Cuba reage a novas sanções e diz que 'apoio a Maduro é inegociável'

Governo cubano criticou as novas restrições impostas pelos Estados Unidos sobre as viagens à ilha.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Alejandro Ernesto/EFE
Grupo de turistas passeia em antigo carro conversível em Havana. Para americanos, visitar Cuba é uma verdadeira "viagem no tempo".

O governo de Cuba criticou nesta quinta-feira (6), as novas restrições impostas pelos Estados Unidos sobre as viagens à ilha e afirmou que sua aliança com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, criticada por Washington, é ingociável. "A solidariedade de Cuba com o Presidente Constitucional Nicolás Maduro Moros, com a Revolução bolivariana e chavista e com a união cívico-militar de seu povo, não é negociável", afirma o governo cubano em uma declaração publicada na imprensa local.

Washington anunciou na terça-feira (4), que proibiria a partir do dia seguinte as viagens dos chamados grupos culturais e cruzeiros a Cuba, as formas mais usadas pelos americanos para visitar a ilha caribenha.

As restrições, que segundo a Casa Branca servem para punir Cuba por seu apoio a Maduro, representam um forte golpe à economia da ilha, fortemente baseada no turismo. "Os recentes ataques contra Cuba usam como argumentos novos pretextos. O mais notório entre eles é a caluniosa acusação de que Cuba intervém militarmente na Venezuela, mentira que foi rebatida pública e consistentemente pelo governo cubano", afirma Havana.

"A pretensão continua sendo arrancar concessões políticas da nação cubana, por meio da asfixia da economia e dos danos ao nível da população", completa o texto, publicado poucas horas depois que o último cruzeiro americano deixou Havana. A Venezuela é a principal aliada política de Cuba há quase duas décadas. Também é o principal fornecedor de petróleo.

Washington alega que Havana apoia militarmente Maduro no governo e exige a retirada dos militares cubanos, que a ilha afirma que não existem.  Cuba mantém 20.000 colaboradores civis na Venezuela, fundamentalmente médicos, segundo Havana.

"Os colaboradores permanecerão lá enquanto o povo venezuelano os receber, cooperando com esta nação irmã", afirma a nota. As medidas anunciadas por Washington se unem a outras adotadas pelo governo de Donald Trump, que desde sua chegada à Casa Branca busca apagar a aproximação com a ilha definida por seu antecessor, Barack Obama.

"Cuba não se deixará amedrontar, nem distrair das tarefas essenciais e urgentes de desenvolvimento de nossa economia e da construção do socialismo. Estreitamente unidos, seremos capazes de enfrentar as adversidades mais desafiadoras. Não poderão nos asfixiar, nem poderão nos deter", completa o texto.

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