Época traz um perfil de Dias Toffoli, o próximo presidente do Supremo

Ministro assume a presidência do STF com a missão de diminuir os conflitos internos.

Da redação,

epocaÉPOCA

O negociador

Dias Toffoli quer menos barulho no Supremo

Num começo de noite de agosto, o ministro José Antonio Dias Toffoli caminhou até o gabinete do ministro Luiz Fux para uma conversa rápida e objetiva sobre os rumos do Supremo Tribunal Federal (STF). No próximo dia 13, ambos assumirão, respectivamente, as vagas de presidente e vice-presidente do STF, com mandato para os próximos dois anos. Sob forte ar condicionado, os dois ministros, embalados em terno, gravata e toga, chegaram a um consenso: temas polêmicos para julgamento no plenário do Supremo, só no ano que vem.

A decisão significa que o tribunal não vai reavaliar, até dezembro, a constitucionalidade das prisões de condenados em segunda instância, jurisprudência firmada pelo STF em 2016. Se o tema for reexaminado, existe o sério risco de reversão desse entendimento. O principal beneficiário de uma mudança pode ser o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba. Indicado para a Suprema Corte por Lula, de quem foi ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Toffoli, que, como presidente do STF, terá o poder de determinar a pauta de julgamentos do plenário da Corte, vai frustrar assim os petistas que sonhavam com a possibilidade de o ex-presidente ser solto durante a campanha presidencial.

“Depois de tanto problema que o país teve nos últimos quatro anos, como impeachment e um monte de investigação de autoridades, daqui até o fim do ano não será o momento de pautar questões polêmicas.


vejaVEJA

Fraudes nas redes sociais

Uma investigação sigilosa descobre que a Cambridge Analytica tinha, de fato, um plano para manipular a eleição no Brasil.

Desde a eleição de Barack Obama, em 2008, considerada a primeira campanha presidencial bem-sucedida na internet, cristaliza-se entre marqueteiros a ideia de que as redes sociais são o novo e principal palco da disputa eleitoral. A tese ganhou mais força com a fulminante ascensão de Donald Trump em 2016. Credita-se sua vitória a um conjunto de ações digitais exitosas e ao mesmo tempo controversas, como a criação de perfis falsos, o uso de robôs para multiplicar comentários, a difusão de fake news e o trabalho de um exército de hackers para atacar adversários. O FBI, a polícia federal americana, investiga outro fator que pode ter levado à consagração de Trump: a atuação de uma empresa inglesa de marketing político, a Cambridge Analytica, que manipulou ilegalmente dados de 87 milhões de usuários do Facebook.

A mesma nuvem turva que pairou sobre a eleição americana chegou ao Brasil, com seu rastro de artimanhas e ilegalidades concebidas para ludibriar o eleitor. As redes sociais são a um só tempo a solução e o problema. No território considerado sem lei da internet, apesar dos esforços de legislar sobre o ambiente digital, tem valido de tudo um pouco. As tentativas de enganar os eleitores envolvem marqueteiros, partidos e núcleos às vezes clandestinos das campanhas dos principais candidatos à Presidência, como se pode constatar na leitura das reportagens que vêm a seguir. Nelas, VEJA narra casos obscuros, que oscilam entre a malandragem e o crime previsto em lei, incluindo um plano da mesma Cambridge Analytica, já abortado, destinado a manipular o voto dos brasileiros.


istoeISTOÉ

Monitorados pela ditadura

Documentos aos quais ISTOÉ teve acesso mostram que os principais candidatos à Presidência foram monitorados de perto pela ditadura

Ao avaliar as chances eleitorais de candidatos do Acre ligados à esquerda nas eleições de 1989, o SNI aponta que “Maria Osmarina Silva de Souza”, que ficaria mais tarde conhecida como Marina Silva, é possuidora de “elevado potencial eleitoral”. Segundo o dossiê, Marina era militante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), participava, “há muito tempo”, do movimento estudantil, e tinha “participação marcante nas lutas dos trabalhadores”.

Os documentos mostram que Marina Silva, hoje candidata pela Rede, durante muitos anos teve também seus passos vigiados de perto. Em 1983, a estudante Maria Osmarina da Silva chamou a atenção dos militares por sua participação em um movimento grevista ocorrido na Universidade Federal do Acre, após a reitoria tentar aumentar o preço do bandejão de 100 cruzeiros (aproximadamente R$ 2 em valores atuais) para até 400 cruzeiros (R$ 8 em valores atuais). Marina foi apontada como um dos “elementos” que estiveram à frente das ações. “Indiscutivelmente, a vitória do movimento significa o fortalecimento do ME/AC, cujos líderes encontravam-se até então, desgastados junto à classe estudantil”, esclarece o relatório do SNI, da Agência de Manaus, de 20 de setembro de 1983. Com o tempo, Marina também foi espionada pelas suas relações com o Partido Revolucionário Comunista (PRC), conforme relatório do Comando do Exército de dezembro de 1987, que cita um episódio envolvendo o então presidente estadual do PT, Antônio Rodrigues. O petista isolou politicamente Marina e seu parceiro Francisco Mendes, mais conhecido como Chico Mendes. A candidata da Rede ainda foi acompanhada pelo SNI no final dos anos de 1980, durante as eleições municipais daquele ano, quando concorreu a uma vaga na Câmara Municipal de Rio Branco. O relatório aponta para as suas grandes chances de vitória.


cartaCARTA CAPITAL


Duelo à direita

Com a economia ferida e francoatiradores à espreita, o confronto entre Alckmin e Bolsonaro pelo voto reacionário vai esquentar com o início da propaganda na TV.

- Rio de Janeiro: Em uma das mais graves crises de sua história, o Estado também padece com a falta de alternativas políticas.

- EUA: Trump balança, mas não cai. Os críticos republicanos se foram e os democratas não o ameaçam a curto prazo.

- As redes sociais enganam: Quem acredita no impacto eleitoral do Facebook exagera na aposta, diz João Feres Júnior, especialista no assunto.

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