Istoé aborda o registro de candidatura do ex-presidente Lula

À luz da lei da Ficha Limpa, petista não poderá concorrer ao Planalto.

Da redação,
istoeIstoé

Lula fora do páreo

Para evitar a esculhambação do processo democrático, TSE se articula com o Ministério Público Eleitoral para barrar até o dia 23 de agosto a candidatura ilegal de Lula. A decisão já está tomada, à luz da lei da Ficha Limpa: o petista não poderá concorrer ao Planalto.

Nos últimos dias, a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral associaram-se numa estratégia para tentar evitar o que consideram um grande risco para o País: a desmoralização do processo democrático brasileiro, com a imposição de candidaturas que, por infringir frontalmente a lei, não poderão chegar às urnas em outubro. O conceito se aplica a todos os candidatos, mas carrega em seu bojo um objetivo principal: evitar a candidatura ilegal do ex-presidente Lula, preso na sede da Polícia Federal em Curitiba. O potencial de estrago de Lula é considerado maior por suas características bem peculiares. Mesmo preso, inapelavelmente condenado em duas instâncias por crime de corrupção, o petista aspira à Presidência da República. 

Convencido de sua influência sobre o PT, da sala-cela de 15 metros quadrados, Lula segue como uma espécie de morubixaba da legenda, a orientar advogados e militantes a promover, sem qualquer pudor, chicanas das mais variadas a fim de prolongar ao máximo a aura de candidato que orbita em torno dele. A narrativa de vítima interessa politicamente a Lula e ao candidato a ser escolhido por ele. O ungido é quem irá personificá-la nas urnas. É esse jogo tão óbvio quanto indecente, por flagrantemente ilegal, que o TSE quer barrar no nascedouro. 


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Ditadura com eleição

Por meio do voto, autocratas chegaram ao poder na Venezuela, na Rússia, na Polônia, na Hungria, nas Filipinas... E nós? Corremos esse risco?

Desde a última quinta-feira (2) — fechadas as alianças cruciais entre os partidos, encerrados os conchavos mais relevantes e aplicadas as últimas rasteiras entre os candidatos —, as principais peças do jogo eleitoral estão sobre a mesa. E o que se vê materializado sobre o tabuleiro é mais alarmante do que o que se antevia no horizonte da especulação. A dois meses das eleições, 35 partidos políticos com pouca ou nenhuma representatividade junto à sociedade, e que formaram alianças com base nos princípios da conveniência e do oportunismo, tentam capturar a atenção de um eleitorado em estado de profunda desesperança — 61 milhões não sabem ainda em quem votar. 

Era uma vez um bônus

O Brasil passou meio século desfrutando o perfil demográfico ideal para um país que quer enriquecer e se desenvolver. Não soube aproveitar a chance.

Pelo menos uma vez na história, todos os países passam por um período especialmente favorável ao desenvolvimento, em que a parcela da população economicamente ativa, com idade para trabalhar, entre 20 e 64 anos, cresce mais rapidamente do que a fatia dos idosos e crianças, que não se sustentam sozinhos. A esse intervalo positivo de tempo, que dura por volta de cinquenta anos, dá-se o nome de bônus demográfico. Com mais gente dentro do que fora do mercado de trabalho, gera-se riqueza e fica mais fácil promover a educação, a saúde e a qualidade de vida. Bem administrado, o bônus demográfico é a porta de entrada para o mundo desenvolvido. Mal aproveitado, é a perda de uma chance de ouro para saltar de patamar. O Brasil, infelizmente, a perdeu. A janela brasileira se abriu em 1970 e se fecharia em 2023, ou seja, já era um prazo apertado para virar uma mesa abarrotada de problemas. Agora, uma revisão de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) levou especialistas à suspeita de que o bônus pode ter começado a se fechar já em 2018. Ou seja: pela primeira vez, o contingente de brasileiros aptos para o trabalho vai crescer em ritmo mais lento que o da população em geral.

Isso significa que o Brasil continua tendo muito a fazer, só que em condições bem mais desfavoráveis. Não é impossível avançar, mas o país terá de encontrar caminhos para fazer mais com menos gente produtiva. 


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A candidata do silêncio

A estratégia de Marina Silva para chegar à presidência

Sem o séquito de costume, a ex-senadora Marina Silva chegou abatida a um ginásio de esportes em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, numa noite do começo de julho. Vinha de uma sequência interminável de compromissos, com o visual de sempre: trajes neutros — casaco branco de risca de giz e calça azul-marinho —, cabelo amarrado num coque e olheiras disfarçadas por uma maquiagem suave. Ao discursar para uma plateia de cerca de 300 pessoas, errou um nome — Almickin por Alckmin —, trocou a idade de um correligionário — 60 em vez de 70 — e fundiu as palavras Deus e Jesus — Jeus. A campanha nem bem começou e Marina já está cansada. Sem dinheiro, acorda às 4 horas da manhã para pegar o voo mais barato do dia e dorme de favor na casa de apoiadores quando viaja para compromissos.

Em sua fala, Marina enfatizou que esta será a mais difícil de suas três disputas pela Presidência da República. “Em 2010, pelo menos eu tinha um minuto e 20 segundos (de tempo de TV). Em 2014, dois minutos e 20 segundos. Agora vamos ter oito segundos. Oito segundinhos. Não dá nem para dizer ‘bom dia’ direito”, afirmou à plateia. Depois de listar os reveses, ela incorporou o otimismo e desafiou os presentes a dar início a uma transformação da política: “Será a luta do tostão contra o milhão. De Davi contra Golias. Mas a gente só precisa de uma pedrinha certeira no dia 7 de outubro. A pedrinha é o voto consciente de cada um de vocês”, disse, com dedo em riste e tom mais exaltado que o de costume. Houve quem se emocionasse.



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O galope autoritário

Bolsonaro é a ponta do iceberg da seita dos adoradores do deus mercado, empenhados em manter os seus privilégios.

Exclusivo: O Papa Francisco recebe Celso Amorim, abençoa Lula por escrito e desenrola novamente o roteiro do golpe branco, como aquele que o Brasil sofreu com o impeachment de Dilma Rossef.


Até quando o PT pode indicar seu vice?

Lei fala em apresentação de candidatos em até 24 horas após o fim das convenções, mas registro pode ser feito até 15 de agosto


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