Oposição do Quênia quer nova eleição presidencial

Mais de 300 pessoas morreram e 180 mil tiveram que deixar suas casas por conta da onda de violência que começou depois de denúncias de irregularidades nas eleições.

BBC Brasil,
A oposição do Quênia pediu nesta sexta-feira que sejam realizadas novas eleições presidenciais, depois de acusar o presidente reeleito Mwai Kibaki de ter fraudado os resultados da votação na semana passada.

Um porta-voz da oposição disse que Kibaki deveria deixar o cargo e um governo provisório deveria realizar novas eleições, com monitoramento internacional, dentro de três meses.

Um porta-voz do governo, Alfred Mutua, disse que Kibaki, em princípio, não se opõe a novas eleições, desde que elas sejam ordenadas pela Justiça.

“O que quer que o tribunal ordene, o presidente vai obedecer. O que ele está dizendo apenas é que o processo legal deve ser seguido”, disse Mutua.

Mais de 300 pessoas morreram e 180 mil tiveram que deixar suas casas por conta da onda de violência que começou depois de denúncias de irregularidades nas eleições.

O chefe do escritório da ONU para assuntos humanitários em Nairóbi disse que cerca de 500 mil pessoas precisam de ajuda imediata.

Eleições

A política no Quênia vem sendo marcada por tensões étnicas desde sua independência, em 1963.

Enquanto Kibaki depende basicamente do apoio do principal grupo étnico, os Kikuyus, o líder da oposição Raila Odinga conta com o apoio dos grupos Luo e Kalenjin, terceira e quarta maiores etnias do país.

Anyang Nyongo, secretário-geral do Partido Movimento Democrático Laranja (ODM, na sigla em inglês), de Odinga, reiterou as acusações de fraude eleitoral contra Kibaki.

"A crise atual não foi causada pelo povo do Quênia - foi causada por Kibaki e seus homens, que alteraram os resultados depois que o povo votou", disse ele à BBC.

Anteriormente, a oposição já havia descartado levar o caso para a Justiça, alegando que as cortes são controladas pelo governo.

Mas segundo o correspondente da BBC em Nairóbi Grant Ferrett, tanto o governo como a oposição estão tentando demonstrar maior flexibilidade.

Tutu

Na quinta-feira, o bispo sul-africano Desmond Tutu foi para o Quênia, em uma tentativa de ajudar na mediação do conflito.

“Há muita esperança de um acordo – tanto o ODM quanto o governo indicaram que eles estão abertos às possibilidade das negociações”, disse o bispo.

Nesta sexta-feira, a polícia reforçou a segurança em Nairóbi, capital do Quênia, para impedir novos protestos contra a reeleição do presidente Mwai Kibaki.

As ruas foram reabertas ao tráfego de automóveis, e algumas lojas e negócios abriram, enquanto a cidade tenta retornar à normalidade.

Na quinta-feira, a polícia usou jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão que pretendia protestar em um parque no centro da cidade.
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