PT comemora 30 anos de fundação e vive a expectativa do "pós-Lula"

Deputado estadual Fernando Mineiro defende legado do partido, diz que legenda "amadureceu" e afirma que PT está preparado para o futuro.

Alisson Almeida,
Divulgação
O PT completa três décadas de fundação nesta quarta-feira com as atenções voltadas para a próxima sucessão presidencial. A data coincide com o fim do governo – após oito anos no poder – da maior liderança política da legenda: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o deputado estadual Fernando Mineiro, o partido “amadureceu” e “está preparado para o pós-Lula”.

“O PT está maduro sim para a era pós-Lula. O Lula vai estar sempre presente na vida do PT, não como presidente, mas estará presente”, declarou.

Mineiro lembrou que as próximas eleições serão as primeiras, após a redemocratização do país, em que o presidente Lula não participará como candidato. Mas o deputado aposta que, ainda assim, o petista terá papel fundamental na própria sucessão.

“A sociedade vai viver um processo eleitoral sem o Lula. Ele sempre participou como candidato. Agora, se enganam aqueles que acham que o Lula não estará presente [na próxima eleição]. Não estará presente como candidato, mas como o principal coordenador deste processo, vai influir nesta questão. É legal a gente viver o fim do governo do presidente Lula com os 30 anos do PT”, avaliou.

O PT “balzaquiano”


O deputado brincou com os 30 anos do partido,                                    Foto: Vlademir Alexandre
dizendo que, a partir de agora, a legenda 
“se torna uma instituição balzaquiana”. Mineiro defendeu a contribuição do PT para a democracia brasileira.

“Qualquer olhar honesto da história contemporânea brasileira verá as contribuições que o PT deu e vem dando à democracia no Brasil. Para mim, a coisa mais valorosa foi a incorporação de milhões de pessoas à cidadania política. Quem conhece minimamente a história partidária brasileira sabe que existe um divórcio entre os partidos e a sociedade e que boa parte da representação dos trabalhadores são excluídos da atividade política. Então o PT representa a entrada de outros atores para a atividade política”.

Mineiro disse que o PT “implementou políticas públicas que modificaram os executivos e os parlamentos brasileiros”. “Independente de quem goste ou não do PT, o modo petista de governar e legislar são realidades incorporadas ao estado brasileiro em muitos aspectos: orçamentos participativos, conselhos estaduais, a questão democrática, as políticas públicas, uma série de ações que têm a contribuição do Partido dos Trabalhadores”, defendeu.

Desafio
O maior desafio do Partido dos Trabalhadores no ano em que completa três décadas de fundação é fazer da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) a sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



Mineiro afirmou que Dilma está “preparadíssima” para suceder Lula, “porque ela é, em muitos aspectos, a responsável pelo sucesso do presidente Lula”. “Ela coordena a área de projetos, coordena o governo. Lula determina as orientações e quem executa é ela”.

O deputado destacou ainda o perfil da ministra como diferencial a favor dela. “Pela história que a Dilma tem, uma mulher de luta, em momentos cruciais da ditadura brasileira não se negou a colocar a própria vida em risco para combater [o regime]. O Brasil ganha muito com o pós-Lula em ser governado por uma mulher, mas uma mulher como a Dilma. Isso é um avanço político civilizatório sem precedentes”, animou-se.

Para Mineiro, o presidente Lula, mesmo deixando o governo, terá papel fundamental num eventual governo Dilma Rousseff.

“O papel dele será de torcedor e conselheiro. O presidente Lula está intrinsecamente ligado à história das lutas sociais no Brasil. Não vai pendurar as chuteiras da política. A nossa geração não verá um cidadão político como o Lula. Pode ver num outro período histórico, mas agora não, pela singularidade, pela origem e pela capacidade dele”.

História
O plano de criar um partido dos trabalhadores começou a ganhar força com o movimento grevista dos metalúrgicos do ABC paulista, liderado pelo então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia ganhou a adesão das Comunidades Eclesiais de Base – ligadas à Teologia da Libertação da Igreja Católica – e dos intelectuais de esquerda.


Essa articulação de forças heterogêneas culminou com a fundação oficial do PT, em plena ditadura militar, em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion em São Paulo (SP). Três décadas depois, o partido cresceu, mudou de perfil e conquistou a Presidência da República, cargo ocupado há quase oito anos pelo maior ícone da legenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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