Eclipse total da Lua ocorre nesta sexta; veja dicas para acompanhar

Em Natal, fenômeno começa às 17h19 e terá duração de 3h09min.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Marcello Casal Jr/Arquivo/Agência Brasil
Eclipse total, que estará visível em todo o Brasil, será o maior registrado neste século e recebeu o nome de Lua de Sangue.

O mais longo eclipse lunar do século 21 poderá ser observado nesta sexta-feira (27), na maior parte do País. Mas quem quiser contemplar o fenômeno precisará prestar atenção aos horários, porque o eclipse total já terá passado da metade da duração quando a Lua cheia surgir no céu brasileiro.

No que consiste o eclipse lunar desta sexta?

O professor Paulo Bretones, do Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), explica que eclipses lunares só acontecem na fase cheia da Lua, quando ela penetra na sombra em forma de cone que a Terra projeta no espaço. “Imagine que o Sol está no centro de uma mesa, com a Terra girando em torno dele nesse mesmo plano. A Lua também está girando em torno da Terra, mas o plano de sua órbita é inclinado um pouco mais de 5 graus em relação à face da mesa. Embora a Terra projete sempre a sua sombra não a percebemos porque geralmente a Lua passa acima ou abaixo dela”, explica Bretones. “Assim, quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra e, além disso, o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse lunar.”

Ao passar entre o Sol e a Lua, a Terra produz uma sombra escura sobre o disco lunar – a umbra – e a penumbra, que é uma região cinzenta. Só quando a Lua está completamente mergulhada na umbra se considera que há um eclipse total em curso. O eclipse parcial ocorre quando só uma parte da Lua está na umbra. E o eclipse penumbral acontece quando só se vê a Lua coberta pela penumbra.

Em qual horário e de onde será possível observá-lo?

Todo o Brasil poderá ver nesta sexta-feira (27), o eclipse lunar. Quanto mais próximo do litoral leste do País (costa leste do Nordeste, áreas próximas ao litoral do Sudeste e do Sul), maior será o tempo de visualização do fenômeno. O eclipse só será visível - parcial ou totalmente - em metade do mundo: África, Europa, Ásia, Austrália e na parte leste da América do Sul. Os melhores posicionados para assistir ao espetáculo serão os habitantes da África, do Oriente Médio e da Índia.

A parte mais impressionante do fenômeno ocorrerá das 16h30, quando a Lua ainda estará abaixo da linha do horizonte. Em São Paulo, terá duração de 1h49, começando às 17h41. Entre as capitais, se não houver problema com nebulosidade, o maior tempo de visualização será em Recife, segundo a Climatempo, onde o evento terá duração total de 3h14min, com início às 17h15min, em Natal, onde o eclipse começa às 17h19 e terá duração de 3h09min, e em João Pessoa, onde o eclipse total lunar poderá ser visto por 3h12min, a partir de 17h16min.

Preciso de equipamentos específicos?

Você não vai precisar de nenhum equipamento especial para ver o eclipse lunar total, apenas dos seus olhos e de paciência, informa a Climatempo. Eclipses lunares podem ser observados a olho nu, mas se você tiver um binóculo, de preferência um especial para a observação astronômica, ou uma câmera fotográfica digital terá uma visão privilegiada.

Como fotografar o eclipse lunar?

O coordenador de fotografia da Agência Brasil, Marcello Casal Jr., dá algumas dicas de como fotografar o eclipse lunar:

- Usar um tripé e disparador remoto. A recomendação vale para câmeras ou smartphone;

- Evitar movimentos bruscos para que a câmera ou o celular não vibrem;

- No caso de câmeras profissionais, usar o ISO corretamente. O ISO mede a sensibilidade do sensor à luz. Quanto maior o ISO, mais sensível ele está e, com isso, amplia a claridade e captação de luz. Quanto menor o ISO, menos informações serão captadas;

- No caso de smartphones, que têm sensor pequeno e lente de dimensões reduzidas, é importante um bom enquadramento. A captação de nuvens podem ajudar a compor uma boa foto. "Timelapses” podem render boas e lindas misturas de fotografia e vídeo que captam a mudança de luz.

O que pode atrapalhar a visualização?

No período do eclipse penumbral, mesmo que o céu esteja sem nuvens, se você estiver num centro urbano, onde há muita luz artificial que produz o que os astrônomos chamam de "poluição luminosa", a visualização do eclipse não será boa quanto num lugar escuro, com pouca luz artificial . Mas se você for, por exemplo, para uma estrada onde já não tenha mais os postes de iluminação pública, já estará num local suficientemente escuro para ter uma visão mais nítida do eclipse, lembra a Climatempo.

Por que a lua visível nesta sexta está sendo chamada de “lua de sangue”?

Quando estiver totalmente imersa na umbra, a Lua não ficará invisível, mas deverá ganhará uma cor de cobre, avermelhada, “de sangue”. Isso ocorre porque, embora a sombra da Terra não deixe que os raios de Sol cheguem diretamente à Lua, ela é atingida por raios que são refratados pela atmosfera terrestre.

“Os componentes da luz branca que produzem as cores vermelha e laranja se espalham mais pela atmosfera, cobrindo o céu com essas cores semelhantes às que vemos no alvorecer e no crepúsculo. A refração transforma as cores em sombra, por isso a Lua fica avermelhada”, explica o professor Bretones.

E quanto à aproximação de Marte, é um fenômeno frequente?

De acordo com o jornal americano The New York Times, a oposição, como é chamada a aproximação, é um alinhamento que ocorre uma vez a cada dois anos. Durante esse evento, o planeta vermelho aparecerá mais brilhante que as estrelas. Normalmente, o planeta mais brilhante no céu da Terra é Vênus seguida por Júpiter. Mas, nesta sexta, Marte emanará tanta luz quanto elas.

A agência espacial americana Nasa tende a lançar suas missões espaciais a Marte nesses períodos de aproximação. Por exemplo, as missões que lançaram os robôs Opportunity e Spirit aconteceram em 2003. Naquele ano, a aproximação atingiu a menor distância em 60 mil anos.

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