Sem base de apoio, Eduardo Bolsonaro tem cenário desfavorável no Conselho de Ética

Governo age para evitar punição ao deputado por fala sobre AI-5, como quer oposição.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
Deputado Eduardo Bolsonaro causou reações indignadas de grande parte da sociedade civil ao insinuar a possibilidade de um novo Ato Institucional 5.

Se for mesmo parar no Conselho de Ética da Câmara, como quer a oposição, Eduardo Bolsonaro não encontrará um cenário amigável: três das quatro vagas do PSL, por exemplo, estão com a ala ligada a Luciano Bivar, em guerra aberta contra a família do presidente da República. O chamado “blocão” (Centrão e agregados) tem 24 das 42 vagas de titulares e de suplentes. Sem uma base de apoio até agora, o governo trabalha para evitar a qualquer custo que o caso da declaração do deputado de “novo AI-5” prospere no conselho, como sonha a oposição.

A oposição deverá protocolar o pedido de cassação de Eduardo na próxima terça (5) no Conselho de Ética. Automaticamente, o prazo para a defesa prévia é aberto. Só depois, os deputados votam pela admissibilidade ou não do pedido.

O presidente do conselho é Juscelino Filho (DEM-MA), considerado um moderado. Ao Estado, ele disse ver as declarações como “graves”, mas não entrou no mérito do decoro.

Um dos desafetos de Eduardo no Conselho de Ética é Delegado Waldir (GO), de quem o filho do presidente tirou a liderança da bancada do PSL. Waldir afirma que o processo será difícil para o filho do presidente. “Eles vêm incitando e armando a população. Ferem a Lei de Segurança Nacional. Eduardo deve pensar que está em Cuba”, diz.

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