Gangues: jovens morrem, mas brigas e ameaças continuam

Nominuto.com entrevistou dois rapazes, um de 17 e outro de 20 anos, que conhecem gangues e ambos lamentam ter perdido “chegados”.

Thyago Macedo,
Reprodução
No Orkut, alunos do Atheneu se exibem e ameaçam colega com camisa do Floca.
A participação de adolescentes e jovens em gangues de Natal é motivo de orgulho para a maioria deles. Contudo, a mentalidade voltada para a violência tem tirado a vida de muitos deles e nem mesmo isso diminui as brigas.

O Nominuto.com entrevistou dois rapazes, um de 17 e outro de 20 anos, que conhecem o funcionamento de uma gangue e ambos lamentam terem perdido “chegados” por causa dos conflitos.

O de 17 anos é ex-membro da Máfia Vermelha, torcida organizada do América-RN. Ele esteve na linha de frente do movimento durante quatro anos e confessa que se afastou do grupo por medo de morrer.

“Saí há oito meses. Não dava mais para mim, era muita treta, altos bichos querendo minha cabeça”, conta. Questionado se isso aconteceu por ele ser um membro participativo, o adolescente afirma: “era linha de frente da torcida”.

O ex-membro, que entrou na Máfia aos 13 anos, destaca que nos últimos anos perdeu cinco “chegados”. “Amigos mesmo de rocha, de está comigo, frente a frente, na consideração, perdi cinco”.

O último deles se chamava Alan. No Orkut, foi possível encontrar em comunidades e perfis dos membros da Máfia várias homenagens e manifestos de luto para Alan. De acordo com os envolvidos, isso quer dizer que ele era atuante.



Para o jovem de 20 anos, membro da Gang Alvinegra, brigar já virou rotina. “Perdi as contas de quantas participei. Hoje em dia até que estou na paz. Só entro na porrada se ‘Os Marias’ vierem provocar”.

“Os Marias” citado por ele são os integrantes Máfia Vermelha. O rapaz, que não quis se identificar, explicou ainda os motivos das brigas entre escolas.

“No Atheneu, por exemplo, só tem ‘Maria’, aí eles vêm de lá para cá [Churchill] e começa a porrada. Acontece que do lado de lá só tem corredor, a prova disso é que eles vêm com pedras e rojões, enquanto a gente vai na mão mesmo”, provoca.

O jovem de 20 anos destaca que já se vê uma pessoa mais madura e até pensa em sair da Gang. “Estou pensando em concluir o ensino médio e até fazer uma faculdade de Direito para nunca mais entrar em briga”.
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