Espanha condena 47 à prisão por ligação com o grupo separatista ETA

BBC Brasil,
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Vários réus protestaram enquanto as sentenças eram proferidas.
A Justiça espanhola condenou nesta quarta-feira (19) 47 pessoas a penas de prisão que variam entre dois e 20 anos por envolvimento com o grupo separatista basco ETA.

Os acusados são membros de uma série de outros grupos que apóiam a independência da região basca.

O julgamento durou quatro meses e foi o maior julgamento relacionado ao ETA na história do país.

Segundo o correspondente da BBC em Madri, Steve Kingstone, os réus foram condenados por diversos crimes, que variam de financiamento de delito a participação em uma "organização terrorista".

Oito anos

Os réus foram investigados durante oito anos e faziam parte de uma rede de grupos sociais e políticos, geralmente com integrantes jovens, que aparentemente ofereciam apoio pacífico ao movimento separatista basco.

Mas a juíza Angela Murillo determinou que, na prática, os grupos não eram apenas organizações satélite, mas o que chamou de "coração e entranhas" do ETA.

De acordo com Murillo, os grupos levantavam verbas, organizavam episódios de violência de rua e, em alguns casos, planejavam diretamente atentados.

Segundo a juíza, um destes grupos operava braços internacionais do ETA em Paris, Bruxelas e na América Latina.

Durante o julgamento, os réus ficaram cercados por vidros à prova de balas enquanto as sentenças eram proferidas. Alguns deles cantaram hinos nacionalistas bascos e foram retirados da sala por seguranças.

No começo de dezembro, o ETA matou dois policiais que estavam disfarçados, trabalhando na França. Na semana passada, o grupo ameaçou realizar novos ataques.

Reeleição

O ETA é responsabilizado por mais de 800 mortes em sua campanha para a criação de um Estado basco, que se estenderia por partes do noroeste da Espanha e do sudoeste da França.

Desde o cessar-fogo do ETA, o primeiro-ministro espanhol José Luiz Zapatero adotou uma linha de negociações mais dura contra o grupo.

Antes, Zapatero havia sido criticado pela oposição por tentar negociar com o grupo separatista.

O primeiro-ministro enfrenta eleições gerais dentro de três meses e a segurança interna deve ser o tema central de sua campanha.
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