Parlamento rejeita acordo do Brexit e oposição pede votação para tirar May

Agora, incógnita reside no que vai ocorrer após a derrota por 432 votos a 202.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Will Oliveira
Ativistas dos dois lados se concentraram desde de manhã à frente do Parlamento para passar sua mensagem aos deputados.

A Câmara dos Comuns do Reino Unido rejeitou nesta terça-feira (15) o acordo do Brexit entre o país e a União Europeia por 432 votos a 202. Negociado arduamente pela primeira-ministra britânica, Theresa May, o acordo enfrentou a resistência de um Parlamento hostil. Agora, a  incógnita reside no que vai ocorrer após a derrota.

A votação começou com com a análise de quatro emendas apresentadas pelos deputados do documento de 585 páginas fruto de 17 meses de negociações com Bruxelas. Uma delas foi rejeitada e as outras três retiradas de votação.

"Não, não é perfeito. E, sim, é uma fórmula de acordo", tinha admitido a chefe de governo conservadora na segunda-feira, enquanto pedia aos legisladores para "voltar a examinar o texto" com espírito aberto.

Em uma tentativa de salvá-lo ou pelo menos limitar a derrota, na esperança de conservar uma margem de manobra posterior, May apresentou uma carta na qual Bruxelas garante que a União Europeia (UE) quer evitar a aplicação de seu ponto mais conflituoso, o denominado "backstop".

Idealizado para evitar a reinstauração de uma fronteira física na ilha da Irlanda, por temor de ameaçar o Acordo de Paz de 1998, é um mecanismo pelo qual o Reino Unido permaneceria na união aduaneira europeia e a Irlanda do Norte continuaria sendo regida pelas regras do mercado único.

Mas só deve entrar em vigor se não for encontrada uma solução melhor no âmbito de uma futura relação que ambas as partes devem negociar após o Brexit, estabelecido para 29 de março. As novas garantias de Bruxelas, contudo, não pareciam superar a rejeição.

"Não poderemos respaldar o Acordo de Retirada nesta noite, queremos que a primeira-ministra volte à UE e diga que o 'backstop' deve desaparecer, porque não tem nenhum significado real", alertou nesta terça Arlene Foster, líder do pequeno partido norte-irlandês DUP.

Aliado-chave de May, que depende de seus 10 deputados para ter uma estreita maioria parlamentar, o DUP tinha a chave para esta votação: se aceitasse o acordo, poderia mudar a opinião de dezenas de eurocéticos do Partido Conservador. Isso, no entanto, não ocorreu.

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Plano alternativo?


Mostrando a profunda divisão que reina no país, ativistas dos dois lados se concentraram desde de manhã à frente do Parlamento para passar sua mensagem aos deputados.

"Votamos a favor do Brexit, queremos abandonar a União Europeia. E queremos que essa gente dentro da Câmara nos veja, nos escute e escute o que dizemos", disse Sally Smith, do ramo da construção.

"Pessoalmente, espero que o acordo seja rejeitado. Espero que todo o Brexit seja parado, que haja uma consulta popular, mas acho que os últimos dois anos política britânica demonstraram a loucura deste país", disse outra manifestante, Elena Useinovic, cercada de ativistas com bandeiras europeias.

Para reclamar a celebração de um segundo referendo, várias ONGs instalaram em frente ao Palácio de Westminster um barco em miniatura, batizado de "HMS Brexit". Sobre ele, uma ativista caracterizada como Theresa May se dirigia a um iceberg, e sua única salvação parecia ser um boia com a placa "Voto Popular".

Consciente de que se encaminhava para uma derrota retumbante, May tinha cancelado a primeira sessão de ratificação, prevista para 11 de dezembro, na esperança de obter alguma garantia adicional da UE.

Contudo, cinco semanas depois, pouco parece ter mudado. O que está em jogo agora é por quantos deputados a primeira-ministra pode perder: se forem poucas dezenas, pode tentar convencê-los em uma segunda votação; se beirarem uma centena, ela fica à beira de uma moção de censura.

Após a rejeição do texto, o governo de May deve apresentar um plano alternativo em até três dias úteis - ou seja, até segunda-feira (21).

Mas ele pode ser emendado pelos parlamentares com suas próprias propostas, então todas as opções estão abertas: um Brexit sem acordo, de consequências catastróficas, até um segundo referendo, com esperança de voltar atrás.

Tags: acordo do Brexit Theresa May
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