Ministro da Fazenda argentino renuncia; crise se agrava em país vizinho

Nicolás Dujovne será substituído por Hernán Lacunza, que é secretário da Economia da província de Buenos Aires.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Reuters
Presidente da Argentina, Maurício Macri, e Nicolás Dujovne, que deixa o cargo de ministro da Fazenda em meio ao aprofundamento da crise no país.

O ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, renunciou ao cargo ontem e será substituído por Hernán Lacunza, que ocupava o posto de secretário da Economia da província de Buenos Aires. Às vésperas da eleição presidencial, em outubro, que definirá o futuro do atual governo, o país vizinho passa por uma grave crise econômica.

Dujovne deixa o cargo de ministro em meio a um aprofundamento da crise e após as eleições primárias de domingo passado, que deram um duro golpe nas aspirações de reeleição do presidente Mauricio Macri. 

A chapa do opositor Partido Justicialista, liderado por Alberto Fernández e que traz a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner como candidata a vice, obteve quase a metade dos votos nestas eleições obrigatórias, destinadas a confirmar as chapas para o pleito de outubro. O atual presidente recebeu pouco mais de 32% dos votos.

O resultado derrubou a bolsa argentina. A cotação do dólar, assim como o risco país – que mede a capacidade de cumprimento das obrigações financeiras pelo governo – dispararam diante do temor dos mercados de um retorno ao poder da ex-presidente argentina.

O baque foi sentido inclusive no Brasil, que tem a Argentina como principal destino de seus produtos manufaturados, já que a vitória da oposição representaria uma guinada na política econômica. 

A semana foi complicada no país vizinho. O peso teve uma depreciação de 19,91% em cinco dias, enquanto a bolsa de Buenos Aires perdeu 2,05% na última sexta-feira, fechando aos 30.406,65 pontos, e acumulou queda de 31,44% na semana.

Após a derrota nas prévias, e os dias de forte turbulência nos mercados, Macri anunciou uma série de medidas econômicas destinadas aos trabalhadores e às pequenas e médias empresas, como aumento do salário mínimo, congelamento de preços e pagamento de bônus adicionais aos argentinos.

“A renúncia de Dujovne deve ser mais um baque no já cambaleante governo Macri. Isso poderá aumentar a tensão na região e nos mercados ao longo da semana”, diz o economista-chefe da Necton, André Perfeito.

Em uma entrevista recente ao Estado, o ministro argentino da Produção, Dante Sica, admitiu que a velocidade do ajuste fiscal adotado pelo governo Macri foi um erro que ajudou a desencadear a atual crise. “Nós sofremos muitos impactos externos, que foram se agravando com o passar dos meses, além da seca, que prejudicou o agronegócio”, afirmou Sica.

Em sua carta de renúncia, reproduzida no site do jornal argentino La Nación, Dujovne reconheceu que foram cometidos erros em sua gestão, mas que a equipe fez todo o possível para corrigi-los. No texto, dirigido ao presidente Mauricio Macri, o agora ex-ministro disse que sua gestão teve conquistas, “na redução de déficits e gastos públicos, na redução de impostos distorcidos das províncias, na recuperação do federalismo”. 

Foi o ex-ministro quem articulou o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de US$ 57 bilhões, em 2018, mas que é bastante impopular.

O novo ministro terá a difícil tarefa de tentar trazer tranquilidade aos mercados e lidar com um país em recessão. A Argentina tem 32% da população abaixo da linha da pobreza e uma inflação anual na casa dos 50%.

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