Saúde: Quase um mês de greve sem solução

De acordo com Geraldo Ferreira, para manter uma escala pagando o atual salário, o estado se submete a assinar “acordos”.

Maiara Felipe ,
“O Estado finge que paga bem e os médicos que trabalham toda a carga horária”. Foi assim que o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed), Geraldo Ferreira, resumiu a situação do sistema de saúde pública no estado. Os profissionais estão há mais de 20 dias paralisados.

As dez greves, desde 2006, são frutos da necessidade, basicamente, de aumento salarial. Segundo Ferreira, até conseguirem um piso salarial de R$ 7.500, a categoria fará manifestações desse tipo. Por enquanto, os médicos continuam ganhando em torno de R$ 2 mil.

“Há visivelmente um conflito entre a gestão e os servidores. O governo acha que saúde custa caro”, aponta Ferreira. Ele fala sobre o “calo” do serviço de saúde, a falta de recursos humanos, principalmente médicos.

No último concurso, promovido pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) sobraram vagas para algumas especialidades. Isso, segundo o presidente do Sinmed, se deve a falta de condições de trabalho, que muitas vezes arrisca a vida do paciente e, por conseqüência, do profissional. Há também os baixos salários e a inexistência de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários.

De acordo com Geraldo Ferreira, para manter uma escala pagando o atual salário, o estado se submete a assinar “acordos”, no que ele chama de “jogo de enganação”. Médicos que deveriam trabalhar cinco dias na semana, mas vão apenas três. “Tem gente que é para atender 16 pessoas o dia inteiro, porém resume esse tempo para apenas um turno”, declara afirmando que esse não é o caminho apoiado pelo sindicato.

Crise anunciada

Para completar a nebulosidade da situação, há quem diga que a saúde viverá uma tragédia anunciada em 2009. “O Ministério Público recomendou ao Estado que não renovassem os contratos com as cooperativas médicas como anestesiologista, ortopedistas, neurologistas, a partir de janeiro do próximo ano. O pedido é que se faça concurso”, relatou.

As categorias citadas pelo médico não trabalham como servidores do estado prestam serviços através de cooperativas. Só para trabalhar em seis plantões, esses profissionais ganham cerca de R$ 4 mil, o dobro que os médicos servidores públicos recebem e que paga esse preço é o estado.

Os anestesiologistas estão na mira do Ministério Publico Federal, acusados de cartel. A ação afirma que a cooperativa (Copanest) cobra preços muitos superiores, cerca de 100% a mais que o da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). Justamente o que o presidente do sindicato considera que deva ser o aumento salarial dos médicos, visto que o SUS tem os valores defasados.

Sesap

O secretário estadual de Saúde Pública, George Antunes afirma que os profissionais aprovados no concurso são suficientes para suprir a rede pública de saúde. De acordo com o titular da pasta, esperar o momento em que os médicos irão assumir o cargo é melhor opção. Mas, caso os profissionais desistam do posto, Antunes deverá conversa com Ministério Público sobre a situação, visto a necessidade de recursos humanos através de contratos particulares.
A+ A-