Líder de quadrilha planejou assalto e ordenou morte de irmão

“Big” planejou assalto contra o próprio irmão e ordenou que quadrilha o matasse. Ele é considerado foragido.

Thyago Macedo,
Reprodução/Thyago Macedo
"Big" tem passagem na polícia por desordem, porte de arma e falsificação de documentos.
Um crime planejado pelo próprio irmão. Foi assim que um empresário natalense teve a chácara invadida por cinco homens, que levaram tudo o que podiam. A quadrilha, no entanto, foi desvendada depois de investigações dos agentes do 12º Distrito Policial, do Santarém, em parceria com a Defur. Segundo a vítima, que não quis se identificar, “por burrice do próprio irmão”.

Ricardo Bruno Pinto Cabral, conhecido como “Big”, 26, é apontado pela polícia como o líder do bando e mentor do crime contra o parente, tendo inclusive ordenado a morte dele. Ele é considerado foragido e, depois do crime, chegou a ligar para o irmão perguntando a senha de um notebook roubado e se o mesmo queria comprar o celular que os bandidos levaram.

Além de comandar a quadrilha, informações dão conta que “Big” tem várias passagens pela polícia, por desordem, porte de armas e falsificação de documentos. Ele, inclusive, teria falsificado documentos como CPF, identidade e título de eleitor de um aposentado e, em seguida, comprado um carro em nome da vítima.

O Pólo vermelho, de placas DHV-6092, foi apreendido na casa do acusado aqui em Natal, assim como três identidades e outros documentos falsos.

Thyago Macedo

Paulista foi preso com arma do crime.
Durante as investigações, os policiais prenderam, na noite do último sábado, Rodrigo Soares Gomes, o “Paulista”, 21. Sua prisão foi mantida sob sigilo para não atrapalhar nas investigações. Com ele, a polícia encontrou uma arma, utilizada no assalto à chácara, aparelhos de DVDs, câmeras digitais e eletrodomésticos roubados.

A polícia investiga ainda a possibilidade de Paulista ter participado de “arrastões” em propriedades rurais da grande Natal. Além dele e Big, os agentes identificaram um terceiro homem que também está foragido. Nesta terça-feira (9), duas mulheres foram detidas e levadas a Defur sob acusação de cumplicidade e receptação no assalto à chácara.

“Gabi” e “Kaline” contaram a polícia que foram coagidas por Bruno. As duas alegaram que não tiveram participação no assalto, apenas estavam no Pólo vermelho com “Big” e souberam do crime no momento em que ocorreu. Depois disso, ele teria ameaçados as mulheres. O delegado Márcio Delgado ouviu as duas e explicou que vão responder por receptação culposa, quando não há intenção de participação no crime.

O assalto à Chácara

Carro comprado com documentos falsos foi usado no dia do assalto.
No dia 21 de setembro, o empresário, que pediu para não ser identificado, chegava na chácara dele, em Passagem de Areia, Parnamirim, quando foi abordado pelos assaltantes. Na ocasião, três homens armados renderam seis pessoas que se encontravam no local.

“Os homens nos mantiveram durante duas horas sob cárcere privado. Eles colocaram o caseiro no banheiro e me trancaram em um quarto. Em alguns momentos eles foram muito violentos, nos agrediram, nos ameaçaram e fizeram muita pressão psicológica”, disse a vítima.

De acordo com o empresário, o bando levou tudo o que podia. “O que você possa imaginar eles levaram: equipamentos eletrônicos, eletrodomésticos, jóias e dinheiro”, relatou. Além do fato de o líder da quadrilha ser o irmão do dono da chácara, a vítima relatou que escapou de ser assassinado.

“Meu irmão ficou esperando pelos bandidos do lado de fora da casa. Ele ordenou que me matassem. O próprio Paulista disse isso. Eles só não concretizaram o crime porque não me conheciam e me confundiram com outra pessoa que estava na casa”, narrou.

O empresário revelou a policiais que, durante o arrastão, um dos criminosos chegou a comentar que o bando era o mesmo que assaltou o deputado Nélter Queiroz. No entanto, o titular da Delegacia Especializada em Furtos e Roubos (Defur), Marcio Delgado, descartou essa possibilidade.
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