PM é indiciado por homicídio doloso pela morte do filho de Benes Leocádio

Delegada responsável pelo inquérito disse que depoimentos e perícias comprovam que tiro partiu da arma de policial.

Flávio Oliveira,
Acervo familiar
Filho do deputado federal Benes Leocádio foi obrigado a dirigir para os dois adolescentes enquanto a dupla praticava roubos pela cidade.

Um policial militar foi indiciado por homicídio doloso no caso do filho do deputado federal Benes Leocádio (PTC), o Luiz Benes Leocádio de Araújo Júnior, de 16 anos. O estudante foi morto durante um tiroteio entre uma equipe da Polícia Militar e bandidos no bairro Pajuçara, após ser vítima de um sequestro relâmpago no dia 15 de agosto de 2018, no Tirol.

Na ocasião, o jovem foi obrigado por outros dois adolescentes a dirigir um carro enquanto a dupla de assaltantes cometia crimes pela cidade. Um dos infratores também morreu no mesmo dia e o outro foi apreendido em flagrante.

O inquérito da Polícia Civil foi concluído no final de janeiro deste ano e remetido ao promotor Luiz Eduardo Marinho, mas só veio à tona recentemente. A delegada da Divisão Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Taís Aires, afirmou que manteve a discrição sobre a conclusão porque aguarda a manifestação do Ministério Público.

"Eu não tinha divulgado antes porque eu aguardava algum pronunciamento por parte do Ministério Público. Porque o indiciamento é quando a autoridade policial entende que há indícios do cometimento de determinado crime. Então, esse indiciamento o promotor ele pode concordar e oferecer a denúncia nos mesmos termos do indiciamento. Ou discordar ou pedir arquivamento ou oferecer a denúncia em outros termos. Ou ainda ele pode baixar o inquérito em diligências, pedir mais diligências para poder formar a opinião dele”, disse Aires.

De acordo com a delegada, a investigação aponta que o tiro que matou o jovem saiu do fuzil de um dos policiais militares envolvidos na ocorrência. Os outros três PMs não foram indiciados.

“De fato foi indiciado um policial que efetuou o disparo. Foi individualizado. Quem estava portando o fuzil naquela ocasião e a balística foi bem determinante nesse sentido. Os depoimentos dos policiais também foram muito convergentes. Não teve contradição nos depoimentos deles. Então a gente conseguiu delinear bem direitinho qual policial tomou qual posição na frente do carro. Qual policial atirou em qual direção. Tudo isso confrontando o que tinha nos autos periciais com os depoimentos testemunhas. Obviamente, além dos policiais foram ouvidas várias pessoas”, explicou a integrante da DHPP.

Um outro detalhe revelado pela delegada é que não houve indiciamento de nenhum PM na morte de um dos adolescentes responsáveis pelo sequestro de Benes Leocádio Júnior. Mateus da Silva Régis, então com 17 anos, também morreu durante o confronto. “Com relação ao Mateus Régis, os indícios apontaram que com relação a ele, os policiais que o atingiram atuaram em legítima defesa porque ele de fato estava armado”, declarou Aires.

Investigações da Polícia Civil apontaram ainda que Mateus Régis também participou da ação que resultou na morte da policial militar de Santa Catarina Caroline Pletsch, em 26 de março de 2018. O adolescente também teria praticado um latrocínio contra um dono de uma lan house, na zona norte, em 11 de abril de 2018 e um fato análogo a furto em 2017.

Já o segundo adolescente, que havia sido apreendido em flagrante, teve direito à liberdade assistida pouco menos de um mês após o caso, concedida pela 3ª Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Natal. No entanto, o menor foi novamente apreendido apenas um dia depois, após novo pedido do Ministério Público à Justiça.

Tags: Benes Leocádio Júnior DHPP Polícia Civil
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