Negociações são suspensas e nova paralisação do governo americano se aproxima

Democratas rejeitam financiar mais centros para pessoas detidas pela imigração, medida exigida por republicanos para acelerar deportações.

Da redação, Estadão Conteúdo, com Reuters e WP,
Ariana Drehsler/AFP
Republicanos querem aumentar o número de centros de detenção como parte da sua política para acelerar a deportação de imigrantes.

As negociações no Congresso americano sobre a segurança nas fronteiras para evitar outra paralisação do governo foram interrompidas durante a discussão sobre as políticas de detenção de imigrantes, disseram neste domingo (10) políticos e funcionários com conhecimento no assunto.

“As conversas estão paralisadas”, disse o senador Richard Shelby ao programa Fox News Sunday. Ele disse ainda esperar que os parlamentares possam voltar em breve à mesa de negociações.

Os esforços do Congresso americano para resolver o impasse sobre o financiamento da segurança de fronteiras cresceram no sábado e se estenderam durante o fim de semana com um painel especial indicado para tentar alcançar um acordo até segunda-feira.

Mick Mulvaney, chefe de Gabinete interino da Casa Branca, disse ao programa Meet the Press neste domingo que outra paralisação do governo americano não está descartada. "Digamos que a ala esquerda do Partido Democrata prevalece nesta negociação e propõe um projeto de lei com, digamos, zero dinheiro para o muro ou US$ 800 milhões, um número absurdamente baixo. Como ele vai assinar isso? Não pode assinar", acrescentou.

“O presidente realmente acredita que há uma crise de segurança nacional e uma crise humanitária na fronteira, e ele fará algo sobre isso”, ressaltou Mulvaney.

Imbróglio

O último fechamento parcial do governo, que começou no dia 22 de dezembro, paralisou um quarto da administração durante 35 dias depois que Donald Trump pediu mais fundos para a construção de um muro na fronteira com o México. Ele quer US$ 5,7 bilhões para a obra, mas os parlamentares tentam chegar a um valor entre US$ 1,3 bilhão e US$ 2 bilhões.

O presidente acabou cedendo à pressão popular e assinou um decreto que concedeu fundos à administração até o dia 15 de fevereiro, sem dinheiro para o muro, permitindo, assim, sua reabertura após o fechamento parcial mais longo da história dos EUA. Durante estas três semanas, um comitê bipartidário com membros da Câmara dos Deputados e do Senado negocia uma solução para que não ocorra outra paralisação.

Além dos recursos para a construção do muro, outro ponto de discórdia tem sido a demanda dos democratas para que se financie menos centros para pessoas detidas pela imigração americana do que o governo Trump gostaria. Os republicanos querem aumentar o número como parte da sua política para acelerar a deportação de imigrantes.

Essa foi a causa da suspensão das negociações, de acordo com Shelby. Segundo o senador, os democratas querem um limite para as detenções dos que chamou de "criminosos", enquanto os republicanos não querem limites. / Reuters e Washington Post

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