Grupo de Extermínio: PMs presos teriam envolvimento com mais de dez assassinatos

Entre as mortes atribuídas ao grupo estão a do americano Gerald Gusta, do agiota Jadson Dário, e um triplo homicídio. Cabeça da organização está foragido.

Fred Carvalho,
Reprodução/Fred Carvalho
Soldado Roberto Moura seria o líder da organização criminosa e está foragido
O grupo de extermínio desbaratado na manhã desta terça-feira (1º) em Natal teria envolvimento com pelo menos dez assassinatos. Entre as mortes atribuídas pela polícia à organização criminosa estão a do norte-americano Gerald Gusta Sisco, do agiota Jadson Dário Pessoa, e um triplo homicídio de três rapazes acusados de tráfico de drogas em Cidade Nova.

Até o final da manhã desta terça, nove dos doze mandados de prisão expedidos pelo juiz Ricardo Procópio, da 3ª vara Criminal de Natal, tinham sido cumpridos. Entre os presos estão os soldados PM João Maria Santos de Oliveira e Ricardo Alexandre Ferreira de Brito, ambos do 5º Batalhão da Polícia Militar, em Pirangi, e ainda o soldado da reserva Edílson Francisco de Souza.

Os demais presos até o momento são civis. São eles: Genilson Bezerra da Silva, Renier Alexandre, Francisco das Chagas Pereira Bezerra, Alany Mery Bezerra de Araújo, Cleninalda Bezerra de Araújo e Adriano Batista de Freitas.

O homem apontado como sendo o líder da organização criminosa, o soldado PM Roberto Moura do Nascimento, o Bebeto, ainda está foragido. Bebeto já havia sido preso em 2005 acusado de integrar um outro grupo de extermínio, mas acabou solto pela Justiça por falta de provas contra ele. Também estão foragidos o soldado PM Diogo Rodrigues dos santos, do 4º Batalhão, e o desempregado Josinaldo Pedro da Silva.
 

Fred Carvalho
Delegado Ronaldo Gomes comanda as investigações

Investigações
As investigações sobre a atuação de um novo grupo de extermínio em Natal e que culminou coma deflagração da operação Chacal nesta terça foram comandadas pelo delegado Ronaldo Gomes, titular da Divisão Especializada em Investigações e Combate ao Crime Organizado (Deicor).

“Desde o dia 16 de janeiro que estamos apurando uma série de denúncias e fatos ocorridos em Natal. Alguns crimes, principalmente as mortes do norte-americano e do agiota, foram muito parecidos. Por isso começamos a tratar como tendo sido cometidos pelo mesmo grupo. Resolvemos deflagrar a operação quando já tínhamos provas materiais e testemunhais suficientes contra cada um dos integrantes do grupo”, falou o delegado.

Segundo Ronaldo Gomes, o grupo cometia os crimes de extorsão mediante seqüestro e tráficos de armas, além dos homicídios em benefício próprio e por pistolagem (quando eram contratados para cometer os assassinatos). A polícia ainda investiga o envolvimento deles com o tráfico de drogas.

“Os crimes geralmente eram iniciados com pessoas que cometiam algum tipo de delito ou que se envolviam com as pessoas erradas. O agiota, por exemplo, havia emprestado R$ 85 mil a um homem de nome Josinaldo Pedro da Silva, que acabou contratando o grupo para matá-lo. Já no caso do americano, a suspeita é que ele tinha envolvimento com coisas erradas, que ainda não podemos falar o que seriam, e que acabou morto por não aceitar mais ser extorquido”, disse o delegado.

Ele falou ainda que há indícios muito fortes da participação do grupo no triplo homicídio ocorrido em janeiro no bairro Cidade Nova, na zona Oeste de Nata. Os mortos foram: Sysynem Francisco de França, de 17 anos, conhecido por Sysynho; Carlos Leandro da Silva, 22, o Carioca; e Danilo Pereira Felipe, 18, de apelido Galeguinho.

Os três estavam dormindo dentro de casa quando outros homens invadiram o local e efetuaram vários disparos de pistola ponto 40, arma de uso exclusivo das Forças Armadas. O crime foi cometido na travessa Otávio Rodrigues, numa região do bairro conhecida por Baixa do Campo.

As investigações também levaram à prisão do autônomo Vanildo Fernandes de Oliveira, em janeiro, em Apodi. Ele atualmente está preso na penitenciária de Caicó, acusado de envolvimento com o grupo.

Prisões
Dezoito delegados, 82 agentes de Polícia Civil e 50 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) participaram da operação Chacal nesta terça. Os mandados foram cumpridos nas casas dos presos. A polícia continua em diligência para prender os foragidos.

“O ideal é que essas pessoas, que ainda não foram localizadas, se entreguem o quanto antes à polícia. Até mesmo para evitar qualquer incidente na busca por elas”, falou o comandante da PM, coronel Marcondes Rodrigues Pinheiro.

Os civis presos estão em delegacias de Natal. Os policiais estão detidos no quartel do Comando Geral da Polícia Militar, no Tirol. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) já tenta a transferência de alguns deles para algum presídio federal.
A+ A-