Reino Unido apresenta plano que dificulta imigração pós-Brexit

Ministério do Interior considera que 70% da força de trabalho europeia atual não responderia às exigências do novo sistema de pontos.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Daniel Leal-Olivas/AFP
Sistema de imigração atribuirá pontos de acordo com habilidades, diplomas e níveis salariais, sem diferenciar os cidadãos europeus e não europeus.

O governo britânico apresenta nesta quarta-feira o novo sistema de imigração por pontos que será usado no Reino Unido no pós-Brexit e dará prioridade às mentes "brilhantes" em detrimento dos "trabalhadores pouco qualificados".

"Nós respondemos às prioridades dos cidadãos através da introdução de um novo sistema de pontuação que reduzirá o número de imigrantes", disse a ministra do Interior, Priti Patel, em comunicado enviado na noite desta terça-feira (18).

Trata-se de um "momento histórico" que "põe fim à livre circulação", afirmou.

O sistema atribuirá pontos de acordo com as habilidades, diplomas e níveis salariais e tratará os cidadãos europeus e não europeus "igualmente".

Esta medida deve entrar em vigor em 1º de janeiro de 2021, no final do período de transição iniciado após o Reino Unido deixar a União Europeia em 31 de janeiro.

"Agora, os vistos serão concedidos apenas aos que tenham pontos suficientes", afirmou o comunicado, com o objetivo de "priorizar os melhores talentos", como "cientistas, engenheiros e estudantes universitários".

O ministério estima que está de acordo com a "mensagem clara" enviada pelo povo britânico no referendo de 2016 sobre o Brexit e nas eleições legislativas de dezembro. O controle da imigração havia sido uma das questões centrais das campanhas dessas duas consultas.

Para obter um visto de trabalho, você precisará de habilidades específicas, falar inglês e ter uma proposta de salário mínimo de 25.600 libras (30.820 euros) com antecedência. O nível de estudos exigidos foi reduzido de um diploma de licenciatura para o equivalente ao bacharelado, para permitir "maior flexibilidade".

Estas exigências suscitaram preocupações nos serviços públicos britânicos, como os serviços de saúde (NHS), que funcionam graças a trabalhadores estrangeiros muita vezes mal remunerados.

O Ministério do Interior considera que 70% da força de trabalho europeia atual e pouco qualificada não responderia às novas exigências.

O visto de estudante também seguirá um sistema de pontuação para "talentos de todo o mundo", com a condição de que tenham recebido uma proposta de um estabelecimento britânico, falem inglês e possam se manter.

Os cidadãos da UE e de outros países que têm acordos com o Reino Unido não precisarão de vistos para estadias inferiores a seis meses.

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