Irã promete retaliar ataque a petroleiro na Arábia Saudita

Secretário de Segurança Nacional do País citou 'pirataria marítima'.

Da redação, Estadão Conteúdo,
O Irã prometeu neste sábado (12), uma resposta a um ataque feito na sexta-feira contra um de seus navios petroleiros na costa da Arábia Saudita, no Mar Vermelho. De acordo com o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do País, Ali Shamjani, foram esclarecidas pistas sobre quem preparou um ataque, segundo ele, com dois mísseis contra o navio Sabiti.

"A pirataria marítima e a maldade em zonas de aproveitamento marítimo internacionais não ficarão sem resposta", afirmou Shamjani, em declaração divulgada pela agênca de notícias oficial do Irã, IRNA.

"Ao revisar os vídeos disponíveis e as evidências reunidas pelos serviços de Inteligência, foram expostas as primeiras pistas sobre a perigosa aventura de atacar um petroleiro iraniano no Mar Vermelho".

A empresa petroleira National Iranian Tanker Company (NITC), proprietária do Sabiti, afirmou que o casco do navio registrou duas explosões em separado na sexta-feira, perto do porto saudita de Jidá. A empresa negou, porém, a informação de que o ataque tenha tido origem em território saudita. O incidente causou vazamentos de petróleo no Mar Vermelho, informou a NITC.

O ataque, que acontece após meses de tensões entre Irã e os aliados Estados Unidos e Arábia Saudita, atingiu dois depósitos na parte de cima do navio, de acordo com o Irã. A embarcação deve chegar a um porto iraniano em dez dias.

A Arábia Saudita quebrou o silêncio sobre o incidente, afirmando por meio de sua agência de notícias estatal que as autoridades receberam uma mensagem na sexta-feira vinda do capitão do Sabiti, dizendo que “a parte da frente do navio foi quebrada, resultando em um vazamento de petróleo no mar, originário dos tanques do navio”.

De acordo com os oficiais sauditas, o Sabiti continuou a se locomover e desligou seu radar eletrônico sem repassar mais informações, o que justificaria os ataques.

“O reino afirma seu compromisso com a segurança e defesa da navegação marítima, assim como a acordos e normas internacionais”.

A Arábia Saudita também afirmou que vai lançar uma operação de controle da poluição sobre o petróleo cru que saiu do navio iraniano.
Ataques a Saudi Aramco

Os EUA e os sauditas ainda estudam uma resposta a dois ataques com drones e mísseis feitos contra o maior campo de petróleo do mundo e uma refinaria saudita, há quase um mês. A queda das operações da estatal Saudi Aramco refletiram mundialmente no preço do barril de petróleo.

Os ataques fizeram com que os EUA anunciassem nesta semana o envio de 1,8 mil soldados à Arábia Saudita para tentar evitar novos ataques contra o reino.

A princípio, os rebeldes Houthi do Iêmen, financiados pelo Irã, reivindicaram o ataque, mas de acordo com investigações com apoio dos EUA, a Arábia Saudita concluiu que os mísseis iranianos vieram ao norte do País, o que indica o Irã como o responsável, e não ao sul, que provaria que as armas foram lançadas do Iêmen.

O Irã continua a negar a autoria dos ataques e disse que qualquer reação vinda dos EUA ou dos sauditas vai iniciar uma guerra.

Desde 2018 as relações entre os americanos e iranianos estão estremecidas, após o presidente Donald Trump ter decidido sair unilateralmente do acordo nuclear assinado com o Irã em 2015, em conjunto com nações europeias, e impôs sanções debilitadoras à economia iraniana por meio de tarifas sob o petróleo, sob a justificativa de que Teerã nunca cumpriu com os termos do acordo.

Estava prevista para domingo (13), uma visita do primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, ao Irã, após ter se encontrado com líderes da Arábia Saudita.

Neste contexto, o porta-voz do chanceler iraniano, Abbas Mousavi, havia afirmado na manhã deste sábado que o Irã estava pronto para dialogar com os sauditas “com ou sem um mediador”, para previnir desentendimentos que poderiam levar à exploração da situação por outros países.

Mousavi acrescentou que o Irã sempre esteve aberto para dialogar com países que buscam “uma região segura por meio da boa vontade”
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