“Não estou dormindo direito”, diz delegado sobre Caso Andréia

Raimundo Rolim diz que trata investigação como prioridade por causa das duas filhas da dona de casa.

Fred Carvalho,
Fred Carvalho
Delegado Raimundo Rolim comandou escavações na rua
“Já faz alguns dias que não estou conseguindo dormir direito. Fico pensando em alternativas, nas denúncias anônimas, na solução desse crime, que passou a ser prioridade para mim. Não só pelo fato de dar uma resposta à sociedade, mas principalmente para ajudar as duas crianças que ficaram sem mãe para que elas cresçam sabendo o que realmente aconteceu com a Andréia”. O desabafo do delegado Raimundo Rolim mostra a dificuldade que a polícia está tendo para solucionar o sumiço da dona de casa Andréia Rosângela Rodrigues, de 37 anos, desaparecida desde o dia 22 de agosto deste ano.

O delegado trata o caso como sendo um assassinato com ocultação de cadáver. O marido de Andréia, o sargento da FAB Andrei Bratkowsi Thies, é apontado pela polícia como sendo o principal suspeito do crime. Na mesma situação de suspeitos figuram ainda os pais e o irmão de Andrei.

Na manhã desta terça-feira (9), Rolim teve mais uma frustração na investigação. Ele havia recebido uma denúncia anônima informando que o pai de Andrei, o aposentado Amilton Bratkowsi, havia contratado um trator para fazer a terraplanagem de duas valas na rua Severino Tavares de Farias, em Cidade Verde, num local distante cerca de 200 metros da casa em que ele morava. Esse serviço teria sido feito depois do sumiço de Andréia e antes da mudança da família para uma casa em Ponta Negra.

Mesmo com a escavadeira abrindo buracos em pelo menos três pontos da rua, nada foi encontrado. “Fiz o que tinha que ser feito mesmo. Recebi uma denúncia e vim averiguar. Vou proceder da mesma maneira toda a vez que receber qualquer informação sobre o paradeiro da Andréia, mesmo que não surta nenhum resultado prático”, assegurou.

Conjunto de interrogações
O delegado Raimundo Rolim voltou a apontar o sargento Andrei Bratkowsi Thies como suspeito do crime. “Há um conjunto de interrogações básicas para qualquer cidadão comum que o Andrei não sabe responder. Como pode alguém estar com a mulher desaparecida há cinco dias e não informar a ninguém do trabalho sobre esse drama? Por que a em que eles moravam foi alugada em nome dela, mesmo sem o consentimento da Andréia? O que realmente aconteceu no dia 22 de agosto, por que as coisas ditas por ele não coincidem com as ditas pelos pais e pelo irmão?”, questionou Rolim.

Um outro fato curioso para o delegado ocorreu no dia do sumiço de Andréia. “O Andrei, em depoimento, me disse que não tinha iodo trabalhar para ficar com a menina de onze meses em casa, uma vez que ela estava resfriada. Mas isso não era preciso, uma vez que Andréia já estava em casa e no dia anterior ele já havia levado a menina para ser medicada no hospital da Base Aérea, conforme registro na unidade hospitalar”, disse.

O sargento Andrei Thies continua preso na Base Aérea por posse ilegal de arma de fogo. Raimundo Rolim antecipou que, caso seja concedida a liberdade ao militar, ele poderá pedir a prisão temporária do suspeito.

* Atualizada às 12h45.
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