Em acampamento de Curitiba, clima de despedida

Grupo está 580 dias acampado na frente da PF, onde Lula está preso.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Hedeson Alves/EFE

Depois de 580 dias acampados em um terreno da esquina em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, os integrantes da “Vigília Lula Livre” se despediam em clima de festa na manhã desta sexta-feira (8). Durante os quase dois anos, revezaram-se integrantes da CUT, do MST e do PT no acampamento, para marcar a posição política dos grupos contra a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A Polícia Militar começou a isolar as ruas em torno do prédio para que carros e manifestantes não se misturassem nas ruas ao redor. A expectativa da direção do PT é que o ex-presidente possa falar com os ocupantes da vigília antes de seguir para São Bernardo do Campo e São Paulo.

“Nosso objetivo sempre foi de denunciar o sequestro político do ex-presidente e também que ele sentisse a nossa presença. De que ele não estava sozinho. Por isso organizamos os horários do bom dia, boa tarde e boa noite presidente, para que ele nos ouvisse”, conta Roberto Baggio, dirigente do MST e também coordenador da vigília.

Baggio destaca que foi uma experiência de organização popular com um objetivo político. Segundo ele, não havia reivindicações salariais ou de benefícios, apenas de posição política. “O mais notável é que foi em um centro urbano. Durante os 580 dias sem nenhum incidente, de convivência pacífica com a vizinhança”, completa.

A convivência nem sempre foi pacífica, como no episódio em que o delegado da Polícia Federal Gastão Schefer, vizinho do prédio, quebrou as caixas de som dos ocupantes da vigília e reclamou que a presença dos manifestantes acabou com a sua rotina doméstica. “Muito barulho. Minha filha recém-nascida tinha problemas para dormir e eu tinha dificuldades para entrar e sair de casa”, conta o delegado.

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