‘Trabalho infantil não pode ser enaltecido’, diz procurador do MPT

Xisto Tiago de Medeiros Neto é o convidado desta sexta no ‘Diálogos - Podcasts Nominuto’.

Da redação,
MPT
Procurador regional do Ministério Público do Trabalho, Xisto Eduardo de Medeiros, falou sobre o trabalho infantil para o 'Diálogos - Podcasts Nominuto'.

“Trabalhava com nove, dez anos de idade na fazenda. Não fui prejudicado em nada. Quando um moleque de nove, dez anos de idade vai trabalhar, tá cheio de gente aí… Trabalho escravo, num sei o quê, trabalho infantil”. A polêmica fala do presidente Jair Bolsonaro para minimizar o trabalho realizado por crianças e adolescentes serviu para trazer à tona o debate sobre o problema no Brasil.

No entanto, ao contrário da maneira superficial abordada por Bolsonaro, o 'Diálogos Podcasts - Nominuto' desta sexta-feira (23) traz o tema de maneira séria e didática, com informações relevantes sobre a atividade ilegal no país. Para tanto, o procurador regional do Ministério Público do Trabalho (MPT), Xisto Tiago de Medeiros Neto, foi o convidado para uma conversa com os jornalistas Diógenes Dantas e Vanessa Camilo.

O procurador é enfático sobre a discussão: “Se você defende trabalho infantil, eu duvido que você mande seu filho para uma carvoaria. Para uma salina, para uma cerâmica, para trabalhar em uma oficina mecânica, para trabalhar em uma fábrica de costura, com movimentos repetitivos, em ambientes muitas vezes não seguros. Para trabalhar na plantação de sisal, na colheita do algodão, ao Sol, com trabalho exaustivo e calor insuportável. Trabalhar na pecuária, mineração, na rua como ambulante”, aponta Medeiros.

ARTE-H

No episódio de hoje também foram levantados os números do trabalho infantil, de acordo com a última pesquisa do IBGE, realizada em 2015. “Nós temos uma situação de evolução no combate ao trabalho infantil. De 1992 a 2015, nós temos dados que demonstram que houve uma retirada de crianças do trabalho infantil. Ou seja, houve uma diminuição do trabalho infantil de mais de 5 milhões de crianças e adolescentes. Portanto uma redução de mais de 60% do número que se tinham em 1992. Porém, mesmo assim ainda há uma estatística que foi colhida nas últimas pesquisas do IBGE que nós teríamos cerca de 2 milhões e 700 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho”, demonstra o procurador. No Rio Grande do Norte, esse número chega a 33 mil crianças e adolescentes.

“A conclusão que eu chego é que é uma grande incoerência e hipocrisia observar algumas pessoas enaltecerem o trabalho infantil sem que tenham o mínimo conhecimento sobre essa questão e sem pretendê-lo para os próprios filhos”, declara Medeiros.

Sobre a atividade que deve ser desenvolvida por crianças e adolescentes, o procurador não tem dúvidas. “O patamar civilizatório é que criança tem que estudar, senão vai ser excluída. Senão vai transformá-lo num adulto incompleto, sem as chances de vida que a dignidade requer”.


Ouça o programa na íntegra!



Perdeu o episódio anterior? “Diálogos - Podcasts Nominuto” traz a apresentação do jornalista Diógenes Dantas e locução de Vanessa Camilo. O programa vai ao ar todas as sextas-feiras, totalmente gratuito. Para acessá-lo e passar a segui-lo, basta digitar o nome do programa (“Diálogos - Podcasts Nominuto”) no campo de busca das plataformas Spotify, iTunes e SoundCloud.

Tags: Diálogos - Podcasts Nominuto
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