Fala de Bolsonaro sobre Nordeste é 'antipatriótica' e 'incoerente', diz general

Segundo o integrante da Comissão da Anistia, o comentário “menosprezou” nordestinos.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Marcos Corrêa/PR
Antes de café com jornalistas, Bolsonaro cochichou com Onyx Lorenzoni, orientando-o a “não dar nada” ao governador do Maranhão.

O general da reserva, Luiz Rocha Paiva, criticou as polêmicas declarações do presidente sobre governadores do Nordeste, neste sábado (20). Segundo o integrante da Comissão da Anistia, o comentário “menosprezou” nordestinos, e é “antipatriótico” e “incoerente”.

Antes de iniciar café da manhã com jornalistas, nessa sexta-feira (19), o presidente cochichou com Onyx Lorenzoni (Casa Civil). Um microfone captou o áudio: criticou o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e orientou o ministro a “não dar nada” a ele.

“Tem que ter calma, mas mostrar pra ele o quanto perdeu com essa grosseria com que menosprezou uma região do Brasil e seus habitantes. Um comentário antipatriótico e incoerente para quem diz ‘Brasil acima de tudo’”, disse o general.

Em seguida, ele completa que não se trata de uma defesa dos governadores da região (em sua maioria, são de oposição), mas sim dos seus “irmãos nordestinos”. “O Nordeste é o berço do Brasil. Sabia disto presidente?”, completou.

Do outro lado do especto, Flávio Dino, alvo nº1 do comentário do presidente, disse que “se dirigir a um governador com esse nível de ódio é revelador sobre a personalidade dele”. “Bolsonaro tem uma visão muito sectária, está sempre pensando em que o acompanha. Não busca ampliar espectro, tem uma postura beligerante. É um Trump piorado”, completou.

Questionado se haveria algum motivo para o presidente dizer que o governo não deve “dar nada” ao Estado, se o Maranhão tinha alguma demanda com o Planalto, respondeu de pronto que não e o “espantoso” do episódio foi que foi “gratuito”, do nada.

O governador, que está no seu segundo mandato no Estado e já foi deputado federal, relembra que, mesmo nos anos de ditadura militar, Brizola e Montoro, por exemplo, faziam críticas ao governo e havia certo diálogo. “É da tradição haver diálogo entre governadores e presidente, mesmo quando são de oposição. Havia antes de Bolsonaro um patamar mínimo civilizatório”, alfinetou.

Tags: crítica declarações de Bolsonaro Luiz Rocha Paiva
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