Cenário: Içar submarino ARA San Juan do mar pode ser inviável

As famílias das vítimas querem recuperar seus mortos. Vai ser difícil. Erguer o submarino inteiro seria uma façanha e tanto.

Da redação, Estadão Conteúdo,
Ministerio da Defesa/AP
Famílias das vítimas, que desde o naufrágio, pressionaram para que as buscas nunca fossem interrompidas, querem recuperar seus mortos.

A próxima fase da missão do submarino ARA San Juan é uma longa viagem ao drama. Localizados 600 km ao largo de Comodoro Rivadávia, no mar frio e profundo da Patagônia, os restos do navio foram considerados "em estado compatível com uma despressurização súbita", pelos peritos da empresa Ocean Infinity.

O casco está achatado e apenas a seção dianteira, a da proa, parece intacta. Se a água não invadiu todos os compartimentos, é bastante provável que os corpos de ao menos parte da tripulação de 44 pessoas, entre as quais uma mulher, ainda estejam lá, preservados pela baixa temperatura e pelo ambiente sem oxigênio. As famílias das vítimas, que desde o naufrágio, há um ano, pressionaram o governo Macri para que as buscas nunca fossem interrompidas, querem recuperar seus mortos. Vai ser difícil.

O San Juan é agora uma sucata metálica de 2.200 toneladas. Pode estar parcialmente preso no terreno, embora a área seja rochosa, no início de uma formação, uma espécie de serra, que chega a até 6 mil metros. Erguer o submarino inteiro é uma façanha e tanto. Já foi feita. Em 1974, ao custo exorbitante de US$ 800 milhões, os EUA retiraram do fundo do mar partes quase completas de um submarino nuclear perdido pela extinta União Soviética.

Ontem (17), um assessor do ministro da Defesa da Argentina, Oscar Aguad, disse ao ‘Estado’ que, se as exigências para o içamento “estiverem situadas além dos nossos recursos”, os restos do navio eventualmente serão convertidos em um memorial fúnebre, intocados. Há outras dificuldades. Uma delas é estabelecer controle sobre o estoque de armas de bordo, os torpedos de 533 mm principalmente.

A hipótese mais recente para o acidente, levantada pela comissão de peritos formada por dois almirantes e um capitão da força naval argentina, é a de que houve uma falha na operação da grande válvula do snorkel, o dispositivo que os submarinos usam para renovar o ar quando navegam submersos. É uma espécie de torreta que emerge pouco acima da linha de superfície e realiza a troca dos gases.

No dia 15 de novembro do ano passado havia uma forte tempestade rugindo sobre o eixo da rota de Mar del Plata. O San Juan baixou a 15 metros para escapar das ondas fortes. O sistema automático da válvula E19 abria e fechava o snorkel a intervalos muito curtos, talvez de 30 segundos. O que se supõe é que para garantir boas condições ambientais internas o mestre das máquinas tenha decidido manter o mecanismo aberto. A água do mar teria entrado e atingido as baterias elétricas.

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