Prejuízos com inundações em Veneza já somam R$ 4,66 bilhões

Museus, escolas e comércio começaram a reabrir; centenas de livros históricos sofreram danos irreparáveis.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Andrea Merola/Ansa
Moradores, comerciantes e empresários continuavam calculando o custo dos danos causados pelas inundações em Veneza.

Enquanto tenta retomar a normalidade, Veneza conta os prejuízos depois da pior inundação na cidade em mais de meio século, estimados pela prefeitura em € 1 bilhão (cerca de R$ 4,66 bilhões). A elevação das águas causou ao menos duas mortes e levou o prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro, a fechar a emblemática Praça de São Marcos na sexta-feira, reaberta ontem.

Por um lado, escolas e museus reabriram suas portas e os “vaporetti” – principal meio de transporte público – atravessam as águas da cidade, uma das joias do patrimônio mundial. Por outro, autoridades, comerciantes e empresários continuavam calculando o custo dos danos causados pelas inundações.

O Centro de Previsão de Veneza previa um máximo de 105 centímetros de nível de água para ontem. São níveis muito distantes dos 187 centímetros da quarta-feira e dos 150 centímetros que, no domingo, inundaram 70% do centro urbano. As previsões indicam que esses números permanecerão contidos nos próximos dias. O pico máximo será de 1 metro.

O Executivo aprovou € 20 milhões para um primeiro socorro, com compensação de € 5 mil para os moradores afetados e até € 20 mil para cada comerciante. Após a autorização para reabertura da Praça de São Marcos, lojas e restaurantes trabalhavam para reparar os danos e fazer a limpeza para retomar a atividade o mais rápido possível. A restauração dos danos causados ao patrimônio cultural é prioridade, a começar pela Basílica de São Marcos, que foi parcialmente inundada.

Ao todo, 60 igrejas da cidade ficaram alagadas e seus delicados mosaicos e calçadas foram infiltrados pelo sal marinho. Para evitar a corrosão rápida, a Superintendência do Patrimônio acredita que serão necessários € 60 mil para cada igreja.

A famosa biblioteca Acqua Alta foi uma das mais atingidas. De acordo com o jornal italiano Libreriamo, centenas de livros sofreram danos irreparáveis, apesar das precauções tomadas para lidar com situações como essa. 

Centenas de pessoas adquiriram os livros que ficaram molhados da histórica livraria Cafoscarina, enquanto estudantes de todas as idades se revezaram com seus secadores de cabelo na mão para secar as diferentes coleções de literatura, ensaios e história danificadas. 

Hotéis já começam a sofrer com os cancelamentos para as festas de fim de ano. Veneza, que tem aproximadamente 53 mil habitantes, recebe cerca de 36 milhões de turistas por ano, dos quais 90% são estrangeiros. 

O prefeito de Veneza anunciou a abertura de uma conta bancária para todos os que, na Itália e no exterior, desejarem contribuir com os reparos. “Veneza, um lugar único, é um patrimônio do mundo todo”, escreveu Brugnaro em um comunicado.  

A esperança em Moisés 

Enquanto isso, a Itália discute a finalização do projeto Mose - Moisés, em italiano, e acrônimo de Módulo Experimental Eletromecânico. Trata-se de um projeto de comportas metálicas para proteger a cidade das inundações. Seu planejamento e construção já se arrastam há várias décadas e agora autoridades pediram sua conclusão o mais rápido possível. 

O plano de engenharia, apresentado em 2003, mas adiado por escândalos de corrupção, consiste em 78 barragens que sobem e bloqueiam o acesso à lagoa em caso de maré alta de até três metros de altura, em três pontos. O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, afirmou que o projeto está pronto "em 93% e será concluído na primavera de 2021".

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