente em dezoito anos de vida de uma pessoa saudável. Traduzindo: quem tem 56 anos hoje pode, em tese, voltar a ter a mesma memória que tinha aos 38 anos.

Deslize da Lava Jato
Depois de uma investigação que não conseguiu uma única prova além das acusações dos delatores, Gleisi Hoffmann, presidente do PT, é absolvida pelo STF.

O Supremo Tribunal Federal (STF) escancarou o primeiro grande tropeço nas investigações da Lava Jato conduzidas por Brasília. Na terça-feira (19), por unanimidade, os ministros absolveram a senadora Gleisi Hoffmann, atual presidente do PT, dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Gleisi foi acusada por delatores de receber 1 milhão de reais em propina do esquema de corrupção na Petrobras. Os ministros, no entanto, entenderam que a Procuradoria-Geral da República não apontou no processo nenhuma prova capaz de corroborar a acusação dos colaboradores.

O veredicto serve de alerta à Polícia Federal, cuja investigação não conseguiu colher uma única evidência além das delações, e ao Ministério Público, que acabou apresentando uma denúncia inepta.

Expansão do PCC para outros estados fez o número de homicídios explodir
Diálogos captados pela Polícia Civil revelam a estratégia de expansão do PCC e como as lutas entre facções fizeram homicídios explodir em alguns estados

“Eu tenho mais de trinta cadáveres dentro do meu telefone”, disse Rafael Silvestri, no dia 8 de setembro do ano passado, em conversa telefônica com um comparsa do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior e mais perigosa organização criminosa em atividade no Brasil. Ele se jactava das imagens de inimigos mortos que havia recebido em seu celular de comparsas baseados em vários estados brasileiros. Silvestri é a principal “autoridade” do PCC no Nordeste e, nos últimos seis meses, teve seu sigilo telefônico quebrado pela Polícia Civil de Presidente Prudente (SP) juntamente com o de outros 200 membros da facção. O material, colhido no âmbito de um inquérito sigiloso ao qual VEJA teve acesso, ajudou os policiais a deflagrar, no dia 14, a Operação Echelon, que desvendou o modus operandi usado pelos bandidos do PCC para expandir seu domínio sobre o tráfico de drogas nos estados.

As investigações levaram a constatações preocupantes. Uma delas: os territórios onde a facção trava disputa com outros grupos criminosos pela hegemonia no tráfico são justamente os que sofreram uma explosão de homicídios em dez anos. Nesse período, o aumento do número de assassinatos por 100 000 habitantes, segundo o Atlas da Violência de 2018, é uma matemática de horrores: 256% no Rio Grande do Norte, 121% em Sergipe, 93% no Acre, 86% no Ceará, 74% no Pará e 72% no Amazonas. Tais áreas são as que mais aparecem nas conversas gravadas pela polícia. Identificadas como zonas conflagradas, são rotas estratégicas para a entrada da cocaína no Brasil e seu escoamento para a Europa. Em São Paulo, onde o PCC surgiu e é hegemônico no tráfico, o vetor é inverso: os homicídios caíram 46% na última década. Por isso, dissemina-se a certeza de que o controle da violência em São Paulo não está nas mãos do governo e suas políticas de segurança. Está nas mãos do PCC.

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Sete anos depois, quem ganhou dinheiro com as tomadas de três pinos?
Mercado movimenta R$ 24 bilhões por ano e segurança das redes elétricas não aumentou.

Com uma canetada em 2000, o então presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Armando Mariante Carvalho Junior, obrigou 196 milhões de pessoas a gastar ao menos R$ 1,4 bilhão para a troca potencial de tomadas em mais de 60 milhões de residências em todo o Brasil. Carvalho hoje integra o rol de investigados na Operação Lava Jato, mas não por ter liderado a incômoda revolução da tomada dos três pinos. Como ex-vice-presidente do BNDES, ele é investigado por participação em empréstimos fraudulentos ao pecuarista José Carlos Bumlai, o amigo do ex-presidente Lula que foi condenado a quase dez anos de prisão por corrupção e gestão fraudulenta.

No caso dos três pinos, Carvalho estabeleceu, por meio de portaria, prazos para que fabricantes e comerciantes de material elétrico e eletrodomésticos se adaptassem ao padrão NBR 14136 — um termo alfanumérico que define tecnicamente a nova tomada. Em 1º de julho, a tomada de três pinos completa seu sétimo ano de existência obrigatória. Ninguém mais pode fabricar ou importar aparelhos com plugues ou tomadas fora do padrão, sob pena de elevadas multas. Ninguém pode também vender no varejo tomadas velhas nem eletrodomésticos com o plugue antigo.

Duas perguntas, no entanto, ainda assombram os brasileiros: por que o padrão de tomadas e plugues foi alterado? E quem, afinal, ganhou com isso? Carvalho não quis responder às perguntas de ÉPOCA. O executivo Marco Aurélio Sprovieri Rodrigues, o maior inimigo que a tomada de três pinos já teve, verbalizou a hipótese mais frequente no setor de varejistas do comércio elétrico. Apontou uma multinacional francesa como beneficiária direta da adoção da tomada de três pinos.

Cabo Daciolo, o pastor presidenciável que promete expulsar o demônio do Planalto
Aos 42 anos, ele integra uma geração de parlamentares que esnoba os meios oficiais de comunicação. Sua tribuna é o Facebook.

Numa quinta-feira de março, o deputado Cabo Daciolo subiu à tribuna com uma Bíblia na mão e uma ideia na cabeça. Depois de quatro anos na Câmara, o dublê de bombeiro e pastor evangélico decidiu concorrer ao Planalto. “Acredito ter um plano de nação para a colônia brasileira”, anunciou, em tom solene. O novo presidenciável não quis se dirigir aos poucos colegas no plenário. Falou diretamente com quem considera seu inimigo, sem intermediários. “Satanás, tu perdeste esta batalha! Saia do Congresso Nacional e saia da nação brasileira, em nome do Senhor Jesus Cristo!”, vociferou.

Benevenuto Daciolo quer expulsar o demônio da Praça dos Três Poderes. Filho de um coronel da Aeronáutica e criado na Zona Norte do Rio de Janeiro, ele diz que o Brasil vive uma “guerra espiritual” e precisa de alguém para salvar o governo das mãos do maligno. “Por isso, nós somos o próximo presidente. Nossa vitória está selada”, profetizou, falando de si no plural.

O deputado só participou de uma campanha, mas já está no terceiro partido político. Foi eleito pelo PSOL, que o expulsou no quarto mês de mandato. Depois passou pelo PTdoB, que mudou o nome para Avante. Agora está no antigo PEN, rebatizado de Patriota. O culpado pela última mudança foi Jair Bolsonaro. O líder das pesquisas prometeu se filiar à legenda nanica, mas desistiu na última hora. Abandonada pelo capitão, a sigla decidiu abrir as portas para o cabo.

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cartaCartaCapital


A turma do 1%
Brasil dá vexame em uma pesquisa sobre mobilidade social no mundo.


Fator PCC
Os ataques da facção paulista em Minas Gerais surpreendem o governador Sérgio Pimentel, que esperava colher frutos da redução da violência no Estado.


Mino Capital e seus botões ousam recomendar Celso Amorim como candidato de Lula à Presidência da República.


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