Irã derruba drone espião dos Estados Unidos e eleva tensão no Golfo Pérsico

Países confirmam abate, mas divergem sobre violação do espaço aéreo iraniano.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Staff Sgt. Ramon A. Adelan/U.S. Air Force
Imagem do drone americano RQ-4 Global Hawk, similar ao derrubado nesta quinta-feira pelo Irã.
O Irã abateu um drone de vigilância dos Estados Unidos nesta quinta-feira (20), informaram autoridades americanas e iranianas, no mais recente episódio da escalada de tensões que gerou temores de uma guerra entre os dois países. Teerã e Washington divergiram, no entanto, quanto à questão crucial: se a aeronave havia violado o espaço aéreo iraniano ou não.

Autoridades iranianas disseram que o drone estava sobre o Irã, o que os militares americanos negaram - uma importante distinção para determinar quem está com a razão - e cada lado acusou o outro de ser o agressor.

Ambos os países disseram que a queda da aeronave ocorreu às 4h05 desta quinta no horário iraniano (0h05 no horário de Brasília). O drone "foi abatido por um sistema de mísseis terra-ar iraniano enquanto operava no espaço aéreo internacional sobre o Estreito de Ormuz", informou o Comando Central dos Estados Unidos em um comunicado. "Este foi um ataque não provocado em um ativo de vigilância dos EUA no espaço aéreo internacional."

No contexto das recentes trocas de ameaças entre Washington e Teerã, um ataque iraniano contra uma aeronave americana - ainda que contra um drone não tripulado - acrescenta outro ponto de discórdia à crescente lista de confrontos entre o Irã e os EUA.

Além disso o ataque acontece poucos dias depois de autoridades americanas culparem o Irã pelos recentes ataques contra navios petroleiros que também ocorreram perto do Estreito de Ormuz, via vital de grande parte do petróleo do mundo, uma acusação que o Irã negou. Nenhum dos navios atingidos era operado por americanos.

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Justificativa de Teerã

De acordo com a imprensa iraniana, um porta-voz da chancelaria do país afirmou que o sobrevoo de um drone americano no espaço aéreo do país foi um movimento "agressivo e provocativo" de Washington.

Hossein Salami, comandante-chefe da Guarda Revolucionária Iraniana, disse que cruzar a fronteira do país era a "linha vermelha" da sua corporação, segundo a agência de notícias semioficial Mehr. Ele disse que o abatimento do drone foi uma evidência de "como a nação iraniana lida com seus inimigos".

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"Não vamos nos envolver em uma guerra com qualquer país, mas estamos totalmente preparados para a guerra", disse Salami em uma cerimônia militar em Sanandaj, no Irã, de acordo com uma tradução da Press TV, uma mídia estatal. "O incidente de hoje foi um sinal claro dessa mensagem precisa, por isso continuamos nossa resistência."

A Press TV afirmou que o drone voou sobre o território iraniano sem autorização e informou que ele foi abatido na província de Hormozgan, ao longo da costa sul do país, no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. Tanto os EUA quanto o Irã identificaram a aeronave como um RQ-4 Global Hawk, um drone de vigilância fabricado pela Northrop Grumman.

Autoridades americanas disseram na semana passada que o Irã havia disparado um míssil terra-ar contra um drone sobre o Golfo de Omã, no mesmo dia em que dois navios-tanque foram atacados. Autoridades americanas culparam o Irã pelos ataques aos petroleiros, além de ataques semelhantes em maio contra quatro petroleiros perto dos Emirados Árabes Unidos, acusação que foi negada com veemência em Teerã.

Na quarta-feira, funcionários do governo americano tentaram reforçar o argumento de que o Irã foi responsável pelos ataques dos petroleiros dizendo a jornalistas que os fragmentos recuperados de um dos petroleiros tinham uma "notável semelhança" com minas usadas pelo Irã. Um oficial da Marinha também disse que a investigação encontrou impressões digitais e outras informações valiosas no local.
Tags: drone espião EUA Irã tensão no Golfo Pérsico
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