"Não há nenhuma razão para impeachment", diz Lula a jornal argentino

Ex-presidente reconheceu, porém, dificuldades do governo com o Congresso Nacional.

Da redação, Com agências,

lula_blogs_330O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista ao jornal argentino Página 12 publicada neste domingo, que não há "nenhuma razão" para o impeachment da presidente Dilma Rousseff e que as denúncias de corrupção devem ser separadas da condução do governo.

"Não há nenhuma razão (para o impeachment), nenhuma razão para acusar Dilma. Todo mundo sabe o caráter do presidente" disse. "Há alegações de corrupção, mas que devem ser separadas da condução do governo".

Apesar de reconhecer as dificuldades do governo com o Congresso Nacional, Lula afirmou que o "dever" da presidente Dilma é governar, pois ela foi eleita por 204 milhões de brasileiros.

"Eu sei que hoje temos alguma incerteza na base política do governo por diferenças entre o Casa e o governo, entre os partidos políticos. Mas, se recuperarmos a harmonia política, também podemos resolver os problemas econômicos", disse.

Segundo Lula, é preciso ficar atento ao ciclo das ações do governo e que é preciso retomar os investimentos que, no entanto, dependem da credibilidade que as pessoas têm no governo.

"Se a economia não cresce o Estado não coleta. Se o Estado não recolher o Estado não investe. Se o Estado não investir os empresários não investem, porque eles não têm confiança. Se o Estado não recolhe por conta desse ciclo, o Estado terá que aumentar os impostos", afirmou, destacando que isso enfraqueceria o governo politicamente. "Ou seja, há toda uma engenharia que não está em livros de economia, porque é político".

Lula, que afirmou ter aprendido sobre economia com a mãe que era analfabeta, fez críticas ao governo Dilma, que semana passada enviou ao Congresso o Orçamento de 2016 com a exposição do rombo de R$ 30,5 bilhões.

"Você não pode gastar mais do que recebe. Você não pode gastar mais do que as receitas", disse. "Fazer política econômica é como dirigir as portas de uma hidrelétrica. Você tem que saber quando deixar a água e quando não. Você tem que gastar o que você pode gastar, limitado. Quando você adota uma política de isenção de impostos que você tem que saber qual será a consequência", afirmou.

O ex-presidente disse ainda que se dez economistas ficarem trancados em uma sala discutindo soluções para crise, a decisão será fazer "cortes, cortes e mais cortes". 

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