Segundo dia de choques no Quênia tem mais mortos

Os manifestantes desafiaram uma proibição de aglomerações públicas imposta em todo o país pela polícia, que considera os protestos “inapropriados”.

BBC Brasil,
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Na quarta-feira, pelo menos quatro morreram em Kisumu.
Policiais e manifestantes voltaram a entrar em confronto nesta quinta-feira (17) no Quênia no segundo dos três dias de manifestações convocadas pela oposição para protestar contra o resultado da eleição presidencial do mês passado, que reelegeu o presidente Mwai Kibaki.

Segundo o líder oposicionista e candidato derrotado à Presidência, Raila Odinga, pelo menos sete manifestantes morreram nos confrontos na favela de Kibera, na capital, Nairóbi. A polícia, porém, reconhece apenas duas mortes ocorridas nessa favela nesta quinta-feira.

Os manifestantes desafiaram uma proibição de aglomerações públicas imposta em todo o país pela polícia, que considera os protestos “inapropriados”.

Segundo correspondentes da BBC, policiais têm dado tiros ao ar para dispersar aglomerações em várias cidades.

Além das manifestações em Nairóbi, houve protestos significativos também na cidade de Kisumu, um reduto da oposição no oeste do país – onde pelo menos quatro pessoas já haviam morrido na quarta-feira.

Sanções

Em Kisumu, militares vêm tentando liberar uma importante via que foi bloqueada por barricadas erguidas pelos moradores, e o enterro de uma das quatro pessoas que morreram na quarta-feira se transformou num evento político.

O chefe da polícia da cidade, Grace Kahindi, afirmou que os policiais não obedeceram às ordens para usar apenas gás lacrimogêneo e cassetetes durante os protestos na quarta-feira, mas serão supervisionados com mais atenção.

Os correspondentes da BBC na cidade relatam que tiros podem ser ouvidos em várias regiões de Kisumu.

Comunidade internacional

Nesta quinta-feira, representantes da União Européia devem decidir sobre a redução da ajuda financeira ao Quênia.

Na quarta-feira, as Nações Unidas fizeram um apelo internacional para arrecadar 34 milhões de dólares (R$ 60 milhões) em benefício das vítimas da violência no país.

De acordo com o chefe de ajuda humanitária da ONU, John Homes, o dinheiro que será arrecadado durante os próximos seis meses deve ser investido principalmente em alimentação para os quenianos.

A oposição alega que a eleição presidencial de dezembro foi fraudada para favorecer a reeleição do presidente.

As autoridades quenianas estimam que mais de 600 pessoas tenham morrido nos protestos que começaram após o pleito, mas Odinga diz que mais de mil morreram.
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