Francisco chega aos Emirados Árabes Unidos com pedido por cumprimento de acordos no Iêmen

Pontífice é o primeiro líder católico a visitar a península arábica, berço do Islã, e quer compromisso de Abu Dabi por trégua no conflito iemenita.

Da redação, Estadão Conteúdo, com AFP,
Andrew Medichini/Reuters
Papa Francisco é recebido pelo príncipe dos Emirados, Mohamed bin Zayed Al-Nahyan em Abu Dhabi.

O papa Francisco chegou neste domingo (3) aos Emirados Árabes Unidos (EAU) numa visita história, a primeira de um chefe da Igreja Católica à península arábica, berço do Islã. Antes da viagem, o pontífice pediu que os Emirados cumpram os acordos fechados para uma trégua na cidade portuária de Hodeida, no Iêmen, ponto crucial para a chegada de ajuda humanitária. 

O conflito no Iêmen opõe as forças pró-governo, apoiadas desde 2015 pela Arábia Saudita e os EAU, aos rebeldes houthis xiitas, respaldados pelo Irã e com o controle de grandes regiões no país, como a capital Sanaa. A Human Rights Watch pediu ao papa que aproveite a sua visita para falar justamente da situação dos direitos humanos no Iêmen.

"Estou partido para os Emirados Árabes Unidos. Vou até lá como um irmão para escrever junto com eles uma página de diálogo e alcançarmos juntos os caminhos da paz", escreveu o papa no Twitter pouco antes de seu avião aterrissar no aeroporto de Abu Dabi. 

A visita do pontífice será centrada em diálogos sobre as duas religiões. Um encontro inter-religioso internacional está previsto para esta segunda-feira.

Cerca de um milhão de católicos vivem nos Emirados, país adepto ao Islã de forma mais moderada. Um encontro entre o papa e o imã de Al-Azhar, a principal instituição do Islã sunita que fica no Cairo, o xeque Ahmed al-Tayeb. 

Diferentemente da vizinha Arábia Saudita, que proíbe a prática de outras religiões que não sejam o Islã, os Emirados Árabes Unidos querem projetar uma imagem de país tolerante. As autoridades controlam as práticas religiosas e reprimem a contestação política e a exploração da religião, inclusive pelos adeptos de um Islã político, encarnado pela Irmandade Muçulmana.

Anwar Gargash, ministro das Relações Exteriores, fez alusão a isso ontem em um tuíte no qual critica o Catar, boicotado pelos EAU e três de seus aliados, que o acusam de apoiar islamitas radicais, o que Doha desmente.

O ministro destacou a diferença entre o "mufti do terrorismo", em referência ao religioso Yusef al-Qardaui, considerado chefe espiritual da Irmandade Muçulmana, que é protegida pelo Catar, e o seu país, que acolhe um dos símbolos de "tolerância e amor", em referência ao papa e ao imã de Al-Azhar.

A organização Anistia Internacional pediu ao papa que coloque sobre a mesa em Abu Dhabi a questão do respeito aos direitos humanos e criticou que muitos dissidentes permaneçam detidos no país.

Desde o início do seu pontificado, o papa viajou a vários países cuja população é majoritariamente muçulmana, como Egito, Azerbaijão, Bangladesh e Turquia. Em março viajará ao Marrocos.

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