Gerente do INSS nega envolvimento em fraudes

Francisco Canindé diz que desconhece acusações e apela para que opinião pública evite pré-julgamento.

Carlos Santos,
Gerente executivo da agência Mossoró do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Francisco Canindé da Silva se define como "transparente" e um homem de "boa fé". Essas características ele traçou em entrevista coletiva nesta quarta (10), às 15h, em seu gabinete de trabalho.

Após cinco dias presos, no arrastão da "Operação Via Salária" da Polícia Federal, que levou 23 pessoas à prisão, Canindé se diz surpreso com o envolvimento do nome dele no rol de supostos fraudadores da Previdência.

Com 25 anos de INSS que serão completados no próximo dia 18, Canindé filosofou sobre a própria vida para começar a se defender: "O que sou agradeço a Deus e aos meus pais; o que tenho, agradeço ao meu trabalho e à minha instituição".

Ele negou qualquer envolvimento ativo ou passivo com diversas irregularidades que teriam sido levantadas Polícia Federal. "O próprio juiz (magistrado substituto da 8ª Vara da Justiça Federal, Tércius Maia) entendeu que não havia razão para me manter preso", arguiu. "Vocês (a imprensa) sabem mais do que eu", transferiu. "Eu não tenho nada a esconder (...). Eu saí sem depor, mas estou à inteira disposição da Polícia Federal", adiantou.

Segundo versão da Polícia Federal, pelo menos R$ 5 milhões teriam sido desviados em golpes articulados em benefícios e perícia médica do INSS, envolvendo funcionários da autarquia, advogados e verdadeiros "despachantes" das ilicitudes. Entretanto Canindé ponderou que nunca soube de nada. Dizendo-se um "homem de equipe", não chegou a notar qualquer sinal de riqueza incompatível entre os servidores da agência (205).

Canindé informou, durante a coletiva, que a pedido dele a Superintendência do INSS no RN resolveu "dispensá-lo" do cargo. Será substituído pelo gerente executivo substituto, Francisco Osimar da Silva, com 23 anos de Previdência. Nesta quarta (10), a portaria já foi publicada. No dia 4 de outubro próximo, Francisco Canindé vai se afastar da Gerência, mas ficará trabalhando normalmente na própria agência.

Francisco Canindé, sem titubear nas palavras, pediu à opinião pública que evite pré-julgamento dos envolvidos e deixe "que a Polícia Federal investigue e a Justiça julgue". Comentou que não se sentia traído por qualquer um dos servidores do INSS ainda presos. "Até que provem que são culpados, são inocentes iguais a mim", comparou.

A agência do INSS de Mossoró tem jurisdição sobre 89 municípios e 11 unidades, movimentando até o momento neste ano o volume de R$ 655 milhões. Canindé está na Gerência Executiva há 62 meses.
A+ A-