Francisco Júnior: “As cooperativas devem ser extintas”

O presidente do Conselho Nacional de Saúde acredita que o primeiro passo para pôr fim a crise é acabar com os grupos formados pelos médicos.

Maiara Felipe ,
Em meio a tantas discussões sobre a crise na saúde que o Rio Grande do Norte está atravessando, o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Júnior, expressa sua opinião sobre como pôr fim ao caos já instalado e anunciado por diversas vezes.

“As cooperativas devem ser extintas”, anuncia o presidente do CNS. "Esse deve ser o primeiro passo", completa. Para ele, os contratos com os hospitais privados também não devem ser mantidos. "A sucateada rede estadual de saúde precisa ser reestruturada e contratações emergenciais precisam ser feitas, até um novo concurso ser realizado", diz.

Apesar de serem muitas mudanças para pouco tempo, Francisco Júnior explica sua posição sobre cada ponto enfatizado. “Não tiro a responsabilidade do pode público sobre as péssimas condições em que a rede se encontra, mas o povo não pode ficar refém desses grupos de profissionais e da rede privada”.

O médico afirma que já existe uma ação do Ministério Público, na justiça Federal, contra a cooperativa dos anestesiologistas, acusando-os de cartel. Assim como há informações de que profissionais continuam se negando a atender, nas unidades privadas, os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Esses seriam alguns dos elementos para justificar o fim desses grupos, segundo Francisco Júnior.

Sobre os hospitais particulares, ele esclarece que caso as cooperativas acabem e o serviço público continue aliado ao privado, os médicos podem “se dar ao luxo” de escolher não entrar na carreira pública e mesmo assim continuar ganhando pelo estado.

Longa história

Segundo Francisco Júnior, os problemas entre a rede estadual de saúde e o setor privado começaram por volta de 1997. “Nessa época, nós tínhamos serviços de alta complexidade, como ortopedia e traumatologia. Tudo isso foi desmontado, com o argumento de prestar um melhor serviço à população, para que fossem contratados os hospitais particulares”.

Depois dessa contratação, o médico informa que a rede privada alegou não ter como pagar os profissionais especialistas. O estado adicionou ao contrato um plus para cobrir esse déficit.

“Para encerrar, os profissionais começaram a exigir um valor (estipulado por eles) do estado”, disse Francisco Júnior, sobre o duplo pagamento que o governo estaria fazendo.




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