Morre aos 96 anos Hélio Bicudo, um dos autores do impeachment de Dilma

Ativista na área dos direitos humanos, jurista ganhou notoriedade ao combater o Esquadrão da Morte, organização paramilitar dos anos de 1970.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Rovena Rosa/Arquivo/Agência Brasil
Hélio Bicudo foi deputado federal por dois mandatos e vice-prefeito de São Paulo na gestão de Marta Suplicy, então filiada ao PT, de 2001 a 2005.

Após meses de complicações cardíacas, morreu no final da manhã desta terça-feira (31), aos 96 anos, o jurista Hélio Bicudo. Estava em sua casa, nos Jardins — e seus familiares não decidiram ainda o local para o velório. Uma de suas últimas atividades públicas foi participar das manifestações contra Dilma Rousseff, em São Paulo, e preparar, ao lado de Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal, a peça que embasou o pedido de impeachment da então presidente no Congresso.

Um dos fundadores do PT, e professor de Direito no Largo de S. Francisco, Bicudo foi um importante militante dos direitos humanos desde os anos 70, e se notabilizou pelo combate, naquela época, ao Esquadrão da Morte, que agia em São Paulo.

Em sua carreira passou pela Procuradoria-Geral em SP, foi presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, duas vezes deputado federal e, entre 2001 e 2004, foi vice-prefeito paulistano na gestão de Marta Suplicy. Deixa sete filhos e estava viúvo desde março passado, quando faleceu sua mulher, Déa.

Reale Jr. e Velloso o vêem como ‘exemplo de ética e coragem”

Parceiro de Hélio Bicudo, o ex-ministro e jurista Miguel Reale Jr. vê, no advogado e amigo, um exemplo de defensor incondicional da ética. “Hélio Bicudo era  uma combinação de coragem e espírito público. Lutou contra o Esquadrão da Morte, rejeitou o PT em nome da ética e integrou a equipe que conseguiu o impeachment de Dilma Rousseff em favor da seriedade na condução da coisa pública”. disse à coluna o jurista.

Amigo e admirador, também, da luta de Bicudo, o ex-presidente do STF Carlos Velloso elogiou, em especial, sua coragem. “Hélio Bicudo foi um grande brasileiro. Quando era difícil e perigoso propugnar pela liberdade, ele soube fazê-lo com valentia, pugnando pelo fiel cumprimento das garantias constitucionais. Corajoso, sobretudo ético, deixou o PT quando seus dirigentes desviaram-se da ética. Vai fazer falta”, disse Velloso.

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