Israel e Jihad Islâmica anunciam cessar-fogo na Faixa de Gaza

Pouco depois do tratado, sirenes voltaram a ser acionadas com o lançamento de artefatos com direção aos israelenses.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Abed Al Hashlamoun/EFE
Homem foge com três crianças de confrontos entre palestinos e israelenses durante protesto.

Um acordo de cessar-fogo entrou em vigor às 5h30 (0h30 em Brasília) nesta quinta-feira (14), na Faixa de Gaza, informou uma fonte egípcia e um líder do grupo armado Jihad Islâmica. No entanto, após uma calma de quatro horas, sirenes antiaéreas voltaram a ser acionadas com o lançamento de artefatos a partir de Gaza.

"Foram disparados cinco projéteis a partir da Faixa de Gaza, com direção a Israel. O sistema de defesa Cúpula de Ferro interceptou dois dos projéteis", anunciou o Exército israelense em um comunicado.

O "acordo de cessar-fogo é consequência dos esforços do Egito" e obteve o aval das "facções palestinas, incluindo a Jihad Islâmica", destacou pouco antes o responsável.

Segundo a fonte, o tratado determina que as facções palestinas deponham as armas na Faixa de Gaza e "mantenham a paz" durante as manifestações. Israel também deve suspender as hostilidades e "garantir um cessar-fogo" diante dos protestos dos palestinos. Uma fonte da Jihad Islâmica confirmou o acordo.

Um oficial israelense já havia informado que o Exército suspenderia suas operações contra a Faixa de Gaza caso a Jihad Islâmica parasse com o disparo de foguetes em direção a Israel.

Ataque israelense mata família

Horas antes do anúncio, um ataque aéreo israelense matou seis membros de uma mesma família no enclave palestino.

"Seis membros da família Abu Malhous, entre eles três menores e duas mulheres, perderam a vida em um bombardeio israelense contra a casa da família em Deir al-Balah, no sul da Faixa de Gaza", informou o Ministério da Saúde deste território controlado pelo movimento radical islâmico Hamas.

Com as seis vítimas, o número de mortos na região subiu para 32 desde a terça-feira, quando o Exército hebreu iniciou uma série de ataques contra membros da Jihad Islâmica, em represália ao disparo de mais de 350 foguetes da Faixa de Gaza contra Israel.

No mesmo dia, um ataque aéreo matou o comandante da Jihad Islâmica Baha Abu al Ata e sua mulher.

O Exército hebreu acusa a Jihad Islâmica de utilizar escudos humanos para se proteger dos ataques israelenses. Os foguetes afetaram a vida no sul de Israel, onde as sirenes de ataques aéreos causaram cancelamento de aulas e forçaram as pessoas a permanecerem dentro de casa. Grande parte de Gaza parecia uma cidade fantasma, com quase nenhum veículo nas estradas, exceto ambulâncias que retiravam os feridos.

Na quarta-feira, o líder da Jihad Islâmica, Ziad al-Nakhalah, anunciou três condições para encerrar os conflitos: o fim dos assassinatos direcionados, a interrupção dos disparos de manifestantes israelenses em protestos semanais ao longo da fronteira e a suavização de um bloqueio de 12 anos que devastou a economia de Gaza.

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