Protestos violentos em Barcelona deixam 128 presos e 207 feridos

Mais de 500 mil pessoas de várias regiões da Catalunha se reuniram para protestar contra prisão de líderes separatistas.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Pau Barrena/AFP
Separatistas catalães montam barricadas durante confronto com a polícia em Barcelona. Há relatos de uso de coquetéis molotov.

Uma greve geral de 24 horas e marchas paralisaram nesta sexta-feira (18), a região da Catalunha e sua capital, Barcelona, no quinto dia de protestos contra as condenações de nove líderes independentistas, que registraram novos confrontos. Segundo as autoridades, mais de meio milhão de pessoas tomaram o centro de Barcelona e o Paseo de Gracia foi tomado por uma onda amarela, vermelha e azul, as cores da bandeira independentista catalã.

Segundo o ministério do Interior da Espanha, ao menos 128 manifestantes foram presos e 207 policiais ficaram feridos nos confrontos, que tomaram a cidade. Houve queima de veículos e violência.

Palco de novos confrontos entre manifestantes e policiais - como testemunham o asfalto calcinado e as janelas quebradas -, a elegante avenida do Paseo de Gracia recebeu uma maré humana amarela, vermelha e azul, as cores da bandeira da independência. Milhares de pessoas que partiram na quarta-feira de cinco cidades da província, com faixas e bandeiras independentistas, estão em Barcelona para participar dos protestos.

Na metrópole catalã, onde milhares de estudantes já estavam mobilizados, os efeitos da greve eram claros. Mesmo pessoas contrárias à independência da região também saíram às ruas.

Josue Condez, de 34 anos e não separatista, se envolveu em uma bandeira espanhola e também queria participar da mobilização contra uma "sentença desproporcional" da Suprema Corte, que impôs sentenças de 9 a 13 anos a nove líderes separatistas por causa da tentativa de secessão de 2017.

"Sinto-me catalão e espanhol, não sou separatista, mas não podemos infligir 13 anos de prisão a um político eleito por organizar um referendo (ilegal), mais do que por homicídio", afirmou o técnico ferroviário.

ProtestosBarcelona2019

Depois de um início mais tranquilo, eclodiram confrontos entre militantes radicais que atiravam pedras e outros objetos contra a polícia perto da delegacia central da cidade. Vários focos de incêndios eram mostrados pelas televisões locais.

A Basílica da Sagrada Família fechou suas portas em razão de um protesto, enquanto a Ópera do Liceu cancelou sua programação e a maioria dos estandes do mercado Boqueria, muito famoso entre os turistas, permaneceram fechados.

No aeroporto, 57 voos foram cancelados, segundo sua administradora Aena. E várias estradas da região foram bloqueadas nas primeiras horas da manhã, segundo fontes locais.

No quinto dia da mobilização contra as penas prisão anunciadas na segunda-feira contra seus dirigentes pela tentativa de secessão, um sindicato independentista convocou esta greve geral para paralisar a região, que representa um quinto do PIB espanhol.

A montadora Seat paralisou suas atividades na fábrica de Martorell, perto de Barcelona, que emprega mais de 6.500 pessoas. "Os prejuízos econômicos para a Catalunha já são consideráveis", declarou a número dois do governo espanhol, Carmen Calvo.

Os distúrbios na Catalunha também provocaram o adiamento da partida prevista para 26 de outubro entre o FC Barcelona e o Real Madrid. Os clubes propuseram o dia 18 de dezembro deste ano para a realização do clássico pelo Campeonato Espanhol.

Novas barricadas

Este dia de mobilização foi precedido por uma noite de violência em Barcelona. Centenas de jovens, aos gritos de "independência", montaram barricadas no centro da cidade e lançaram coquetéis molotov na polícia, segundo testemunhas.

Uma agência bancária e uma loja de roupas foram saqueadas, de acordo com a polícia regional, que disparou balas de borracha contra os manifestantes.

Ativistas de extrema direita, opositores da independência, tentaram atacar um protesto separatista. As autoridades de saúde disseram que 42 pessoas ficaram feridas, a maioria em Barcelona, e a polícia regional deteve 16 manifestantes, 8 dos quais permaneceram presos.

Terça e quarta-feira, Barcelona já havia experimentado essas cenas de guerrilha urbana após os primeiros confrontos na segunda-feira durante o bloqueio do aeroporto por cerca de 10 mil manifestantes.

Segundo a polícia, mais de 110 pessoas foram presas desde o início da semana, incluindo 16 na quinta-feira à noite. Um total de 42 pessoas ficaram feridas na região na quinta, incluindo 36 em Barcelona, segundo os serviços de emergência.

O Ministério do Interior informou que mais de 200 policiais também ficaram feridos desde o início da onda de violência.

Nascida da frustração de uma parte da base separatista, dois anos após o fracasso da tentativa secessionista de 2017, essa violência marca um ponto de virada para o movimento separatista, que sempre se gabou de não ser violento.

A violência "prejudica seriamente as instituições e a reputação internacional da Catalunha", disse o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.

Nas ruas de Barcelona, como no resto da região, a questão da independência divide. Segundo a última pesquisa publicada em julho pelo governo regional, 44% da população é a favor da independência, enquanto 48,3% é contra.

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