Época destaca a rotina de Marcelo Odebrecht na prisão domiciliar

Ele passa o dia em busca de provas que amenizem sua pena e esclarecendo as filhas sobre quem diz ser o real vilão do maior caso de corrupção do país.

Da redação,

EPOCAÉpoca

O príncipe quer vingança. A rotina de Marcelo Odebrecht na domiciliar.

Debruçado sobre a escri­va­ninha de madeira onde jazem um exemplar da revista britânica The Economist, duas pilhas pequenas de documentos, um antiquado telefone fixo branco, um porta-canetas e papéis para suas compulsivas anotações, Marcelo Odebrecht, de 49 anos, inicia mais um dia de trabalho. Às 8, já malhou por uma hora, tomou café da manhã apropriado para seu metabolismo hipoglicêmico (castanhas, produtos orgânicos e sem lactose) e vestiu camisa e jeans. Se alguém o visita, ele opta por um traje social. Mas está sempre com uma roupa a lhe cobrir as canelas por não querer que o vejam de tornozeleira eletrônica. Passado o desjejum, ele desaparece. Tranca-se no próprio escritório, onde permanece concentrado por coisa de 12 horas. Todos os dias. Memórias de mais um cárcere.

Moro se livra de processo contra ex-ministro do governo Lula e lobistas

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o juiz Sergio Moro envie para a Justiça Federal em Brasília informações relacionadas ao ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau e aos lobistas Milton Lyra e Jorge Luz, ligados a parlamentares do MDB.

O material fora encaminhado ao Paraná no ano passado após a denúncia do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra um grupo de senadores, entre eles os emedebistas Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR), por associação criminosa. Houve, porém, uma mudança no entendimento do tribunal para fixar em Brasília a competência para processar as pessoas não detentoras de foro relacionadas a este caso.

MP abre inquérito civil para apurar conflito de interesse envolvendo o presidente da Petrobras

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro abriu inquérito civil no início desta semana para apurar eventual conflito de interesse envolvendo o presidente da Petrobras, Pedro Parente. De acordo com a portaria assinada pela procuradora Daniella Piza, será verificada se há incompatibilidade entre o exercício do cargo e a participação de Parente como sócio da Prada Assessoria, empresa que atua no mercado financeiro. A apuração do MP partiu de uma representação da Federação Única dos Petroleiros (FUP).


VEJAVeja

A farra continua. O PTB arrastou o governo Lula para o escândalo do mensalão. O enredo se repete agora no governo Temer.

Alta cúpula do PT acredita que Lula será preso ainda neste mês

Lula diz que vai até o fim e que o partido não tem plano B. Mas na alta cúpula do PT, a avaliação é que o seu pedido de prisão possa acontecer ainda em março. Será um baque gigantesco nas possibilidades eleitorais do ex-presidente, tanto juridicamente quanto de imagem. Resta ao partido seguir com o discurso de que Lula está sendo perseguido ou, com a ajuda dele mesmo, criar um nome alternativo. Hoje, o PT está inclinado para a primeira opção.

O plano da Polícia Federal para o dia da prisão de Lula

Condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região a doze anos e um mês de prisão, Lula será recolhido ao cárcere tão logo seu recurso contra a sentença seja julgado no TRF4, o que deve ocorrer a partir do próximo dia 23. A cadeia, se nenhuma reviravolta acontecer, é uma questão de dias.

Para Maia, rejeição impede eleição de Alckmin

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira (2) que o pré-candidato do PSDBà Presidência, governador Geraldo Alckmin, não tem chance de vencer um eventual segundo turno porque “possui imagem negativa acima de 45%”. Para Maia, se uma candidatura alternativa de centro não for construída a tempo, os partidos vão “entregar a eleição para o PT, o Ciro (Gomes, do PDT) ou a Marina (Silva, da Rede)”. “Não precisa ser necessariamente a minha (candidatura), mas acho que o meu nome tem o apoio de alguns partidos importantes e pode nos dar a chance de disputar o segundo turno”, disse Maia, que se apresenta como possível presidenciável.

Operação das Forças Armadas termina com presos e apreensões no RJ

A operação das Forças Armadas com cerca de 1.400 militares realizada neste sábado na Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, terminou com cinco presos. De acordo com o Comando Militar do Leste (CML), houve o cumprimento de um mandado de prisão e a prisão de quatro pessoas em flagrante. Dos flagrantes, um foi desacato, outro foi desobediência e dois por posse de drogas.


ISTOEIstoé

A Operação do PT no Supremo Tribunal Federal

Na tarde de quarta-feira 28, um grupo de senadoras do PT e de partidos aliados apareceu inadvertidamente no gabinete da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia. Pega de surpresa, Cármen Lúcia se viu compelida a recebê-las. Entre outros assuntos, as parlamentares foram tirar o sossego do mais importante gabinete do Judiciário brasileiro para clamar pela liberdade do ex-presidente Lula. Cármen Lúcia as ouviu polidamente, sem dar qualquer sinal de como irá proceder na condição de presidente da Corte Suprema. Mas, a interlocutores, reconhece o incômodo com as indecentes pressões que vem recebendo – a das senadoras não foram as primeiras. Embora seja ela o alvo preferencial por ter a prerrogativa de preparar a agenda de julgamentos, Cármen Lúcia não está sozinha nessa. Nos últimos dias, a presença de amigos de Lula nos gabinetes do STF tem sido uma constante. A pressão é constrangedora pelo aspecto eminentemente político que a permeia: os integrantes da romaria ao Supremo são mais do que simples amigos do ex-presidente petista. São petistas que tiveram peso decisivo durante o processo de nomeação dos mesmos ministros que agora eles cortejam para que executem o serviço sujo, qual seja: livrar Lula da prisão, em contrapartida ao que esses emissários representaram para eles num passado nem tão distante.

As duas fases do governo

Pode ser qualificado como populista, oportunista ou qualquer outro adjetivo que se queira mencionar, mas é fato que o governo do presidente Michel Temer é um, antes do Carnaval, e outro, depois da folia de Momo. Assim, mutante, o presidente que até a quarta-feira de cinzas parecia ser um fardo para os aliados no jogo eleitoral que se aproxima, pode, agora, vir a ser um importante agente político de sua própria sucessão. Sabemos que há um longo caminho até a eleição, mas o País dará um grande salto se as forças políticas se mostrarem capazes de abandonar um pouco o Fla-Flu dos últimos anos e convergirem em torno de uma agenda mínima proposta por essa espécie de segunda gestão Temer.

A tropa de elite de Temer

Sob uma nova bandeira, a tremular no Palácio do Planalto desde o anúncio da intervenção federal no Rio, o presidente Michel Temer resolveu constituir um esquadrão de elite à altura de seus ambiciosos planos. Compõem a tropa o novo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e os recém-empossados Rogério Galloro, diretor-geral da Polícia Federal, e o general Joaquim Silva e Luna, ministro da Defesa. Caberá a eles não apenas combater a impiedosa escalada da violência no Brasil, mas colocar em marcha a arrojada meta de reformar as forças de segurança. Para um País carente de um projeto nacional de segurança pública, e em que os Estados se mostram de mãos atadas para enfrentar o crime organizado, não é pouco. Por isso, cumprido ao menos parte do objetivo, Temer terá turbinado o motor de seu destino: emergirá, provavelmente, como um dos senhores da própria sucessão, a mais acirrada desde 1989. Na quarta-feira 28, o capitão escolhido pelo presidente, ministro Raul Jungmann, adentrou o auditório Tancredo Neves do Ministério da Justiça para dar sua primeira entrevista coletiva acompanhado dos homens que escolheu para a sua equipe, a quem atribuiu como principais qualidades a “lealdade” e a “confiança”. O político Jungmann, fundador e filiado ao PPS, reuniu ao seu redor um corpo estritamente técnico. Ficou claro que ficará somente com ele mesmo os maneirismos da política. O restante dos seus assessores é gente preparada para tratar os complexos problemas da segurança pública brasileira com rigor estratégico e informações de inteligência.

Acabou o encanto

Em um cenário político de terra arrasada para o PT, o ex-governador da Bahia (2007-2014) Jaques Wagner despontava como a melhor opção para substituir Lula na cabeça de uma chapa à Presidência em 2018. O político baiano era um dos poucos nomes graúdos do partido a ter escapado incólume aos escândalos de corrupção que atingiram a legenda, levando seus principais líderes aos tribunais e prisões. O acarajé azedou na segunda-feira 26, quando a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram a Operação Cartão Vermelho, que investiga a obra de reforma para a copa da Arena Fonte Nova, em Salvador. Jaques Wagner e outros são suspeitos de participar de um esquema de fraude em licitações, superfaturamento, desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. O superfaturamento na reforma do estádio seria 190% acima do valor inicial, atingindo R$ 684 milhões. Atual secretário estadual de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Wagner estaria no centro desse esquema de propinas e caixa 2 envolvendo as empreiteiras OAS e Odebrecht, integrantes do consórcio Fonte Nova Participações (FNP), encarregado da obra. De acordo com a PF, o político recebeu R$ 82 milhões em doações eleitorais e propinas que ajudaram a financiar a campanha vitoriosa de Rui Costa ao governo baiano. A prisão preventiva de Wagner foi pedida, mas negada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), sediado em Brasília.


CARTACarta Capital

Enquanto congelava gasto social, Temer encheu cofre militar

Michel Temer é o primeiro presidente a ter um militar ministro da Defesa. Criador da pasta em 1999, 14 anos após o fim da ditadura, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou no dia da nomeação do general Joaquim Silva e Luna que um civil no cargo é “um símbolo de qual poder prevalece”. E completou: “Governos, sobretudo quando não são fortes, apelam para os militares.”

O apelo de Temer começou sem alarde, bem antes de ele botar um general para cuidar da segurança pública no estado do Rio de Janeiro. Foi pela via financeira.

As companhias estatais são determinantes para o desenvolvimento

O engavetamento, em novembro, do plano do governo Beto Richa de vender a  Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a premiação dessa estatal na quinta-feira dia 1º pela agência reguladora Aneel como a melhor distribuidora do País na visão do cliente sintetizam a vitória de uma das lutas mais importantes contra a privatização, iniciada em 2001 e que aglutinou 426 sindicatos, partidos, entidades estudantis e organizações populares, culminando na ocupação da Assembleia Legislativa e na derrota do plano de desestatização do governador Jayme Lerner.

Apesar de alta de 1% do PIB, indústria continua no "zero a zero"

Foram dois anos seguidos de uma recessão que fez a economia brasileira encolher 7% entre 2015 e 2016. Agora, há um suspiro de alívio com a expansão de 1% do PIB em 2017, que está longe de repor as perdas da crise e leva a economia brasileira a recuperar o mesmo patamar de 2011.

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