Petrobras financiará programa de proteção ambiental em Pirangi

Objetivo maior é tornar Ponta de Pirangi Unidade de Conservação Ambiental.

Luana Ferreira,
Elpídio Júnior
"A área recifal de Pirangi deve ser usada de maneira um pouco menos acelerada e mais organizada"
Os recifes costeiros da Ponta de Pirangi, um dos mais visitados cartões postais do Rio Grande do Norte, recebem, a partir de abril deste ano, um projeto de aprofundamento de conhecimento da área e preservação ambiental.

A iniciativa é da ONG Oceânica, que se inscreveu no Programa Ambiental da Petrobras e acaba de ganhar o concurso. Nos próximos dois anos, a ONG, que é formada por 13 pessoas, a maioria professores da UFRN, mais colaboradores, vai se ocupar em conhecer as particularidades do local, envolver a comunidade no estudo, detectar áreas que precisam de proteção e, talvez o mais importante, elaborar o projeto para tornar a Ponta de Pirangi uma Unidade de Conservação Ambiental.

Segundo a bióloga Liana Mendes, membro da ONG desde a fundação, em 2001, apenas 0,01% do território brasileiro é definido como Unidade de Conservação, que estabelece normas para visitas, exploração e outras atividades. "A área recifal de Pirangi deve ser usada de maneira um pouco menos acelerada e mais organizada para que esses recursos naturais sejam contínuos", explica.

O local, como é comum em recifes costeiros, possui uma alta biodiversidade em organismos marinhos e é área de ocorrência de polvos, tubarões, lagostas e até peixe-boi marinho, espécie em extinção.

A ONG espera com o projeto propor alternativas para problemas que a Ponta sofre, como o pisoteamento de recifes por visitantes, vazamento de óleo e colisão de animais marinhos com embarcações, poluição das praias, coleta de peixes de ornamentação para aquários e pesca desorganizada, entre outros. A comunidade será chamada a contribuir ainda na fase de mapeamento.
                                                                                                                                                       Liana Mendes


"A gente sabe o nome científico, a área de ocorrência, mas tem certos conhecimentos que só os pescadores que moram lá podem dar pra gente", continua a pesquisadora. Após a fase de diagnóstico, serão oferecidas oficinas participativas, palestras, exibição de vídeos e distribuição de CDs infantis para engajamento dos moradores na preservação daqueles recursos naturais.

"Queremos aliar a melhora da qualidade de vida dessas pessoas ao seu desenvolvimento socioeconômico e proteção do lugar. Acho difícil que a comunidade não queira estar por perto", considera, prevendo uma resistência "natural" ao projeto por parte das empresas de turismo.

O objetivo final da ONG é, no entanto, tornar o local uma Unidade de Conservação Ambiental e estabelecer normas de uso, como a criação de trilhas subaquáticas para turismo e regras para a pesca, considerada intensa. "Uma área protegida reabastece a região. O pescador que atua na área circunvizinha poderá dobrar sua produção", explica a pesquisadora.
                                                                                                                                                       Liana Mendes

O projeto, que por enquanto recebe o nome de Recifes Costeiros da Ponta de Pirangi/RN, foi um dos dois aprovados pela Petrobras no estado - o outro, Recuperar o Rio e Preservar a Vida, procurará revitalizar o rio Umari. Tem cerca de 20 pessoas envolvidas, a maioria alunos e professores da UFRN que já fizeram trabalhos de mapeamento no local. O investimento solicitado foi de R$ 900 mil.

A cientista
Liana Mendes ajudou a criar a Oceânica quando se mudou de Fernando de Noronha, onde fazia pesquisa, para Natal, em 2000. Um ano depois ingressou no quadro de professores da UFRN e passou a desenvolver pesquisas em áreas de recifes marinhos como Maracajaú e Pirangi.

Nasceu e viveu em São Paulo, onde fez graduação, mestrado e doutorado, mas é apaixonada pela vida marinha. "Quando eu comecei a pôr o pé no mar, sabia que nunca mais ia tirar."
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