Lula pede que não se vejam apenas 'coisas feias' do Mercosul

De acordo com o presidente, decisões como o fim da bitributação no comércio do bloco precisam ser adotadas logo para fortalecer a integração regional.

BBC Brasil,
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Lula se encontrou com presidente uruguaio em visita a Montevidéu.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu rapidez na implementação das medidas econômicas já definidas pelos representantes do Mercosul e fez um apelo para que as pessoas não vejam apenas as "coisas feias" do bloco.

"O Mercosul é como um filho que colocamos no mundo, mas só vemos suas coisas feias", disse o presidente, durante a 34ª Reunião de Cúpula do Mercosul, na capital uruguaia.

"É como se acordássemos todos os dias e víssemos ele sempre feio. Nariz grande", acrescentou Lula. "Vamos ver as belezas do Mercosul."

De acordo com o presidente, decisões como o fim da bitributação no comércio do bloco precisam ser adotadas logo para fortalecer a integração regional.

Segundo Lula, os técnicos muitas vezes dificultam a implementação de medidas que já foram adotadas politicamente.

O presidente citou como exemplos os acordos, agora já assinados, entre a Petrobras e a PDVSA, na Venezuela, e entre a Petrobras e a YPFB, na Bolívia.

Assimetrias

Lula disse que, sem a definição e o cumprimento de metas do bloco, os mesmos assuntos estarão sendo discutidos em dez anos. O presidente também fez um apelo por mais união no bloco.

"Se ficarmos sonhando em vender (isoladamente) para a União Européia e para os Estados Unidos, não avançamos", afirmou. "Mas, por isso, sou otimista com o Mercosul."

Além do presidente Lula, participam do encontro nesta terca-feira os líderes do Uruguai, Tabaré Vázquez, da Argentina, Cristina Kirchner, do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, e da Venezuela, Hugo Chávez.

Pouco antes da assinatura do Tratado de Livre Comércio (TLC) com Israel, o presidente Lula disse: "Esse acordo é muito importante, e que venham União Européia, Ásia... Por isso, quero que sejamos otimistas."

Flexibilidade

Na véspera, o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Reinaldo Gargano, voltou a pedir "maior flexibilidade" nas regras do bloco.

O chanceler uruguaio defende que cada país possa, sozinho, negociar acordos comerciais e outros entendimentos com países, como Estados Unidos, ou blocos, como a União Européia, entre outros, como ele mesmo citou.

"Vou reiterar a necessidade de se flexibilizar, dentro do bloco, as relações de cada país para que se possa negociar com terceiros países", disse o presidente uruguaio Tabaré Vázquez.

Especula-se que este poderia ser um dos temas do encontro do presidente Lula com o líder uruguaio, em uma reuniao bilateral, logo após o fim da reunião do Mercosul e antes do embarque de Lula à Brasília.

Apelo

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que participa pela primeira vez de uma reunião do bloco, concordou com Lula sobre a necessidade de se definir um cronograma para aprovação das medidas do Mercosul.

"Tem gente que não vê com bons olhos que nós, vizinhos, nos demos bem", disse Cristina.

Por sua vez, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou a fazer um apelo para que seu país seja, o quanto antes, membro pleno do bloco.

"A Venezuela merece um prêmio à resistencia, porque espera há anos anos para entrar no Mercosul", disse Chávez. "Não é que a gente não queria nada com o Norte, mas queremos sim, e principalmente, com o Sul", afirmou.

A expectativa é de que os presidentes do bloco assinem nesta terca-feira uma declaração de apoio à entrada da Venezuela no Mercosul. A iniciativa depende ainda de aprovação dos Parlamentos do Brasil e do Paraguai.
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